terça-feira, 4 de setembro de 2012
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
XII Domingo Comum B
Naquele tempo, reuniu-se à volta
de Jesus um grupo de fariseus e alguns escribas que tinham vindo de Jerusalém. Viram
que alguns dos discípulos de Jesus comiam com as mãos impuras, isto é, sem as
lavar. – Na verdade, os fariseus e os judeus em geral não comem sem ter lavado
cuidadosamente as mãos, conforme a tradição dos antigos. Ao voltarem da praça
pública, não comem sem antes se terem lavado. E seguem muitos outros costumes a
que se prenderam por tradição, como lavar os copos, os jarros e as vasilhas de cobre
-. Os fariseus e os escribas perguntaram a Jesus: «Porque não seguem os teus
discípulos a tradição dos antigos, e comem sem lavar as mãos?». Jesus
respondeu-lhes: «Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está
escrito: ‘Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de
Mim. É vão o culto que Me prestam, e as doutrinas que ensinam não passam de
preceitos humanos’. Vós deixais de lado o mandamento de Deus, para vos
prenderdes à tradição dos homens». Depois, Jesus chamou de novo a Si a multidão
e começou a dizer-lhe: «Escutai-Me e procurai compreender. Não há nada fora do
homem que ao entrar nele o possa tornar impuro. O que sai do homem é que o
torna impuro; porque do interior do homem é que saem as más intenções: imoralidades,
roubos, assassínios, adultérios, cobiças, injustiças, fraudes, devassidão,
inveja, difamação, orgulho, insensatez. Todos estes vícios saem do interior do
homem e são eles que o tornam impuro».
Caros amigos e amigas, a Palavra
deste Domingo continua a viagem pelo tema da refeição, que nos tem acompanhado.
Desta vez, ressaltam aspectos de “etiqueta” que Jesus aprofunda através da
higiene espiritual que devemos cuidar.
Conforme
a tradição dos antigos
Todas as
cerimónias requerem os seus rituais que procuram dar sentido à essência do que
se celebra/festeja em comum. Os fariseus e os judeus eram zelosos dessas
tradições, ao cumprirem fielmente os costumes prescritos. O facto de alguns dos
discípulos de Jesus comerem com as mãos impuras, sem as lavar, violava a
tradição e, por isso, tal desleixo questiona os fariseus. Os discípulos tinham
aprendido de Jesus que Deus não é um burocrata caprichoso, mas um Pai que recebe
feliz a espontaneidade e a fantasia do amor.
Na
realidade, a tradição pode aprisionar-nos quando a meta é o cumprimento do
ritual e não a essência da celebração. A tradição, os costumes, mais do que
obrigação, devem ser caminho para o encontro com Deus e com os irmãos. Quando
isso não acontece, urge redireccionar o caminho para o centro, o núcleo em
torno do qual gravitamos. Cristo não viola a lei, coloca sim o foco no coração
do homem e não em rituais exteriores.
Coração longe de
Deus
Um
coração preocupado com o tempo, os protocolos, as “etiquetas”, as tradições e
os costumes, acaba por se distanciar de Deus. No banquete com o Senhor deve
bastar-nos a Sua presença. Quantas vezes nos prendemos nos julgamentos do que
se faz e deve fazer, do que não se fez e se devia ter feito, e esquecemos o
encontro verdadeiro, livre, humilde, simples com Ele. Afinal, é por Ele que
estamos e caminhamos, ou para simplesmente cumprir a lei? Será vão o nosso
culto, sempre que não centramos o nosso coração em Deus e nos deixamos prender
por aspectos superficiais. A nossa evangelização não passará de uma propaganda vazia
ou de uma obrigação pesada, sempre que colocarmos no centro as actividades e os
métodos. “O nosso programa é Jesus Cristo” (João Paulo II).
O que
sai do homem é que o torna impuro
Não são
poucas as vezes que justificamos as nossas falhas com as falhas dos outros. Se
Cristo não me habita, o meu coração será impuro, as minhas mãos impuras, os
meus actos impuros. Pode a vida provar-nos com a cruz mais pesada e difícil,
mas ao permanecer em Cristo, seremos perfume do seu amor, fragrância do seu
coração manso e humilde. Semeamos o que deixamos que o Senhor lance no nosso
coração. Cuidemos a nossa higiene espiritual na Eucaristia fonte de graça e
alimento e na Penitência abraço regenerador. As nossas mãos estarão puras
quando deixarmos que seja Deus a agir em nós. O nosso coração estará nele,
quando o nosso olhar contemplar o amor maior.
A
verdadeira e única tradição dos cristãos é o amor. Jesus ensina-nos a amar, a
permanecer em Deus, a cuidar um coração puro e disponível, a viver a Boa Nova,
o Evangelho!
VIVER
A PALAVRA
Quero centrar
o coração no Senhor e farei por encaminhar tudo para o encontro com Ele.
REZAR A PALAVRA
Senhor… perdoa-me o movimento maquinal dos lábios, as orações
vazias,
poluídas de superstições... o resíduo do coração que se perdeu pelos
caminhos.
Perco o fogo da minha entrega nas camadas de burocracias que me
enredam.
Hoje quero oferecer-te a vida inteira, sorridente, liberta das
peias do legalismo.
Quero que os rituais sejam dinamismo, marca requintada do meu
genuíno amor,
que os sinais sejam condimento à beleza da peregrinação até à
tua suma Beleza!
Quero passar além dos sinais, percorrendo-os na avidez de chegar
a Ti!
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
XXI Domingo Comum B
Naquele tempo, muitos discípulos,
ao ouvirem Jesus, disseram: «Estas palavras são duras. Quem pode escutá-las?». Jesus,
conhecendo interiormente que os discípulos murmuravam por causa disso,
perguntou-lhes: «Isto escandaliza-vos? E se virdes o Filho do homem subir para
onde estava anteriormente? O espírito é que dá vida, a carne não serve de nada.
As palavras que Eu vos disse são espírito e vida. Mas, entre vós, há alguns que
não acreditam». Na verdade, Jesus bem sabia, desde o início, quais eram os que
não acreditavam e quem era aquele que O havia de entregar. E acrescentou: «Por
isso é que vos disse: Ninguém pode vir a Mim, se não lhe for concedido por meu
Pai». A partir de então, muitos dos discípulos afastaram-se e já não andavam
com Ele. Jesus disse aos Doze: «Também vós quereis ir embora?». Respondeu-Lhe
Simão Pedro: «Para quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós
acreditamos e sabemos que Tu és o Santo de Deus».
Caros amigos e amigas, o texto de
hoje desfecha o resultado do longo “discurso do Pão do Céu”. Este, à primeira
vista, parece um fiasco e a declaração final de Pedro apenas um “sucesso
residual”. Mas Jesus conhece bem a linguagem da semente. Falou em pão, fez
sementeira e… as sementes são sempre pequeninas!
Um discurso
escandaloso
Um
qualquer pregador esperaria aplausos e gestos de aprovação; Jesus leva com uma
razia de protestos.
Estas
palavras impopulares desfalcam o grupo dos que se diziam discípulos. E, porém,
não vemos aqui um Mestre prostrado em lamentos. Jesus não está apostado num
recrutamento de fãs superficiais, mas na sementeira árdua de discípulos. Ele não
fala com “paninhos quentes” para camuflar a exigência; a Verdade, que é Ele
mesmo, não ondula ao sabor das nossas pressões, nem se define por sondagens à
opinião pública. Jesus não busca a nossa admiração, o nosso louvor, o nosso trabalho,
um desempenho impecável… nem sequer a nossa, às vezes vaidosa, virtude; Jesus
busca-nos a nós a fim de permitirmos ao Pai que complete em nós a obra da
criação. E esta obra vai muito além da “carne” até à vida eterna. Jesus é
aquela Palavra eterna, criadora, proferida pelo Pai, que, mediante a fé, dentro
de nós desenvolve a gestação do “homem novo”.
Amigos e
amigas, precisamos de definir muito bem onde estamos e, se estamos com Ele,
temos de aceitar a ferida da sua Palavra que nos desinstala e nos abre um
caminho muito claro de conversão.
Também
vós quereis ir embora?
Esta
pergunta é, ao mesmo tempo, severa e doce; repreensão de força e pedido de
fraqueza. De força porque Jesus é o que É e não muda para nos “fazer o favor”.
Não é esse o seu modo de nos conquistar, com o suborno fácil ou com a cedência a
qualquer tipo de chantagem. Esta pergunta é também uma manifestação da fraqueza
do amor, que nos pede para reconsiderar a ruptura com Ele. É que Ele, decididamente,
não quer que partamos, ardentemente nos quer junto de Si, pois sabe que sem Ele nada podemos fazer. Mas nós só
podemos estar com Ele se for de forma totalizante. Ele não quer discípulos em part-time. Dá-nos a liberdade de ir ou
ficar, mas tem o seu regaço aberto para nós, mortinho por nos franquear a sua
vida.
Ao fazer
esta pergunta directa e interpelante, imagino o olhar de Jesus, irradiante de
sedução. Era naquele mesmo olhar que o pescador Pedro tinha experimentado o mergulho
mais ousado da sua vida. Para alguns discípulos oportunistas, a oportunidade de
êxito temporal acabava ali. Mas Pedro já se tinha afundado naquele olhar e
sabia da vastidão que se agigantava para lá daquela superfície…
Para
quem iremos, Senhor? Tu tens … Tu és…
A
constatação de Pedro toca o fundo do coração do discípulo. Para além d’Ele não
há mais nada, não há mais ninguém; Jesus é a única meta que pode escolher
aquele que quer ir até ao fim. Ele é o único descanso que toda a inquietação
anseia encontrar. Ele é a beleza que encerra toda a beleza. Se eu tiver o seu
rosto a fulgurar ante os meus olhos, a energia do meu andar nunca esmorecerá;
se eu souber para que meta caminho, farei por corrigir os desvios dos meus
passos. Precisamos constantemente de olhar para Ele, centrar n’Ele toda a
ambição e as energias da vida. Precisamos de nos implantar no terreno da sua
Palavra, ganhar raízes até ao seu coração, para resistir a todas as enxurradas
de egoísmo! As palavras que apelidamos de duras, têm a firmeza do caminho
seguro, a consistência da rota certeira. Amigos e amigas, a Palavra é Ele, mas Ele
quer escrever-se em nós. Deixemos que, no papel da nossa existência, Ele imprima
a força e a beleza do Evangelho!
VIVER
A PALAVRA
Quero
conhecer melhor a Palavra de Deus que me dá vida!
REZAR A PALAVRA
Senhor, propões um caminho exigente, uma prova difícil, uma
fasquia bem alta.
São duras as tuas palavras, porque ferem a frieza e a dureza do
meu coração
e desinstalam o sossego estéril do meu sentir. Inflama a minha
carne
do teu Espírito, ajuda-me
a calar os ruídos que me impedem de te ouvir
e fortalece os músculos adormecidos do meu coração, para acolher
de ti
as palavras que me saciam e dão vida. A quem irei, Senhor, senão
a ti?
Ao fundo do teu colo...
A Pietà da Catedral de Bragança
José Tolentino Mendonça
| Carregas a nossa humanidade até ao fundo do teu colo As cidades íngremes por onde passamos, as sirenes empastadas de alarme, O peso do corpo anoitecido Não há árvore do horto de Deus que ao alto mais pura se eleve Mas é doloroso trabalho o do amor em que inteira brilhas Ó Mãe indefesa como um fogo Passas por nós devagar as mãos protetoras E o tempo desse amor transparente e íntimo torna brandas as tempestades em que nos consumámos Chovemos no teu regaço a nudez dos nossos sonhos tatuados a cinza trémula e a vazio Mas degrau a degrau, cambaleantes subimos Quando inclinas para nós o manto, espaço da visão aberta Consola-nos o abraço do teu silêncio em flor E a canção do teu sorriso nos reergue O milagre se faz ver no fruto do teu ventre Em ti começa a palavra prometida e plena Por isso festejamos a roda do teu colo José Tolentino Mendonça |
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
XX Domingo Comum B
Naquele tempo, disse Jesus à
multidão: «Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá
eternamente.
E o pão que Eu hei-de dar é minha
carne, que Eu darei pela vida do mundo». Os judeus discutiam entre si: «Como
pode Ele dar-nos a sua carne a comer?». E Jesus disse-lhes: «Em verdade, em
verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o
seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a minha carne e bebe o meu
sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia. A minha carne é
verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha carne e
bebe o meu sangue permanece em Mim e Eu nele. Assim como o Pai, que vive, Me
enviou e Eu vivo pelo Pai, também aquele que Me come viverá por Mim. Este é o
pão que desceu do Céu; não é como o dos vossos pais, que o comeram e morreram: quem
comer deste pão viverá eternamente».
Caros amigos e amigas, a Palavra
apresenta-nos uma dúvida dos judeus: Como pode Jesus dar-nos a sua carne a
comer? Cristo responde-nos com uma proposta: Eu sou o pão vivo... Nesta
refeição de fé, esperança e amor, somos convidados a sentar-nos à mesa e a saborear
o banquete que o Senhor nos prepara.
Se
não comerdes… e não beberdes… não tereis a vida
A pergunta dos judeus é também hoje a nossa: Como pode Ele dar-nos a sua
carne a comer?
Mas para Jesus tudo é claro, se não comermos a sua carne e não bebermos o
seu sangue morreremos, não teremos vida. Nele encontramos as vitaminas para o
caminho, os nutrientes do amor que nos protegem do individualismo, a essência
da esperança que nos fortalece nas noites escuras. Jesus não pede à multidão
que apenas o toque, ou o escute, que apenas o imite ou o siga, pede-lhes e
pede-nos que o comamos! Que comamos a sua carne, verdadeira comida, que penetremos
na sua humanidade e nos deixemos transformar pelo seu mistério. Convida-nos a
beber o seu sangue, verdadeira bebida, o sangue da entrega e do sacrifício por
amor. Só nesta refeição de fé, teremos a vida, a vida que não mais tem fim, a
vida eterna.
Quem
come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim e Eu nele
Fazer
parte desta refeição, abraça-nos de tal forma que deixamos de ser nós, para ser
Cristo a viver em nós. Este diálogo de amor derrete o nosso coração de pedra
que acabará por se fundir no coração de Cristo. Assim, comendo a sua carne e
bebendo o seu sangue, qual refeição mística e profética, permanecemos nessa
atmosfera de amor, que nos possui e liberta, que nos segura e impulsiona.
Permanecer
em Cristo é uma aspiração permanentemente insatisfeita. Saborear Cristo,
aumenta a nossa fome dele, porque nada mais nos pode dar a verdadeira vida.
Quem olha Cristo, fica viciado no amor, dependente da sua palavra, saudoso
permanente do seu Espírito. Permanecemos em Cristo, porque nos sentimos sós
quando, por qualquer motivo, nos afastamos dele. Permanecemos em Cristo, porque
ele permanece sempre connosco, nos espera, perdoa e abraça em seu colo
regenerador. Permanecemos em Cristo porque nada somos sem o seu sopro de vida
que nos inflama. Fora de Cristo, estamos fora de nós, desligados da única
verdade, da eterna vida, do reto caminho. Cristo é aquele que permanece e nos
convida a permanecer nele. A eucaristia realiza como sinal a nossa incorporação
em Cristo e nos irmãos. Não é possível permanecer em Cristo sem celebrar,
adorar e viver a Eucaristia.
Aquele
que Me come viverá por mim
Não podemos encerrar em nós o amor de Deus sem o difundir pelos outros
(D. Abílio Vaz das Neves). Não podemos calar tal prato delicioso que Deus nos
apresenta continuamente. Não podemos esconder tal tesouro que trazemos, mesmo
que, “em vasos de barro”. Aquele que come Cristo, não mais terá vontade
diferente da de Deus. Aquele que saboreou Cristo, abandonou-se em Seus braços e
deixou que fosse Ele a conduzir o barco. Aquele que bebeu a frescura de Cristo,
prostrou-se diante do mistério e deixou que a sua úncia certeza fosse o amor.
Viver por Cristo, é colocá-lo em primeiro lugar, nada antempor a Ele. Cristo
dá-se em alimento, presente que nos oferece a vida eterna, basta acolhê-lo e
deixar-se transformar pela vida que nunca acaba. E isso, caros amigos e amigas,
é Evangelho.
VIVER
A PALAVRA
Através
da participação na Eucaristia, vou deixar que Cristo tome conta da minha vida.
REZAR
A PALAVRA
Ó Deus, só tu sabes o que é a vida, pois és o autor vida, a ardente ambição da vida!
A revelação mais preciosa da vida é esta: quem te come viverá por ti!
Fonte originante, energia criadora, tens o sabor da eternidade e
a delícia do Céu;
quero viver dependente de ti, as raízes do ser fincadas no teu amor!
Não mais viverei sob o jugo de apetites, sob a ditadura das
coisas passageiras;
quero viver orgânicamente em ti, na comunhão do teu Corpo que é a Igreja.
Aceito o convite do banquete, pão amassado na entrega, vinho
destilado na Cruz;
quero viver só por ti e para ti, único que tens as coordenadas da minha plenitude.
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