terça-feira, 26 de junho de 2012

100% alegria - Retiro JEF


"100% alegria foi o tema do retiro JEF que se realizou no Convento de Balsamão nos dias 23 e 24 de junho.
8 Jovens corajosos dos grupos de Freixo, Macedo, Bragança e Alfaião, fizeram um caminho de crescimento espiritual desde o medo até à alegria.
Dele fizeram parte momentos de oração, convívio, caminhada, formação, teatro, dança, silêncio, reflexão pessoal e compromisso.
Foi um tempo de graça, onde a alegria foi a bandeira e o Evangelho o barco que nos conduziu até à meta da felicidade verdadeira. Sabendo que o medo tem medo da alegria, aprendemos com Jesus a essência da verdadeira alegria e a necessidade de evangelizar com um sorriso.
Podes obter o material utilizado no retiro no Blog da JEF (http://jefsfrjs.blogspot.com/), assim como podes ver algumas das fotografias e vídeos no Facebook (http://www.facebook.com/juventudeeucaristicafranciscanada Juventude Eucarística Franciscana."




sexta-feira, 22 de junho de 2012

XII Domingo Comum B - S. João Batista


Naquele tempo, chegou a altura de Isabel ser mãe e deu à luz um filho. Os seus vizinhos e parentes souberam que o Senhor lhe tinha feito tão grande benefício e congratularam-se com ela. Oito dias depois, vieram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. Mas a mãe interveio e disse: «Não, Ele vai chamar-se João». Disseram-lhe: «Não há ninguém da tua família que tenha esse nome». Perguntaram então ao pai, por meio de sinais, como queria que o menino se chamasse. O pai pediu uma tábua e escreveu: «O seu nome é João». Todos ficaram admirados. Imediatamente se lhe abriu a boca e se lhe soltou a língua e começou a falar, bendizendo a Deus. Todos os vizinhos se encheram de temor e por toda a região montanhosa da Judeia se divulgaram estes factos. Quantos os ouviam contar guardavam-nos em seu coração e diziam: «Quem virá a ser este menino?». Na verdade, a mão do Senhor estava com ele. O menino ia crescendo e o seu espírito fortalecia-se. E foi habitar no deserto até ao dia em que se manifestou a Israel». (Lc 1, 57-68.80)

Caros amigos e amigas, do silêncio de Zacarias e da esterilidade de Isabel nasce a última palavra profética da antiga Aliança e o percursor daquele que fecunda a vida.

Da mudez ao louvor
Desde que recebera a mensagem do anjo no templo Zacarias permanecera mudo. Ficara incrédulo e silencioso diante do surpreendente anúncio do nascimento de um filho, porque as leis da natureza já não o consentiam. Talvez tenha ficado mudo para, em silêncio, contemplar a acção de Deus, na sua família e na história do seu povo.
Zacarias só reencontra a sua voz quando se torna pai e lhe nasce o filho. Regressa à palavra só quando um novo amor o solta das fronteiras obsoletas e dos pensamentos arcaicos. Recomeça a falar quando a sua própria vida gera uma nova vida. Então inicia a louvar e a bendizer: Bendictus, que é a oração que a Igreja repete diariamente ao amanhecer. Zacarias reinicia a viver só quando a sua vida se abre ao dom!
Também nós reencontramos as palavras justas e boas quando nos tornamos pais, quando cuidamos e nos responsabilizamos pela vida, quando aprendemos a amar. A vida deixa de ser muda e silenciosa quando geramos um filho, um amigo, um irmão, um amor! De contrário as palavras tornam-se pedra, silêncio e aridez, que gelam e ensurdecem a vida.

Um nome grávido de futuro
A tradição hebraica, com o costume de impor o nome do pai ou de um antepassado, procurava assegurar nos bebés a continuidade com o passado. Ainda hoje o nome indica a pessoa, a pertença a uma família, a uma história. Define-nos! Contudo, João (=Deus abençoa) é um nome novo, estranho à tradição familiar. O seu nome não representa uma linhagem, mas um futuro inesperado. O filho de Zacarias e Isabel não terá o olhar voltado para o passado, mas estará fixo no futuro, naquele que há de vir.
Cada nascimento é um dom, uma dilatação do amor de Deus. Através do nosso nome, Deus não marca encontro connosco no passado, mas abre-nos para um futuro. A fé não consiste em perpetuar uma tradição, mas é uma relação a alimentar, uma aventura a percorrer, uma paixão a amar, um sonho a realizar!

“Quem virá a ser este menino?”
Todos os vizinhos ficaram admirados, bendizendo a Deus, com tão grande milagre realizado em Isabel e Zacarias. Depois de uma vida estéril ambos vêem o fruto de uma espera e de uma esperança.
A semente lançada à terra finalmente dá fruto! Tudo é estéril se o desejo de Deus não deixar em nós as suas pegadas. Quando Deus visita a nossa pobreza, o que era mudo torna-se voz! O imprevisível sonho de Deus é capaz de destruir a aridez vazia de um útero que não gera filhos e até a árvore mais velha do nosso coração, mesmo que seca, torna-se ainda capaz de dar fruto. Acreditar é deixar Deus irrigar a secura dos nossos velhos hábitos e palavras, é acolher o Espírito na nossa vida e viver com alegria o nome novo com que Deus nos chama e nos ama. Assim, caros amigos e amigas, nos preparamos à novidade do Evangelho.
VIVER A PALAVRA
O Senhor tem para mim uma missão! Quero traduzir, na minha vida, a Sua proposta de fidelidade.


REZAR A PALAVRA
Senhor, nada sai ao acaso das Tuas mãos,
ensinas a Palavra pelo silêncio, exaltas na humildade, preenches o vazio!
Senhor, Deus de amor, de esperança, de luz,
envias instrumentos, mensageiros, profetas, soldados da paz e do bem
que me ensinam o Teu amor, mostram a Tua luz e ecoam a Tua Palavra.
És bom, Senhor! Senhor da história, do tempo e do meu crescimento!

quinta-feira, 14 de junho de 2012

XI Domingo Comum B


Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «O reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. Dorme e levanta-se, noite e dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como. A terra produz por si, primeiro a planta, depois a espiga, por fim o trigo maduro na espiga. E quando o trigo o permite, logo se mete a foice, porque já chegou o tempo da colheita». Jesus dizia ainda: «A que havemos de comparar o reino de Deus? Em que parábola o havemos de apresentar? É como um grão de mostarda, que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes que há sobre a terra; mas, depois de semeado, começa a crescer e torna-se a maior de todas as plantas da horta, estendendo de tal forma os seus ramos que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra». Jesus pregava-lhes a palavra de Deus com muitas parábolas como estas, conforme eram capazes de entender. E não lhes falava senão em parábolas; mas, em particular, tudo explicava aos seus discípulos. (Mc 4, 26-34)

Caros amigos e amigas, as parábolas do reino servem-se de uma “teologia dos meios pobres” para ajudar a entender o mistério de Deus. Hoje, o Evangelho fala-nos da vida que como semente nasce nua, pequena, indefesa… Mas, ao mesmo tempo, revela a força secreta de um tesouro maior.

“O reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra”
Nada há mais frágil no mundo do que uma semente e, no entanto, nada há de mais repleto de futuro. Esquecida num terreno, sem grandes sinais exteriores e mesmo escondida, a semente tem o potencial de realizar milagres e prodígios.
Até parece que Deus não tem pressa: tudo procede lentamente como a germinação e os ritmos próprios da vida e das sementeiras. A parábola fala-nos de inícios que florescem na mão de Deus. Ele é o grande semeador e não teria atirado a semente se não estivesse confiante que, apesar de todos os obstáculos e riscos, aqueles grãos produziriam fruto. Jesus é a semente do Pai, núcleo incandescente de perfumes e frutos de primavera, força de amor, capaz de quebrar a crosta árida de corações ressequidos.
Mesmo pensando que Deus dorme, se encostarmos o ouvido ao coração da vida, ao pulsar do mundo, ouvimos como na noite da ressurreição o rolar profundo de pedras deslocadas, como o rodar da pedra do túmulo de Cristo, e ouvimos milhões de sementes que abrem, movem, e atravessam a fronteira da vida. O sorriso de uma criança, um gesto de perdão, um beijo de amor, uma prece de fé… são gérmenes, entre tantos outros, de uma vida nova. O reino de Deus cresce através do nosso invisível quotidiano!

“É como um grão de mostarda”
O grão de mostarda diz-nos que o Reino é feito de coisas simples, sem aparências nem grandes barulhos, sem preocupações de aplausos e imagens.
Podemos pedir milagres a Deus, que Ele oferecer-nos-á sempre um punhado de sementes. Sementes que mudam a vida por dentro, no essencial e fundamental, descurando retoques provisórios e externos. Porque mesmo a mais pequena semente possui a força secreta da verdade, da bondade e da beleza.
Também nós somos semente de Deus, a semente que o semeador lançou às mãos cheias para que a terra floresça. Mais ainda, tu és a semente que Deus colocou no campo da minha vida para que ela seja mais bela e frutuosa. E, neste encontro de sementes, muita sombra e muito fruto há para dar.

Sementes de ressurreição
Em vez de denunciar sempre a tristeza dos tempos, em vez de lamentar-se que a fé está em crise, em vez de ter saudades do passado,… ocorre cultivar uma confiança nova na força escondida dentro dos pobres e pequenos sinais do Reino. É que a nossa vida e a nossa história estão grávidas de ressurreição. Em vez de sempre nos escandalizarmos das ervas ruins, em vez de criticarmos os pregadores da desgraça, lancemos nós na nossa eira sementes que façam brotar a vida.
Pois tudo é um dom incompleto: o amor, as pessoas, as qualidades… Cada pessoa é semente de outra pessoa. O hoje é semente do amanhã. Tudo está em caminho: o rebento para a flor; a flor para o fruto; o fruto para a semente; e esta para a terra. E, nós mesmos, somos passos pequenos no caminho para Deus, doces frutos para os outros. Assim, caros amigos e amigas, se semeia de mãos abertas o Evangelho!

VIVER A PALAVRA
Vou confiar tanto no Senhor, ao ponto de esperar d’Ele o que nem consigo imaginar.

REZAR A PALAVRA

Admirável semeador, hoje encanta-me a simplicidade do teu inefável milagre!
Esse Teu olhar que forja sonhos de grandeza sobre a minha impotente pequenez;
Esse olhar que descobre possibilidades para lá da textura rude da minha aparência;
Esse olhar soberano que engendra vida, na manifesta secura das minhas horas.
Tu o agricultor mais ousado e mais paciente, o mais determinado e o mais tolerante:
Abandono-me às Tuas mãos... semear-me em Ti, crescer de Ti e frutificar para Ti.
Ser Tua semente e sementeira e semear também a riqueza com que me fecundas!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

X Domingo Comum


Naquele tempo, Jesus chegou a casa com os seus discípulos. E de novo acorreu tanta gente, que eles nem sequer podiam comer. Ao saberem disto, os parentes de Jesus puseram-se a caminho para O deter pois diziam: «Está fora de Si». Os escribas que tinham descido de Jerusalém diziam: «Está possesso de Belzebu», e ainda: «É pelo chefe dos demónios que Ele expulsa os demónios». Mas Jesus chamou-os e começou a falar-lhes em parábolas: «Como pode Satanás expulsar Satanás? Se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino não pode aguentar-se. E se uma casa estiver dividida contra si mesma, essa casa não pode durar. Portanto, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não pode subsistir: está perdido. Ninguém pode entrar em casa de um homem forte e roubar-lhe os bens, sem primeiro o amarrar: só então poderá saquear a casa. Em verdade vos digo: Tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e blasfémias que tiverem proferido; mas quem blasfemar contra o Espírito Santo nunca terá perdão: será réu de pecado para sempre». Referia-Se aos que diziam: «Está possesso dum espírito impuro». Entretanto, chegaram sua Mãe e seus irmãos, que, ficando fora, O mandaram chamar. A multidão estava sentada em volta d’Ele, quando Lhe disseram: «Tua Mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura». Mas Jesus respondeu-lhes: «Quem é minha Mãe e meus irmãos?». E, olhando para aqueles que estavam à sua volta, disse: «Eis minha Mãe e meus irmãos. Quem fizer a vontade de Deus esse é meu irmão, minha irmã e minha Mãe». (Mc 3, 20-35)

Caros amigos e amigas, há uma estranha aliança entre os familiares de Jesus e os escribas para bloquear a pregação do Evangelho. Contudo, o Mestre não se deixa aprisionar e abre caminhos novos, ao encontro da sua família que é a humanidade.

“Está fora de Si”
Todos o conheciam bem após 30 anos em Nazaré. Aprendera a profissão com o pai, José, homem de confiança. E as mulheres alegravam-se com Maria, sua mãe, quando se encontravam na fonte. Todos se recordavam das brincadeiras e traquinices do pequeno Jesus e se encantavam, com a sua presença interessada e atenta, na sinagoga. Juntos formavam uma família honrada e respeitada. Agora, sem dúvida, os seus parentes sofriam. Pobre José que lhe deixara a carpintaria para poder formar a própria família… Folias da juventude, terá exclamado algum vizinho. Maria, ainda que escondesse as penas, alimentava uma semente de confiança. O filho feito vagabundo, fora de si, anunciava um mundo ao contrário, diverso, com um Deus amigo e próximo, como um Pai!
Na verdade, toda a vida de Jesus se passa “fora”: nasce fora da própria aldeia, até mesmo fora de casa, e é visitado por Magos vindos de fora; morre crucificado fora das portas de Jerusalém e, na manhã de Páscoa, sai fora do sepulcro! Toda uma vida fora e, ao mesmo tempo, à procura dos que estão fora, dos que estão longe dos enquadramentos e parâmetros pré-estabelecidos.

“Está possesso de Belzebu”
Era inadmissível a atitude de Jesus e até perigosa. Advogado dos marginalizados, daqueles que não contam, simpatizante de prostitutas e gente de pouco respeito, sublevador de multidões… Uma vida que incomodava os poderosos e os bem pensantes. Daí a terrível acusação: possesso de um espírito demoníaco!
Todavia, “tudo será perdoado”. Consoladora e grávida de esperança a declaração de Jesus! Nada há de irremediavelmente perdido para o Senhor da vida, qualquer que seja o passado de pecado e de morte que tenha desfigurado a beleza original da nossa semelhança e familiaridade com Deus. O que não se perdoa é a perversão do significado dos milagres atribuindo a satanás o que é de Deus. Estranha doença da alma que nega o amor do Espírito, adulterando a fonte da vida, subvertendo a alegria da família em solidão.

“Quem fizer a vontade de Deus é meu irmão, minha irmã, minha Mãe”
Admirável e bendita genealogia divina que, “passando o olhar para aqueles que estão à sua volta”, rompe fronteiras e constrói uma nova arquitectura do mundo. A família de Jesus é fruto do seu olhar de amor, da escuta da sua Palavra, da partilha do seu Pão, de uma vivência. Ser de casa! Ser dos seus! Não por tradição, mas por pender dos seus lábios, por alimentar-se da sua presença, por ampliar o coração à sua medida!
Jesus não faz um apelo à desagregação da família, mas convida à dilatação da família, mais ampla daquela de carne e de sangue, além dos limites da casa, dos laços familiares, sociais ou religiosos, multiplicando o coração, retribuindo em centenas de irmãos, porque em cada pessoa há um fragmento de Deus. A família de Jesus ultrapassa os nossos sonhos. Deus é sempre excessivo, exuberante, muito para além dos nossos pensamentos e sacristias, até da fragilidade da nossa vida. Porque se o amor não for excessivo não é amor! E a única resposta é o excesso de amor.
Caros amigos e amigas, acolher este Jesus que conhece portas abertas além dos laços que aprisionam, e indica oceanos vastos e horizontes infinitos, é abrir o coração à vastidão e beleza do Evangelho!

VIVER A PALAVRA
Quero entregar ao Senhor a integridade da minha vida, na obediência à Sua vontade.


REZAR A PALAVRA
Senhor, estás mesmo fora de Ti, porque aceitaste fazer parte de mim.
Arriscas vir ao encontro da minha débil entrega e fazer caminho comigo.
Senhor, estás fora de Ti, porque encarnas permanentemente na minha história.
Arriscas experimentar as vicissitudes do meu tempo e da minha estrada.
Quero fazer da minha vontade a Tua, do meu desejo o Teu.
Quero fazer parte de Ti, da Tua família, meu Senhor e meu Deus!

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Santíssima Trindade B


Naquele tempo, os onze discípulos partiram para a Galileia, em direcção ao monte que Jesus lhes indicara. Quando O viram, adoraram-n’O; mas alguns ainda duvidaram. Jesus aproximou-Se e disse-lhes: «Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. Ide e ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».

Caros amigos e amigas, a festa de hoje fala de um Deus que é comunhão, relação, família: Pai, Filho e Espírito são os três protagonistas do único rosto de Deus. Este grande mistério do amor, sem termos a pretensão de o dominar ou explicar, é para acolher amorosamente.

Deus é família
Para uns, Deus é simplesmente algo de misterioso e sobrenatural. Para outros, é um velhote de barbas brancas sentado à janela do paraíso, distante e isolado do nosso mundo, quase um sem abrigo e sem família, que pede ao homem para o fazer sair da sua eterna solidão. Para outros ainda, é uma ilógica equação matemática (1+1+1=1). Porém, Deus não é uma definição, mas é vida, caminho, experiência. Deus não se explica, mas ama-se, reza-se, experimenta-se, vive-se.
Deus não é um abismo de solidão, mas é amor que não se fecha no segredo dos deuses. Deus é festa, família, dança, relação, dom. Por Jesus sabemos que o único rosto de Deus, o verbo amar, se declina em três pessoas. São três pessoas que se amam totalmente que, nós de fora, vemos apenas um, como se fosse um oceano de amor. Cada pessoa desaparece na outra. Só quando nos aproximamos é que experimentamos a diferença do Pai, do Filho e do Espírito.
Deus é comunidade de vida e de amor de pessoas, que vivem e convivem, existem e subsistem eternamente na doação recíproca e voluntária, numa comunhão perfeita e plena de vida e amor. Deus é, ao mesmo tempo, em si mesmo, Aquele que ama, o Amado e o Amor.

Paradoxo do amor
O amor tem uma aparente contradição: por amor, cada pessoa se dá e se perde, para se encontrar e realizar na outra pessoa. Deus Pai “esquece-se” e desaparece da sua glória divina para aparecer na fragilidade humana do Filho. O Filho “esquece-se” de si, na fragilidade de um Amor que se aniquilou até à Cruz, tal era o “fraquinho” do Amor de Deus por nós, para revelar o Pai. O Espírito “esquece-se” de si e esconde-se na brisa, para abraçar o Pai e o Filho.
Este é também o modo de ser de Deus para connosco: Ele morre para nos fazer viver; Ele apaga-se para nos fazer brilhar; Ele diminui-se para nos engrandecer; Ele oculta-se para nos fazer aparecer; Ele parte para nos dar o lugar; Ele afasta-se para nos responsabilizar. De Deus aprenderemos sempre a viver com os outros, para os outros e graças aos outros. É isso viver na comunhão com o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

A dança do amor é sempre plural
O amor nunca é exclusivo, mas é sempre sem medida, ilimitado, multiplicativo. Amar é viver de Deus! É viver daquela relação que nos amou primeiro.
Ensinar a arte do amor, mostrar como o evangelho se torna vida, aprender que as pessoas não vivem sem as outras, ou contra as outras, ou acima das outras, mas que vivem com as outras, para as outras, vivificadas nas outras, é iniciar a compreender o mistério trinitário da família divina.
Caros amigos e amigas, vivei o amor, ensinai a amar, assim como se ensina uma arte que se conhece, uma estrada que abre novos horizontes, algo que já todos aprendemos porque já o recebemos de Deus. Porque isso é Evangelho!

VIVER A PALAVRA
Vou guardar um tempo especial da minha semana para contemplar e adorar o mistério da Trindade.

REZAR A PALAVRA

Deus Pai, fonte de amor, de onde amorosamente mana a minha existência,
dedico-te a interpretação da minha vida, na íntima canção de ser obra Tua!
Concede-me a consciência de que permaneço no regaço da Tua paternidade.

Deus Filho, plenitude onde se consuma a minha humana peregrinação,
recebe o caudal da minha entrega,e a imensa sede que te deseja e te procura.
És a bússola e o norte, mantém-me em rota, na turbulência dos espaços.

Deus Espírito Santo,segredo que me confirma e a minha identidade revela,
entrego-me ao teu desígnio, exponho-me à Tua admirável fecundidade.
Molda-me, oleiro divino, amassa-me, faz-me de novo, até à arte em que te revejas.