quinta-feira, 26 de abril de 2012
IV Domingo Páscoa B
Caros amigos e amigas, o Evangelho hoje apresenta-nos o “Bom e Belo Pastor”. A beleza do pastor não é a das estrelas de cinema, nem Ele é bom por ser mais doce do que os outros, mas simplesmente porque a coisa mais bela e boa da vida é o amor.
“Eu sou o Bom Pastor”
Talvez Jesus se tenha recordado das palavras de Deus pronunciadas pela boca do profeta Ezequiel: “Eu cuidarei das minhas ovelhas, para as tirar de todos os sítios em que se desgarraram num dia de nevoeiro e de trevas. Eu apascentarei o meu rebanho, Eu o farei repousar. Hei-de procurar a ovelha que anda perdida e reconduzir a que anda tresmalhada. Tratarei a que estiver ferida, darei vigor à que andar enfraquecida e velarei pela gorda e vigorosa” (34, 11-16). Como pastor Jesus não vai à retaguarda lamentando-se da lentidão dos nossos passos ou dos saltos fora da estrada, mas caminha à frente, abrindo caminhos inesperados e inventado percursos de esperança. Precede-nos atraído mais pelo nosso futuro do que pelas quedas do passado. É o seu andar que seduz e encanta, convidando-nos a sair dos velhos recintos, dos rebanhos anónimos, dos desvios falhados, para ir ao encontro dos outros.
“Conheço as minhas ovelhas e elas conhecem-Me”
São tantas e infinitas as vozes que enchem a nossa vida: conselhos, pareceres, comentários, boatos… que nos afogam no silêncio anónimo. Faltam vozes amigas e familiares que falam ao coração. De facto, os ouvidos ouvem, mas é o coração que escuta. Só o coração reconhece a voz do amado, só o coração ardente reconhece o Senhor ao partir do pão, só o coração de amor responde: “eis-me aqui”. Quando o bom Pastor chama fá-lo num modo eternamente apaixonado. Ele conhece nossa vida; recorda a nossa beleza mesmo quando não nos lembramos dela; sabe quais são as nossas quedas para, se necessário, levar-nos ao colo. O Pastor chama pelo simples nome, sem evocar função, autoridade ou atributo, abraçando simplesmente a nossa humanidade de filhos. Abraça-nos com a sua voz, fala sem atalhos ao coração, convida-nos a sair de tudo aquilo que rouba, saqueia ou é estranho à vida.
“Dou a minha vida”
Este é o segredo de Jesus, o tesouro escondido e o mistério revelado: Deus vem para dar vida! Dar a sua vida! Não apenas o indispensável, mas aquela vida exuberante, excessiva, bela, magnífica, exagero de vida. Deus dá sempre em demasia: cem vezes mais em irmãos; sobras imensas após saciar a multidão; água insípida transformada no melhor vinho de Canaã; ossos inanimados revigorados no paralítico; pedra do túmulo rolada em Lázaro; perfume esbanjado no perdão dos pecados, até à morte do Filho na cruz para salvar o escravo. O Amor é sempre excessivo, abundante, exagerado; de contrário não seria amor! Ser cristão é aprender de Jesus que a vida é dom; é descobrir que o sentido da vida é dar com abundância; é compreender que o segredo da felicidade depende do amor, da entrega e da relação com o pequeno rebanho confiado ao nosso coração. E Deus, com infinito amor, dá a eternidade ao que de mais belo e bom trouxermos no coração. E isso, caros amigos, é Evangelho!
VIVER A PALAVRA
Esforço-me por reconhecer e escutar a voz do Bom Pastor, no meio de tantos confusos ruídos.
REZAR A PALAVRA
Senhor, Bom Pastor, olha o meu passo perdido, neste campo sedento.
Senhor, Bom Pastor, escuta o silêncio do meu vazio, nesta busca de verdade.
Senhor, Bom Pastor, toca o coração duvidoso, com a luz do Teu Espírito.
Senhor, Bom Pastor, abraça cada lágrima de medo, com a certeza do amor.
Preciso de Ti, guia seguro, Tu me conheces...leva-me à fonte...
Conduz-me a verdes prados, onde, contigo, darei a Vida.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
III Domingo Páscoa B
Dito isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E como eles, na sua alegria e admiração, não queriam ainda acreditar, perguntou-lhes: «Tendes aí alguma coisa para comer?». Deram-Lhe uma posta de peixe assado, que Ele tomou e começou a comer diante deles. Depois disse-lhes: «Foram estas as palavras que vos dirigi, quando ainda estava convosco: ‘Tem de se cumprir tudo o que está escrito a meu respeito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos’». Abriu-lhes então o entendimento para compreenderem as Escrituras e disse-lhes: «Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia, e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois as testemunhas de todas estas coisas». (Lc 14, 35-48)
Caros amigos e caras amigas, o Evangelho de Emaús narra a peregrinação da nossa vida que oscila, tantas vezes, entre uma vida desiludida e um coração encantado. Caminhar com amigos e desconhecidos, partilhar as esperanças e as tristezas, descobrir o sentido profundo dos acontecimentos, dividir o pão da vida e deixar Deus acender-nos o coração é o grande tesouro de Emaús.
Do desespero até à fé
Os dois discípulos de Emaús caminham amargurados e decepcionados. Abandonam Jerusalém e ali deixam os sonhos e as esperanças Com o coração ainda acampado no calvário são incapazes de acolher a alegria transbordante da Páscoa. Enquanto caminham um desconhecido junta-se a eles. Quando tudo parece falir, Jesus faz-se companheiro de viagem, acolhendo as confidências, na partilha da vida, da palavra e do pão.
Quem de nós não se encontrou um dia sobre a estrada de Emaús, com o coração cheio de questões e de esperanças desiludidas? Quantas vezes não pensamos que o Senhor fica retido nos sacrários e que caminhamos sozinhos no mundo? Ainda hoje, quando sobre a nossa fé desce a noite, os passos de Jesus metem-se nos rastos da humanidade, dentro do pó da estrada, e ao ritmo do seu coração. O problema não é a ausência de Deus, mas é a incapacidade em reconhecê-lo; é a miopia que concentra tudo sobre nós próprios, sobre os nossos problemas.
Caminho de palavra e de pão
Caminhar juntos permite desfolhar as páginas densas da vida com um novo significado. Se a palavra amiga muda o coração, o pão partilhado muda o olhar dos discípulos que reconhecem Jesus no partir do pão. É este o seu estilo; é este o sinal da sua presença como corpo partido e dado, vida doada para alimentar a vida.
Todo o caminho de Emaús é uma liturgia de esperança: faz descobrir o fio de ouro dentro das malhas do mundo; revela a presença silenciosa e escondida de quem nunca nos abandona; é capaz de despertar o dom de um coração aceso, apto a ver o amigo. Emaús obriga a repartir, como se a noite já não fosse noite. O triste caminhar torna-se então alegre corrida com o sol dentro da vida: não há mais noite, nem cansaço, nem tristeza.
“Não ardia cá dentro o nosso coração?”
Esta é a eterna interrogação do homem. Na verdade, desde a saída de Jerusalém até ao regresso, não mudam os factos ou as palavras, muda é o coração dos discípulos. Para reconhecer Jesus não basta conhecer as Escrituras, não basta caminhar com o outro, não basta repetir mecanicamente os gestos da última ceia, se em tudo faltar o ardor do amor. Sem amor é impossível ver Jesus e o outro. Só o amor conhece! Só amor vê e encontra!
É sobre Jesus que os dois discípulos falam; é por causa dele que estão desiludidos e desconsolados. Mas só quando Ele lhes fala, é que arde o coração. Só uma vida acesa, na partilha dos irmãos, é capaz de incendiar as trevas e desilusões. Ter um coração ardente é o dom precioso de Emaús! E isso, caros amigos, é Evangelho!
VIVER A PALAVRA
Vou contar tudo quanto Deus faz acontecer em mim e como O reconheço ao partir do Pão.
REZAR A PALAVRA
Senhor, na secura dos sinais, no emaranhado de tantas vozes, vem
agasalha a minha fé e lubrifica o meu entendimento e reconhecer-Te-ei!
Diante das evidências sem sentido, ante recordações sem conteúdo, vem
acolhe-me à mesa, introduz-me na Tua ferida que me sara e experimentar-Te-ei!
Nos abrolhos de uma missão dura, perante o temor e a fragilidade, vem
sopra sobre mim o Teu Espírito, mergulha-me na Ressurreição e anunciar-Te-ei!
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Vocação!

sábado, 14 de abril de 2012
Nas Asas da Nova Evangelização
O grupo JEF SerClave tem-nos habituado a perceber que é possível conciliar a aventura da música com a urgência da evangelização.
A missão “Nas asas da Nova Evangelização” foi o último projeto do grupo. Teve a sua origem no amor do Espírito de Deus na história, que ilumina e fortalece aqueles que se deixam guiar pela Sua criatividade e conselho. Voar pelo Atlântico até aos Açores para partilhar a alegria de cantar Cristo, foi sonho do Espírito na jovem Carolina Vieira que se tornou sonho SerClave. Acolhida a proposta, o grupo fez caminho concentrando alguns esforços neste projeto e organizando um roteiro missionário e musical para semear na ilha de S. Miguel uma chama de amor através da música sacra jovem. Foram contactos, procura de apoios, ensaios, pequenos milagres que foram fazendo caminho com o grupo e construíram a certeza de que não estamos sós neste mar de amor.
O roteiro iniciou com a celebração de envio no Paço Episcopal de Bragança, no dia 21 de março, presidida pelo Sr Bispo da Diocese, onde cada elemento recebeu um Kit para a viagem e as palavras de estímulo e de admiração por parte de D. José Cordeiro.
Já nos Açores (do dia 28 de março ao dia 04 de abril), o grupo seguiu o roteiro elaborado anteriormente, contemplando momentos de reflexão espiritual, relação com a comunidade, concertos, actividades pastorais e tempos de lazer no contacto com a deslumbrante riqueza natural.
Através dos momentos de formação e vivência espiritual, o grupo manteve firme a relação com Deus, que o caracteriza; experimentando a espiritualidade eucarística, mariana e franciscana que bebe do carisma das Servas Franciscanas Reparadoras.
O acolhimento da comunidade que recebeu o grupo (Povoação) foi indescritível. O grupo sentiu-se, totalmente, em casa. O contacto com as pessoas da terra, as suas aspirações, a riqueza das suas tradições, deu oportunidade ao grupo de realizar um trabalho de proximidade magnífico. Toda esta missão só foi possível, dado o grande esforço do grupo e o elevado apoio do povo dos Açores que, em muitos e pequenos gestos, construiu, com o grupo, este sonho.
Foram seis os concertos que o grupo realizou, três no concelho da Povoação: Igreja Matriz, Faial da Terra e Ribeira Quente; um no dia Mundial da Juventude em Santana e dois em Ponta Delgada: Igreja de Nossa Senhora de Fátima e Pavilhão do Mar (Portas do Mar). Como é habitual, o grupo proporcionou momentos de elevada qualidade musical, através da música sacra jovem e de uma relação muito positiva com o público que, em grande número, se fazia presente nos concertos.
Foi de especial importância a participação do grupo JEF SerClave na dinamização do Dia Mundial da Juventude, promovido pelo departamento da pastoral juvenil da diocese de Angra, através do concerto dado no início da tarde e da partilha reciproca de experiências entre os jovens dos Açores e o grupo vindo da Diocese de Bragança/Miranda. O grupo teve ainda oportunidade, ao longo da semana de missão, de visitar um centro de acolhimento de jovens e crianças com meio familiar desfavorecido e participar num tempo de partilha fraterna e caminhada com um grupo de jovens de Faial da Terra.
A beleza natural dos Açores fascinou e cativou o olhar dos SerClave. Houve tempo para contemplar o nascer do sol, visitar uma fábrica de chá, tomar contacto com várias tradições da ilha, nomeadamente os Romeiros que percorriam a ilha neste tempo da Quaresma, contemplar a beleza da união do mar com a costa dos Açores através da visita a vários miradouros, visitar a realidade da comunidade das Furnas e a sua riqueza natural, saborear os segredos gastronómicos da ilha e descobrir em cada detalhe as maravilhas da criação.
Foi um tempo de forte experiência fraterna. Uma pequena comunidade/família, que atravessa o Atlântico para cantar o amor que Deus deposita em nossos corações e só se realiza quando é partilhado.
Os SerClave, são uma família onde a música e o amor de Deus se encontram e fazem festa.
Ir. Maria da Conceição Borges
II Domingo Páscoa B
Caros amigos e amigas, “a incredulidade de Tomé foi mais útil para nós do que a fé dos discípulos que acreditaram” (S. Gregório Magno). Jesus convida-nos a entrar no seu coração ferido pelo amor para renascer numa vida nova, a passar da incredulidade ao êxtase da fé!
“Estando fechadas as portas da casa”
A tristeza e o medo de acabar como o Mestre aferrolha os discípulos. A memória da cobardia na noite da traição paralisa-os! No entanto, Jesus vem. Vem porque não se escandaliza nem se impressiona com os nossos medos e feridas. Ele entra apesar da dureza e lentidão do coração, apesar das resistências e obstáculos. O Ressuscitado não se detém diante da inércia lacrimosa ou da incredulidade, mas está atento às dúvidas dos seus amigos e vai à procura da ovelha perdida, no pequeno rebanho dos onze. É ali que se aproxima, estende a mão e oferece os sinais do amor crucificado, porque nesses sinais o amor imprimiu toda a sua história com o alfabeto das feridas.
Onde nós temos medo, Jesus vem para inundar-nos do sopro vital, alagando-nos de paz, fazendo-nos sair rumo ao outro.
“Se não vir o sinal dos cravos, se não meter a mão no seu lado, não acreditarei”
Como são pobres as nossas palavras que não conseguem testemunhar, dizer ou convencer alguém. Os primeiros discípulos vivem a incapacidade em transmitir a fé ao ausente Tomé. Este quer ouvir, ver, tocar Deus. Quer garantias e certezas mais do que teorias. Quer tocar aquela história de amor, aquela escolha de uma vida dada; quer acariciar com as próprias mãos a desmedida da paixão. Tomé não procura sinais gloriosos ou triunfais, mas os sinais vivos e abertos do amor.
Nas mãos de Tomé, ávidas em tocar, estão também as nossas mãos duvidosas, à procura de um sinal, de uma prova. Tomé é a voz e o rosto das nossas dúvidas, da nossa dificuldade em acreditar. Mais do que meter o dedo nas chagas de Cristo, Tomé mete o dedo nas chagas da nossa pobre fé. Esta nasce da presença e do encontro. Enquanto não formos abraçados e envolvidos no jogo de amor e de dor de Deus, não poderemos afirmar: eu creio Senhor!
“Meu Senhor e meu Deus”
Aquele “meu” tão pequeno muda tudo! Não indica um deus desconhecido, um deus da teologia ou dos livros, mas revela o Deus emaranhado e entrançado na vida. Aquele “meu” é experiência do Espírito, que rouba o coração e dilata a existência, tal como “o meu amado é para mim e eu sou para ele” (Cântico dos cânticos). Aquele “meu” é um brado de felicidade que brota do coração!
Para quem acredita a vida nem é mais fácil ou mais difícil, mais cómoda ou segura. Para o crente a vida torna-se mais cheia, apaixonante, ferida e vibrante, ferida e luminosa. Importante não é ter vivido com Cristo antes da sua morte, mas sim viver a vida que nasce da sua ressurreição! E isso, caros amigos, é Evangelho!
VIVER A PALAVRA
Quero acolher do Coração do Ressuscitado a Vida que me faz mensagem do Seu Amor.
REZAR A PALAVRA
Senhor! Fechada pelas portas da dúvida e do medo, distante da comunhão,
quero acolher o dom da Tua presença permanente, que sopra o poder
do Espírito que dá vida nova e me lança, com audácia, na missão.
Quero ver as marcas, os sinais, do Teu amor na minha vida pálida,
quero escutar o apelo de Paz que semeias no meu coração inquieto,
quero fazer Páscoa contigo, Senhor, e acreditar que só Tu és:
Meu Senhor e Meu Deus!