quinta-feira, 21 de julho de 2011

XVII DOMINGO COMUM A

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «O reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. O homem que o encontrou tornou a escondê-lo e ficou tão contente que foi vender tudo quanto possuía e comprou aquele campo. O reino dos Céus é semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. Ao encontrar uma de grande valor, foi vender tudo quanto possuía e comprou essa pérola. O reino dos Céus é semelhante a uma rede que, lançada ao mar, apanha toda a espécie de peixes. Logo que se enche, puxam-na para a praia e, sentando-se, escolhem os bons para os cestos, e o que não presta deitam-no fora. Assim será no fim do mundo: os Anjos sairão a separar os maus do meio dos justos e a lançá-los na fornalha ardente. Aí haverá choro e ranger de dentes. Entendestes tudo isto?». Eles responderam-Lhe: «Entendemos». Disse-lhes então Jesus: «Por isso, todo o escriba instruído sobre o reino dos Céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas». (Mt 13, 44-52)

Caros amigos e amigas, naquilo que nos apaixona não nos importa investir a vida, tempo, sacrifícios. Um tesouro pode aparecer imprevistamente e uma pérola exigir uma longa procura; todavia, é necessário um coração atento e vigilante, sábio e inteligente, capaz de recordar o passado e de inventar caminhos novos.

Deus como tesouro
Um tesouro é algo raro, recorda histórias de piratas, diálogos de namorados, sonhos de riqueza... Um tesouro acorda esperanças, ultrapassa comodismos e medos, dá coragem e confiança. Deus como tesouro significa que Ele não é uma renúncia, uma diminuição, uma mortificação, mas é uma conquista, um luxo abundante, mais vida dentro da própria vida. Quando conquistado não se troca por nada, não se vende, não se perde! Como tesouro Deus é o contrário das coisas banais e supérfluas, o oposto de uma vida qualquer, mas é multiplicação de vida, de projectos, de possibilidades. É surpresa, encanto, horizonte ilimitado.
Por um tesouro arrisca-se tudo! É o que Deus sempre faz: o seu tesouro é o homem. Por nós abandona a tranquilidade da eternidade para contemplar o homem na palma da sua mão, como pérola preciosa, resplandecente do Espírito que anima a argila modelada. E Deus comete folias por causa desta paixão, até à folia máxima e incompreendida da cruz. Deus vende tudo por causa do tesouro da humanidade, até o seu bem mais precioso: o próprio Filho no Gólgota.

A alegria de vender tudo para ter tudo
O homem da parábola ousa a alegria e realiza uma acção corajosa e pouco prudente, tão diferente de nós centrados em ocupações e preocupações. Vender tudo para comprar um tesouro, renunciar para ser ainda mais livre, abandonar tudo para possuir tudo, porque o tesouro está antes de qualquer renúncia e porque a pérola eclipsa todos sacrifícios. A alegria, como brasa ardente, transforma e arrasta a vida!
As renúncias recordam e cheiram a tristeza, frio, distância, desamor, consumação do coração. A fé não é renúncia e sacrifício, mas é uma fonte de júbilo, é êxtase da vida! A fé aposta a vida no tesouro desmedido de Deus e produz em nós a divina folia de amar sem medida.

Mendicantes de pérolas
Quando Jesus olha para Pedro não vê apenas o pescador, mas descobre a pedra que limada se torna pérola preciosa; quando encontra Mateus, para além do dinheiro da cobrança dos impostos, vê um coração radical cheio de riquezas; quando olha para a Madalena, vê ali um tesouro, onde meter todo o coração… Nós somos o tesouro escondido de Deus no campo da humanidade, pelo qual pagou elevado preço.
Em cada homem existe um tesouro escondido, porque o Reino dos Céus caminha no coração do nosso coração. Sim, o Reino está no mais íntimo de cada um de nós, como pérola que ilumina o olhar, como tesouro que inventa desejos mais profundos. Não faltam, de facto, tesouros e pérolas; faltam antes pessoas apaixonadas e sábias, capazes de apostar toda a vida num tesouro maior.
Não são as regras ou os propósitos que nos fazem caminhar na vida, mas é a descoberta de tesouros: porque onde estiver o nosso tesouro, ali corre feliz o nosso coração. Nós avançamos na vida por paixões de coisas belas e fortes, de amores e tesouros, de sementes, espigas e fontes de água, reais arsenais de alegria, como mendigos que nunca se satisfazem com o adquirido, mas sonham com a única pérola preciosa. Então deixamos tudo, para ter tudo! Quando o encontramos, caros amigos e amigas, realiza-se o Evangelho!

VIVER A PALAVRA
Quero que a primazia do Reino de Deus presida às minhas decisões e me confirme o agir.

REZAR A PALAVRA
Senhor, sumo bem, única riqueza...
Abre meus olhos para saborear a surpresa do encontro.
Toda a minha riqueza, nada é, perante a imensidão do Teu amor.
Só Tu tens valor...só Tu dás valor...em Ti me encontro.
Entrego tudo, o pouco que tenho e sou,
E deixo-me apanhar pela rede do Teu abraço de Pai.
Conduz-me na descoberta desafiante do Teu Reino!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

XVI DOMINGO COMUM A

Naquele tempo, Jesus disse às multidões mais esta parábola: «O reino dos Céus pode comparar-se a um homem que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e foi-se embora. Quando o trigo cresceu e começou a espigar, apareceu também o joio. Os servos do dono da casa foram dizer-lhe: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem então o joio?’. Ele respondeu-lhes: ‘Foi um inimigo que fez isso’. Disseram-lhe os servos: ‘Queres que vamos arrancar o joio?’. ‘Não! – disse ele – não suceda que, ao arrancardes o joio, arranqueis também o trigo. Deixai-os crescer ambos até à ceifa e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em molhos para queimar; e ao trigo, recolhei-o no meu celeiro’». (mT 13, 24-30)

Caros amigos e amigas, as parábolas do Evangelho espantam e provocam. Hoje, a sabedoria e paciência do semeador são escola de vida que nos convidam a olhar para a beleza e para os bons frutos. No nosso coração florescem e se entrelaçam o grão e joio. Na ceifa, só o trigo de amor será recolhido pelo Semeador.

Um campo de boa semente e joio
Encanta-me a confiança do semeador que fixa o seu olhar sobre as espigas de trigo, mesmo se me identifico facilmente com os servos que cravam a sua atenção no joio, procurando um culpado. Dois modos de olhar que são dois distintos modos de viver e de amar: um olha à beleza e à fecundidade da vida, ao que pode ser pão e fermento de novidade; o outro centra-se nos defeitos, vê as pessoas e o mundo invadidos pelas falhas e divide tudo em categorias de bem e mal, de verdade e erro, de graça e pecado.
A parábola recorda também que no nosso campo não semeia apenas Deus ou nós. Não somos os únicos artífices do mundo e nem tudo depende de nós. Tanto para o bem como para o mal existem condicionamentos, influências, intrusões. Ocorre não procurar culpados, mas zelar pelo crescer e espigar da vida.

“Queres que a arranquemos?”
Como os servos da parábola gostaríamos de soluções imediatas e claras. Talvez nos seja mais fácil denunciar do que testemunhar, protestar do que semear, arrancar do que plantar, separar do que ligar, julgar a noite do que acender um dia novo. E, todavia, o joio e o trigo crescem juntos dentro de mim, de nós. Não nos compete arrancar nada, porque sem querer podemos desenraizar quanto de bom Deus semeou no nosso coração.
O crescimento leva tempo, tem o seu ritmo próprio. Não é puxando e esticando uma flor que ela cresce mais depressa. Deus leva mais de cem anos para fazer crescer um carvalho. Felizmente Ele é mais paciente connosco do que com um carvalho, porque é “lento para a ira e rico em misericórdia” (Salmo 145).

“Deixai-os crescer ambos”
A doce sabedoria do semeador não tem pressa em meter o tractor no campo para cortar o mal pela raiz. O Senhor leva-nos a procurar, no campo de cada um, espigas douradas; convida a preocupar-se com a semente boa, a cuidar de cada rebento, a estimar os pequenos grãos de vida no outro, em vez de lhe sobrevalorizar os defeitos, condená-lo pelas fraquezas, desterrá-lo por causa das suas sombras.
Não tenhamos medo de caminhar, com ternura e paciência, entre os sulcos floridos da nossa história e aí admirar as espigas da boa ceifa e também o colorido do joio. Na verdade, as ervas daninhas estão no meio da boa terra e atravessam o mundo, a Igreja, o coração de cada pessoa. Escandalosamente a paciência de Deus deixa que o mal cresça junto ao bem. Jesus não arranca o joio, não corta a figueira infecunda, não afasta Judas do grupo dos doze, mas pelo contrário ajoelha-se, para lhe lavar os pés como amigo, pouco antes da traição. Talvez, com a esperança de ainda haver tempo de mudar, de converter.
Deus procura em nós, em primeiro lugar, não a ausência de defeitos, mas a fecundidade do fruto bom. No fim, Ele não olhará para o joio, para o lado escuro da nossa existência, nem para o pecado cometido, mas fixar-se-á no bem realizado, no grão maduro e fecundo. Porque para Deus o bem pesa muito mais do que o mal, e uma espiga de grão conta mais do que todo o joio da terra. E isso, caros amigos e amigas, é Evangelho.

VIVER A PALAVRA
Quero escutar a novidade da Palavra de Deus para deixar que o trigo do amor cresça em mim.

REZAR A PALAVRA
Espírito de Deus, doce brisa, purificador vento... vem arejar a minha seara!
Não permitas que trigo e joio se confundam numa dança de arbitrariedade...
Eu te agradeço o espaço de misericórdia que me concedes até à hora da ceifa;
Vem restaurar tudo o que a minha inconsistência estraga, no tempo com que me semeias.
Faz maturar, no meu íntimo, a genuína essência do pão, até ao sabor da Eucaristia.
Vem insuflar de esperança a minha pequenez, até à explosão do teu amor em mim...
Vivifica-me a fecundidade, fecunda-me o movimento, movimenta-me a vida!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

XV DOMINGO COMUM A

Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-Se à beira-mar. Reuniu-se à sua volta tão grande multidão que teve de subir para um barco e sentar-Se, enquanto a multidão ficava na margem. Disse muitas coisas em parábolas, nestes termos: «Saiu o semeador a semear. Quando semeava, caíram algumas sementes ao longo do caminho: vieram as aves e comeram-nas. Outras caíram em sítios pedregosos, onde não havia muita terra, e logo nasceram, porque a terra era pouco profunda; mas depois de nascer o sol, queimaram-se e secaram, por não terem raiz. Outras caíram entre espinhos, e os espinhos cresceram e afogaram-nas. Outras caíram em boa terra e deram fruto: umas, cem; outras, sessenta; outras, trinta por um. Quem tem ouvidos, oiça». (Mt 13, 1-9)

Caros amigos e amigas, o Evangelho não é uma história do passado nem se pode aprisionar, mas é semente arrojada que Deus lança, no sulco de cada dia, destinada a dar novos frutos. O Evangelho é essencialmente palavra de Deus que multiplica a vida. Ditosos os ouvidos dos que decidem escutá-lo!

Pródiga folia do semeador
Quanta folia, quanto desperdício, quanta esperança, nos sonhos deste semeador! Lança, sem medo e com generosidade, uma chuva de sementes, pérolas de vida, aos quatro ventos sem fazer distinções do terreno, mais esperançado e confiante no gérmen do que nos invernos e intempéries do coração. Deus é um fecundador incansável da existência!
Ainda hoje Deus continua a semear abundantemente, no coração do homem, a sua Palavra e os seus sémenes de vida a mãos cheias, com o mesmo entusiasmo e encanto. O seu amor é sempre excessivo, desmedido, sem barreiras. Ele lança a semente em terrenos áridos, estéreis, sombrios e vivificantes, acreditando a seu tempo numa estação de fecundidade. O sonho de Deus tem ares de Primavera, de novidade, de geração, de infinitas possibilidades, de milagre, de ressurreição! É um Deus fascinado pela alegria do encontro. Certo, encontros infrutuosos, duros, espinhosos, fecundos… mas sempre encontros!

A semente é a Palavra
Nos sulcos da humanidade, no coração de todos, Deus semeou a pessoa do seu Filho Jesus, que morre para dar fruto! O Verbo de Deus continua a fecundar qualquer vida. Apesar das silvas e dos espinhos, das pedras e dos que pisam a semente, há sempre uma terra que acolhe e floresce. E mesmo se por vezes a resposta é negativa, no fim desabrochará um rebento novo porque a força está na semente, em Cristo!
Não sejamos avarentos, não decidamos onde e quando a potência da vida deva florir. Deixemo-nos encantar pela poesia do semeador e pela força da semente; deixemo-nos seduzir pela bondade e pelo dinamismo da Palavra mais do que pelos resultados; deixemo-nos fascinar pelo entusiasmo do Evangelho, porque a fé do agricultor acredita em nós mesmo antes de darmos fruto!

Ser terra acolhedora e fecunda
A palavra de Deus permanece enterrada em corações misteriosos e ambíguos, tal como a semente debaixo da terra. Mas quem sabe se no escuro não se dá o milagre do renascimento, tal como no silêncio do sepulcro, antes da ressurreição? A vida não é vazia, não é ausência. Há algo de Deus dentro da vida, há palavras suas na nossa terra! Todos somos a sua terra, onde a Palavra é lançada. Junto ao terreno que não dá fruto, há sementes que germinam. Na mesma sementeira os resultados são diversos. Basta ser terra aberta para ser terra grávida de vida! Não bloqueemos o milagre!
A palavra de Deus requer um minuto de paixão, requer a profundidade do coração, com a sujidade da terra e da própria vida, que acolhe a alegria e a dor, que se abre à potência de Deus, sem asfixiar a sua presença (Ronchi). Apenas uma parte da sementeira atingirá a terra bela e fecunda, o resto será presa dos pássaros, da aridez, do calor e do sufoco das silvas, mas o fruto que nasce supera qualquer esperança, 30, 60 ou 100 vezes, numa esperança absoluta. E isso, caros amigos e amigas, é Evangelho!

VIVER A PALAVRA
Quero fecundar cada estímulo do meu dia a dia com a força eficaz da Palavra de Deus.

REZAR A PALAVRA
À beira mar, contemplo-te
no barco que embala a Palavra
e anseio, faminto, pelas sementes que, carinhosamente, lanças em mim.
Caem na estrada abandonada, na superficialidade do meu sim...
E são levadas pelos pássaros do mundo

que violentam a meu vazio.
Caem no coração de pedra

que não te deixa tocar o profundo...
E são queimadas pela secura da vida que,

sem ti, não é fecunda.
Caem entre os espinhos da vida

que obscurecem a minha entrega...
E são afogadas pela dor, pelo tempo,

pelo mais importante que tu.
Caem nos braços que te esperam,

nos lábios que te cantam,
na alma que te escuta, terra boa...

que dará fruto e nova semente...

quinta-feira, 30 de junho de 2011

XIV DOMINGO COMUM A

Naquele tempo, Jesus exclamou: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado. Tudo Me foi dado por meu Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve». (Mt 11, 25-30)

Caros amigos e amigas, para entrar no Reino de Deus não se requer riqueza ou inteligência. O Evangelho conquista-se apenas com o coração e com a força do amor. É dom gratuito a acolher!

“Eu Te bendigo, ó Pai…”
Na Galileia cresce a rejeição e hostilidade face a Jesus; os milagres convencem só exteriormente; os familiares procuram-no pensando que está tolo; os fariseus perseguem-no para ser processado e remetido ao silêncio,… Todavia, no meio da crise, Jesus bendiz ao Pai! Em vez de se lamentar e criticar, louva, bendiz e agradece a Deus. Na sua boca apenas uma palavra repetida à exaustão: Abbá, Papá! É uma oração que revela um estilo de vida: encantar-se e enamorar-se até pelo mínimo, pequeno, inútil! O seu “sim” ao Pai não está condicionado pelo sucesso da missão, mas é uma adesão radical que mesmo as situações desfavoráveis ou contraditórias não abalam.
Nós, do nosso lado, pensamos e acreditamos que é mais fácil lastimar-se do que agradecer. Temos a boca inundada de lamúrias, ressentimentos e amarguras que roubam o encanto da vida. Custa-nos encontrar a doçura e a alegria de Jesus nos pequenos. O conhecimento dos mistérios não é um privilégio, mas pertence aos de “coração puro”, a todos aqueles com capacidade de maravilhar-se e de adivinhar, nas palavras e gestos de Jesus, a intimidade com o Pai.

“…porque revelaste estas verdades aos pequeninos”
Afinal, Deus tem preferências, não é indiferente! Escolhe e aposta naqueles que mais ninguém quer, prefere o que é fraco aos olhos do mundo para confundir os fortes. As crianças têm o dom de libertar e superar os limites do mundo adulto: o desencanto, o calculismo e os medos. Os pequenos não se escandalizam diante da humildade de Deus, diante da folia da sua pobreza! Não conseguindo viver sozinhos, não são auto-suficientes, vivem sempre em função do outro. O seu olhar vê além das aparências, entra no mistério das pessoas e das coisas, entra no coração de Deus. O segredo divino é ter olhos para os pequeninos.
As seguranças dos poderosos e dos sábios impedem-nos de dar graças. Só o pequeno, aberto ao inédito, pode cantar com Jesus os louvores de Deus. Só o silêncio se deixa seduzir com o canto dos pássaros. Só o pobre ensina a viver apenas e simplesmente de amor!
Para Jesus os pequenos não são apenas os doze discípulos, mas todos os que acolhem a sua palavra. Entre eles há pecadores, prostitutas, doentes, pobres, mas também alguns escandalosamente ricos, como os publicanos e cobradores de impostos. A força do Evangelho transforma a vida das pessoas. Não se enche um copo já cheio. É necessário um coração despojado para que Deus encontre o seu lugar.

“Vinde a min, todos os que andais cansados e oprimidos”
Como é sedutor o convite para repousar e pacificar a própria vida no Mestre. Ele é o verdadeiro cônjuge (= aquele que toma com o outro o jugo) na fidelidade e no amor. Não se pode caminhar sozinho, sem a ajuda de alguém. Em Cristo até a nossa fragilidade e pecado são colocados nas mãos de Deus e se transformam em ocasião para dar graças.
Jesus não suprime o cansaço, as lágrimas, as dores, mas desafia a demorar no seu coração! Só o amor é mestre da vida. Frequentar o coração de Jesus é, para nós sábios e inteligentes mas analfabetos do coração, fazer da dureza da vida um motivo de bênção, porque Ele está connosco. E isso, caros amigos e amigas, é Evangelho!

VIVER A PALAVRA
Na presença do Pai, vou construindo um coração manso, humilde e confiante.

REZAR A PALAVRA
Abba, ó Pai, eu te bendigo
no enlevo de Jesus, o Filho amado,
porque me acolhes

no berço da mansidão de Jesus,
porque me alimentas

com o leite da humildade de Jesus,
porque me educas

na escola da cruz de Jesus.
Remodela o meu coração,

viciado pelo orgulho,
derrama nos meus olhos

o colírio da simplicidade,
para que, assim, me possa abrir

à tua revelação criadora,
e saborear, no meio de tantas lutas,

o repouso dos que a Ti se confiam.