sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

SEGREDO DE DEUS


Deus segreda-nos o Seu infinito amor por Jesus Cristo,
a magia de Deus que desce
até à nossa cegueira para nos iluminar,
até à nossa fome para nos alimentar,
até à nossa solidão para nos acompanhar.

Deus está...
deixemo-nos tocar pelo Seu segredo...
Feliz Natal!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

...ESTRELA...

AS TRÊS LUZES

As três luzes…
Para ver não basta ter olhos. É preciso ter luz. E vemos o que vemos à imagem e semelhança da luz que temos…
Se a luz é fraca, fraca será a visão.
Se a luz é boa, a visão já será clara.
Além disso, as coisas tornam-se diferentes segundo as luzes que usamos. Com uma lâmpada de luz azul, todas as coisas se tornam azuis aos nossos olhos. Se tirarmos essa lâmpada e usarmos uma vermelha, todas as coisas se tornarão vermelhas…
Mas, falar de diversas luzes, é muito mais do que isto… Porque tudo pode ser visto a vários níveis. Não estamos condenados a ver somente a casca da existência. Para sermos capazes de conhecer verdadeiramente as pessoas com quem nos encontramos e percebemos profundamente as situações com que nos deparamos, temos que aprender a olhar por dentro, a ver fundo.

Na nossa vida há três luzes fundamentais: a luz do sol, a luz da inteligência e a luz da Fé.

A luz do sol ou das lâmpadas é a luz exterior que nos faz ver a casca de todas as coisas, a aparência de todas as pessoas e a forma de todos os acontecimentos. Mas não mais que isso… A esta luz, as coisas são sempre o que parecem. Tudo é apenas o que parece e aparece, o que se torna numa fonte inesgotável de equívocos…
É preciso descobrir uma luz que nos faça ver mais fundo, mais dentro…

A luz da inteligência é a luz racional que nos faz perceber o que as coisas são, as pessoas representam e os acontecimentos significam, para além das suas aparências e experiências imediatas. Mas viver é muito mais que raciocinar… A vida não é obrigatoriamente lógica! Ser pessoa é construir-se, num entretecido de opções, relações, escolhas, atitudes, recomeços…
A inteligência não chega para sermos felizes nem para nos construirmos de maneira sábia. Há realidades fundamentais na nossa construção pessoal que não são lógicas, como perdoar, por exemplo! Depois de sermos traídos, magoados, não é racionalmente lógico perdoar. Nesses momentos é clara a nossa razão a dizer-nos que perdoar não é mais do que abrir a porta a deixar-se magoar outra vez. Não é lógico “dar a outra face…” Mas… nós somos mais do que a nossa razão… A razão sem coração consegue chegar a extremos de desumanização…
É preciso, por isso, descobrir uma luz que nos faça ver ainda mais dentro, mais fundo…

A luz da Fé é a luz da Sabedoria que nos faz construir a vida como projecto chamado à plenitude. Por ela, todas as coisas se transfiguram aos nossos olhos! Os outros tornam-se irmãos e os acontecimentos tornam-se desafios a renascermos permanentemente de novo. Já não se trata simplesmente de perceber a realidade nos seus movimentos, na sua lógica, mas sim perceber o seu Sentido. A luz do sol e das lâmpadas faz-nos ver o que as coisas parecem. A luz da inteligência faz-nos ver o que as coisas são no âmbito da lógica racional. A luz da Fé faz-nos ver o que as coisas são no âmbito do seu Sentido, ou seja, o que estão chamadas a ser.
A luz da inteligência abre-nos à capacidade do raciocínio. A luz da Fé abre-nos à arte da Sabedoria de Viver! Percebemos a vida como projecto sonhado e amado por Deus, que brota do Amor e nele se plenifica! Damo-nos conta dos motivos válidos para viver, dos tesouros importantes a perseguir, das metas pelas quais vale a pena cansar-se…
A luz da Fé faz-nos ver com o olhar de Jesus, retira-nos dos olhos todas as escamas, pouco a pouco, como a Paulo (Act 9, 18). Ver como Jesus vê é olhar os outros, os acontecimentos e a vida de olhos limpos, desimpedidos de preconceitos, mágoas, rancores… É olhar tudo e todos à luz do Amor e da Verdade…
Como cristãos temos que iluminar todas as realidades com a luz da Fé. É esse o segredo da sabedoria e do testemunho que o Evangelho nos pede no dia-a-dia. Que saibamos olhar e ver tudo e todos a uma nova luz, que não é do mundo.
“A Tua Palavra, Senhor, é candeia para os meus passos e luz no meu caminho!” (Sl 119, 105)
Rui Santiago cssr

Mt 2, 1-18
Os Magos do Oriente - 1Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, chegaram a Jerusalém uns magos vindos do Oriente. 2E perguntaram: «Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo.» 3Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes perturbou-se e toda a Jerusalém com ele. 4E, reunindo todos os sumos sacerdotes e escribas do povo, perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. 5Eles responderam: «Em Belém da Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta:
6E tu, Belém, terra de Judá, de modo nenhum és a menor entre as principais cidades da Judeia;
porque de ti vai sair o Príncipe que há-de apascentar o meu povo de Israel.»
7Então Herodes mandou chamar secretamente os magos e pediu-lhes informações exactas sobre a data em que a estrela lhes tinha aparecido.
8E, enviando-os a Belém, disse-lhes: «Ide e informai-vos cuidadosamente acerca do menino; e, depois de o encontrardes, vinde comunicar-mo para eu ir também prestar-lhe homenagem.» 9Depois de ter ouvido o rei, os magos puseram-se a caminho. E a estrela que tinham visto no Oriente ia adiante deles, até que, chegando ao lugar onde estava o menino, parou. 10Ao ver a estrela, sentiram imensa alegria; 11e, entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, adoraram-no; e, abrindo os cofres, ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra.

A luz deste Natal

Vimos a estrela e viemos adorá-lo
A acomodação cega-nos. A disponibilidade ilumina a nossa fraternidade.
Precisamos descobrir a luz que o outro traz dentro de si, só assim nos tornaremos humildes.
As estrelas do mundo, com o seu brilho fácil, ofuscam o brilho diferente da Estrela de Jesus.

E a estrela ia adiante deles
Que estrelas nos guiam? Que metas queremos alcançar? Quais os nossos sonhos?
Como construímos o caminho da nossa história? Com que meios?
Somos estrelas? Como orientamos a nossa luz?

Ao ver a estrela, sentiram imensa alegria… e adoraram-no.
Onde nos conduzem as “nossas estrelas”?
Precisamos de “guias/estrelas”? Qual é a nossa estrela?
Que relação temos com a nossa estrela?


ORAÇÃO

Senhor, Tu és:
Minha LUZ, quando a noite nunca termina,
Meu CAMINHO, quando as encruzilhadas são confusas,
Meu SOL,no céu dos dias cinzentos,
Meu OÁSIS, quando o caminho é poeirento,
Minha FONTE, quando o solo racha pela secura,
Minha MONTANHA, quando a profundidade dos vales me inquieta,
Meu JARDIM, quando a cidade cresce muito depressa,
Minha SABEDORIA, quando a razão assalta o coração,
Minha ESPERANÇA, quando a terra tem a cor de sempre,
Minha PAZ, quando eu faço guerra,
Minha VIDA, quando o meu coração deixou de bater,
Meu CANTO, quando as palavras me faltam,
Minha JUVENTUDE, quando o cansaço me oprime,
Minha ALEGRIA, quando a tristeza se ri de mim,
Minha ALELUIA, quando o pecado é pesado e duro,
Minha BRISA, quando me sinto abafado,
Minha VERDADE, quando me sinto abalado,
Minha CLAREIRA, quando as sombras me assaltam,
Meu CORAÇÃO, quando não encontro o meu,
Meu SENHOR, quando procuro tudo dominar,
Minha VITÓRIA, quando tenho de lutar,
Meu HORIZONTE, quando os meus olhos estão nublados,
Minha ESTRELA, quando …

sábado, 18 de dezembro de 2010

IV Domingo do Advento A

O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo:
Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho, e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados».
Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do Profeta, que diz:
«A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’».
Quando despertou do sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa. (Mt 1, 18-24)

As propostas do Senhor questionam as nossas resoluções, por mais justas que possam parecer. No IV Domingo do Advento, a Palavra de Deus revela-nos um Deus atento que penetra o mais íntimo de nós próprios e nos faz sonhar…

…resolveu…
Todos os momentos da nossa vida são momentos de decisão. Constantemente tomamos resoluções, mais ou menos justas. Pensamos, ponderamos e resolvemos. Mas são muitas as vezes que o fazemos em segredo. Guardamos segredo, a Deus, dos nossos discernimentos e tornamo-nos impermeáveis à acção do Espírito, fonte de verdadeira justiça. Não basta decidir à luz da razão, o discípulo de Cristo deixa que seja o Espírito a decidir.

…não temas…
A disponibilidade gera a surpresa. José, justo e disponível, sonha; faz-se permeável à acção dinâmica e criativa de Deus. Esta relação de acolhimento e de humildade dá-lhe segurança e compromete-o directamente na missão. “Sem sonhos, as pedras dos caminhos tornam-se montanhas”. Quem sonha deixa de fugir e de viver no segredo. Aquele que arrisca sonhar, suja as mãos no serviço ilimitado e na aventura de um Sim constante a Deus.

…despertar do sonho…
Pelo sonho, a fuga dá lugar ao compromisso. “Os sonhos são bússolas do coração, são projectos de vida; eles renovam a esperança quando o mundo desaba sobre nós.” Quem sonha não desiste, desperta para o amor. Despertar do sonho é torná-lo realidade, construir o querer de Deus em nós, ser instrumento de paz e bem num mundo adormecido...

VIVER A PALAVRA
É tempo de estar atento aos sonhos que Deus coloca em mim.
Ao despertar de cada dia faço como o Senhor me ordenara?


REZAR A PALAVRA
Senhor, quero sonhar:
ter um coração justo e atento,
audaz e acolhedor,
como o de Maria e José.
Senhor, quero despertar:
abrir horizontes de paz,
lançar sementes de amor e
contemplar-te como Deus-connosco.

domingo, 12 de dezembro de 2010

III Domingo de Advento

Naquele tempo, João Baptista ouviu falar na prisão, das obras de Cristo e mandou-Lhe dizer pelos discípulos: «És Tu Aquele que há-de vir, ou devemos esperar outro?». Jesus respondeu-lhes: «Ide contar a João o que vedes e ouvis:
os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a boa nova é anunciada aos pobres. E bem-aventurado aquele que não encontrar em Mim motivo de escândalo». Quando os mensageiros partiram, Jesus começou a falar de João às multidões: «Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? Então que fostes ver? Um homem vestido com roupas delicadas? Mas aqueles que usam roupas delicadas encontram-se nos palácios dos reis. Que fostes ver então? Um profeta? Sim – Eu vo-lo digo – e mais que profeta. É dele que está escrito: ‘Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, para te preparar o caminho’. Em verdade vos digo: Entre os filhos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Baptista. Mas o menor no reino dos Céus é maior do que ele». (Mt 11,2-11)

Uma onda de esperança perpassa este III Domingo do Advento, o Domingo da alegria. Onda capaz de fazer destilar a genuína alegria, aquela que se alicerça na certeza de que Deus está com o seu povo, comigo, contigo… e nos providencia a salvação. E nós temos que o contar!

Um advento de esperança
Só quem espera, poderá ver surgir no horizonte os sinais inequívocos da visita de Deus! Nós sabemos Quem devemos esperar e não queremos perder-nos na ambiguidade de esperar outro(s)! Por onde passa, Deus deixa um rasto de salvação, que penetra todas as fortalezas e alvoroça todas as prisões. A de João Baptista. As nossas também! Embora nem sempre seja fácil deixar que as nossas doenças… e mortes sejam tocadas por Deus, ou por não as admitir, ou por não as identificar, não podemos dar-nos ao luxo de desperdiçar a “época de promoções” que Ele está a esbanjar!

O requinte da simplicidade
João Baptista é para nós o modelo do profeta do advento de Jesus! Morador entre o silêncio e a nudez do deserto, num espaço habitado apenas pela voz de Deus. Uma coluna erguida entre o velho e o novo, que medeia o antes e o depois. É profeta, pois prescinde do acessório e cobre-se apenas com a veste da filiação divina. É este requinte de simplicidade, livre de toda a maquilhagem exterior, que nos deixa expostos à acção de Deus, o único capaz da profecia. E somos chamados a ser profetas! É necessário sair dos palácios de reis auto-suficientes, que nos julgamos, despir os disfarces que nos distorcem a identidade, a roupagem que não nos agasalha e as “seguranças” que nos aprisionam, para acolher o horizonte com olhos deslumbrados de criança…

Ide contar…
Depois cabe-nos demonstrar o rasto de salvação que Jesus deixa na passagem pela nossa vida. Ser estes pobres capazes de conter e de contar o seu amor. Há demasiados sedentos de vida, à nossa volta, agonizando por falta de referências. E sem saberem. Urge preparar o caminho que lhes trará Jesus. Cabe-nos contar… fazer ver! Não com a monocórdica recitação de teorias sem vida, mas com a voz incendiada no Espírito Santo; com o perfume dos gestos entregues ao operar de Deus, com os lábios possuídos pelo Evangelho, contar com os sorrisos, os olhares e os silêncios, com a transparência de cada pormenor que emanamos. Cabe-nos ser revelação do puro milagre de Deus!

VIVER A PALAVRA

Serei sinal do advento de Jesus, através dos meus gestos transfigurados pela alegria.


REZAR A PALAVRA