terça-feira, 30 de outubro de 2012

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Grande entrevista


A Irmã Esperança, fez os seus Votos Perpétuos na Congregação das SFRJS no passado dia 30 de outubro. O Sementinha decidiu fazer-lhe uma grande entrevista que podes ler aqui na íntegra:

- CARISMA
SEM - De que forma é que a Irmã sentiu o apelo de Deus para a Vida Consagrada? E, mais concretamente na vivência deste carisma?

IRMÃ ESPERANÇA - O apelo de Deus para eu seguir a vida consagrada surgiu através da minha escuta interior, após ter testemunhado a profissão religiosa de uma irmã de uma outra congregação. Pois, o desejo de seguir Cristo pobre e obediente não foi fácil, isto é, passei por uma grande luta interior, nomeadamente no que diz respeito à inevitável separação dos meus familiares para ser acolhida numa outra família, a família espiritual. Assim, na vivência quotidiana deste carisma continua a cativar-me a adoração à santíssima eucaristia, uma vez que foi esse amor que me levou um dia a arriscar segui-Lo para anunciar o Seu Evangelho.

- VOTOS PERPÉTUOS
SEM - Nesta sua entrega ao chamamento de Deus, pensa que professar os votos perpétuos é continuar a acolher o projeto que Ele tem para si, na construção da sua felicidade, num sinal de entrega permanente?

IRMÃ ESPERANÇA - Nesta minha entrega ao chamamento de Deus, penso que professar os votos perpétuos não é mais que continuar a acolher com todo o entusiasmo o Seu projeto para mim num sinal de entrega total e permanente. É como fazer uma aliança com Deus, de dar uma resposta ao Deus-Amor, na tentativa de construir um mundo melhor tendo por base os interesses Dele e não os meus!


- MISSÃO/ EVANGELIZAÇÃO
SEM - Numa altura, em que se fala tanto na crise de valores na igreja e na sociedade, de acordo com a sua vivência pessoal como SFRJS, que opinião manifesta sobre o sentido de “ser cristão hoje”?

IRMÃ ESPERANÇA - Na minha vivência como SFRJS sinto que temos que lutar diariamente por este sim, que um dia dissemos, como se de uma campanha de vacinação se tratasse. Não devemos alegar a falta de tempo ou outras desculpas para darmos o nosso testemunho de vida e de fé para atrair os cristãos que possam andar perdidos dos caminhos do Senhor. Por isso, anunciar a Boa Nova deve sempre reger o nosso pensamento e o nosso coração mesmo para os cristãos de hoje.


- JOVENS
SEM - A menos de um ano das JMJ no Brasil, que gostaria de dizer, a nós jovens, no que respeita às diversas vocações, nomeadamente de que modo, é que a igreja nos poderá seduzir num mundo cheio de tantas tentações? No seu entender esta matéria é ainda um assunto tabu entre os jovens?

IRMÃ ESPERANÇA - Se olharmos para a juventude de ontem, e para a juventude do hoje podemos verificar que falar de vocação é falar de um desafio para eles. Esta temática pode ser um bicho de sete cabeças, se considerarmos em primeiro lugar a separação da família, da vida mundana e de tantas outras tentações, que a igreja não condena mas orienta para outras estradas… Porém, penso que na atualidade este assunto das vocações já não é tabu para a maioria dos jovens devido à informação que têm, no entanto, pode surgir no grupo de amigos um certo desconforto e falta de sensibilidade de acolher muitas vezes os jovens que decidem enveredar pela vida religiosa ou sacerdotal. Assim, porque não apelar à motivação dos jovens na entreajuda perante estas escolhas mais difíceis, se assim se poderá dizer, uma vez que não são tão comuns como o matrimónio, por exemplo.


- ORAÇÃO
SEM - Para concluirmos esta grande entrevista, qual é a sua opinião sobre a anorexia dos cristãos? Isto é, que impedimentos pensa existirem para que a maioria dos cristãos não alimente a sua fé, a sua espiritualidade, através da oração no quotidiano da sua vida pessoal e profissional?

IRMÃ ESPERANÇA - Penso que nos devemos alimentar da palavra de Deus, pois é Ela o verdadeiro alimento, para que não fiquemos doentes e possamos desta forma ficar anoréticos…Que a sua palavra venha curar as nossas fraquezas e nos faça crescer no bem fazer, nas boas obras, nas boas ações e na ajuda aos irmãos que mais precisam. Um dos impedimentos “à alimentação” da fé da maioria dos cristãos reside na fraqueza espiritual na oração, ou seja, há uma passividade quotidiana na dedicação pessoal e profissional a Deus por intermédio da oração.

XXX Domingo Comum B


Naquele tempo, quando Jesus ia a sair de Jericó com os discípulos e uma grande multidão, estava um cego, chamado Bartimeu, filho de Timeu, a pedir esmola à beira do caminho. Ao ouvir dizer que era Jesus de Nazaré que passava, começou a gritar: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim». Muitos repreendiam-no para que se calasse. Mas ele gritava cada vez mais: «Filho de David, tem piedade de mim». Jesus parou e disse: «Chamai-o». Chamaram então o cego e disseram-lhe: «Coragem! Levanta-te, que Ele está a chamar-te». O cego atirou fora a capa, deu um salto e foi ter com Jesus. Jesus perguntou-lhe: «Que queres que Eu te faça?». O cego respondeu-Lhe: «Mestre, que eu veja». Jesus disse-lhe: «Vai: a tua fé te salvou». Logo ele recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho.

Caros amigos e caras amigas, no início da vivência do Ano da Fé, esta cena surge-nos como uma oportunidade para aferirmos a nossa resposta ao dom e ao desafio do nosso batismo, é um convite à peregrinação, é uma interpelação à sede da luz…

…pedir esmola à beira do caminho
O texto começa por descrever a situação do pobre cego, imerso na passividade. Está parado, dependente e insuficiente. Está à beira do caminho, e ali podia continuar, assistindo ao rumor da multidão que passa, não lhe interessando quaisquer sons, senão o das moedas a tilintar na escudela. Podemos reconhecer-nos neste cego, parado e pedinte, porque sabendo nós bem como é preciosa a visão, não é tão óbvio atinar que tenhamos falta dela. Podemos até conviver bem com a cegueira, ancorados à noite, ou à fixidez dos nossos critérios, vivendo a vida que nos sobra dos outros, dependentes do que o movimento dos outros nos dita, abrigados sob a capa de tantas escravidões. A visão traz-nos desafios; levantar-nos e atirar com a capa, exige coragem!
Jesus caminha, o cego está à beira do caminho. É cego, mas um sentido ele tem: “ouviu”. “Ouviu dizer”, talvez também tenha ouvido caminhar. E àquele homem, que ouve e lê o som dos passos de Jesus, deixam de bastar as esmolas da terra, o caminhar dos outros e o negrume da noite. Tudo começa com a escuta atenta. Se ouvimos o som dos passos de Jesus, pode acontecer que o nosso coração comece a bater em uníssono com o seu ritmo caminhante. Jesus é o divino viandante que convoca a nossa capacidade de locomoção. Ele é Aquele que questiona a nossa inércia. Ele é Aquele que traz a luz e alvoroça a noite. Ele é o único que tem a meta!

Um grito e um salto
A decisão do cego move-se entre atitudes controversas com as quais também nos podemos identificar. Ordenavam-lhe que se calasse. Controlam a agenda de Jesus, fazem a triagem sobre quem deve ou não “incomodar” Jesus e quando. Mas todo o ser humano deve ter espaço para um grito e um salto que chegue ao céu. Se Jesus é Aquele que caminha sempre e que responde a uma urgência, Ele nunca leva pressa. A urgência de Jesus é cada um de nós, porque é a urgência do amor, a única urgência da vontade do Pai: salvar-nos, convidar-nos a fazer caminho. Jesus gosta de ser incomodado. A melodia de uma caminhada deve ser embelezada com pausas e com o contraponto de encontros, harmonizada com mediações. Jesus diz: “Chamai-o”… a divina delicadeza de nos fazer participantes dos seus milagres! Em cada um de nós Ele delega um detalhe da sua missão salvadora. Somos portadores da mensagem que é segredo da salvação. Não são os nossos gestos que salvam, mas têm a missão de apontar a salvação: “Coragem! Ele está a chamar-te”.

Vai: a tua fé te salvou
Mas o grito do cego não vai logo direto ao assunto, parece ser ambíguo: “Tem piedade de mim!” é um pedido que pode ter muitas leituras. Não queria ele a visão? Porque rodeia? O cego não apresenta a Jesus uma cegueira localizada, mas o complexo de cegueiras de todo o seu ser. É este o segredo da fé: lançar-nos por inteiro nas soberanas e sapientes mãos de Jesus. O cego não deu instruções de cura ao curador… mas confiou. Porém, bem sabia qual era o seu ponto fraco… Os milagres de Jesus são milagres porque demandam fé, uma confiante entrega. Não há automatismos. A fé é a porta que abre a salvação! Quando alguém recupera a vista não mais quer perder a luz, por isso o cego seguiu Jesus, seguiu a fonte da Luz.
Caros amigos e amigas, há homens e mulheres sentados à beira do caminho que leva a Jerusalém. A sede encardida à beira da fonte, os passos cativos à beira do caminho, os olhos vedados sob o calor da luz. E a interpelação da nossa fé tem de nos levar a ter e a dar coragem pois há um chamamento, há Evangelho!

VIVER A PALAVRA
Vou estar atento às passagens de Jesus pela minha vida mesmo quando me encontro à beira do caminho.


REZAR A PALAVRA
Senhor, sentado na berma da vida, aqui onde a história revela o meu nada,
grito a sede que me sufoca, pois não sei calar a necessidade que tenho de Ti.
Senhor, sentado à beira do caminho, aqui onde a sombra revela a solidão,
espero a luz que rompe a minha dúvida e ao procurar-Te sei-me procurado...
Quero ver-Te, Senhor, quero abraçar a vida, sentir a cor e saborear a luz!
Quero ver-Te, Senhor, quero deitar fora a escravidão e fazer caminho!