quinta-feira, 29 de novembro de 2012

I Domingo ADVENTO C




Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas e, na terra, angústia entre as nações, aterradas com o rugido e a agitação do mar. Os homens morrerão de pavor, na expectativa do que vai suceder ao universo, pois as forças celestes serão abaladas. Então, hão-de ver o Filho do homem vir numa nuvem, com grande poder e glória. Quando estas coisas começarem a acontecer, erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima. Tende cuidado convosco, não suceda que os vossos corações se tornem pesados pela intemperança, a embriaguez e as preocupações da vida, e esse dia não vos surpreenda subitamente como uma armadilha, pois ele atingirá todos os que habitam a face da terra. Portanto, vigiai e orai em todo o tempo, para que possais livrar-vos de tudo o que vai acontecer e comparecer diante do Filho do homem».

Caros amigos e amigas, a caminho do Natal, este primeiro Domingo do Advento coloca-nos perante a perspetiva de um Deus que “nasce” das entranhas do nosso quotidiano. É um Deus que não está longe, é o Deus connosco, o Emanuel.

Sinais no sol, na lua e nas estrelas
Este texto não é um manual de procedimentos perante catástrofes eminentes, nem um tratado científico sobre a finitude das forças cósmicas. É antes poema de amor de um Deus que semeia sinais de Si mesmo em todas as esquinas, que Se declara nas fontes de luz, que dança no firmamento e que nos convida a comparecer à sua presença, indicando-nos a segurança do caminho. Mas parece que o Senhor nem sempre tem hipótese de comunicar connosco! Andamos tão distraídos que nem ligamos aos sinais subtis que se derramam nos detalhes da trivialidade. Depois vêm alguns sinais mais “sonoros” e esses dão-nos medo. Geralmente, tudo o que sai do comum vem destabilizar. O ser humano “morre” de susto perante os “abalos” daquilo em que punha a sua segurança, daquilo que parecia estável. Quantas vezes nos atrofia o receio, quantas vezes o medo nos subjuga, quantas vezes a constatação da realidade nos paralisa e até as previsões do que ainda não aconteceu nos fazem sucumbir! Mas o susto não é coisa que mereça a nossa morte. O Senhor não quer que os seus discípulos sejam medrosos, daqueles que, perante os sinais, ficam paralisados pelo susto. Ele convida-nos a acolher os sinais, como leitores vigilantes…

Erguei-vos e levantai a cabeça
Não podemos continuar a pasmar, leais à ditadura de tantas constatações, refugiados no túmulo do pessimismo. Os leitores dos sinais de Deus são como terra que se deixa arar e semear por um presente recheado de possibilidades, são visionários de uma história fecundada pelo amor de Deus. Ele vem, porque Ele está. O título de Filho do homem proclama a sua admirável consanguinidade connosco, a sua solícita presença… a partilha de um poder e de uma glória só entendidas através de uma vigilância promovida pelo amor.
Erguer-se e levantar a cabeça é a atitude viva dos que não se deixam amarfanhar pelo susto. O ícone do Filho do homem é um sol que ilumina todas as realidades da vida, é a fonte de luz que não falha, é o sinal que nos sustém a esperança, que nos alimenta o sentido da caminhada. Jesus é o Deus-connosco, Aquele que recapitula em si o sonho de transpormos os nossos limites, é Aquele que guarda as coordenadas da nossa plenitude; Ele é a força subtil e imprevista que, entretanto percebida, tem poder para libertar a luz que dorme no resguardo do nosso medo.

Vigiai e orai em todo o tempo
O requisito mais eficaz para a vigilância é o amor. O vigilante nunca pode morrer de susto, pois aprende a ler os sinais. O vigilante não se torna pesado, subjugado pela realidade, atado pelas expectativas, mas é capaz de elevar as expectativas até à leveza da Esperança, pois vive com sentido… o vigilante tem os olhos abertos ao bem absoluto e, na massa da história, onde a dor e a fealdade se insinuam, ele distingue o que é decisivo, descortina o filão da Beleza e segue-a, desde a fonte até ao mar, ainda que na sua carne doam as feridas de um mundo corruptível.
A última frase do texto revela-nos a divina “astúcia” do Senhor que, decisivamente, o que pretende é preparar-nos e convidar-nos a “aparecer” diante d’Ele! Com que enlevo Ele deseja o nosso advento aos seus olhos, Ele prepara ardentemente o encontro! Amigos e amigas, vigiar a aparição do Senhor à nossa vida não é senão preparar a nossa aparição aos olhos d’Aquele que mais nos ama. E não é para amanhã. O fim do mundo não é amanhã; o que vigio é o constante hoje, o advento de Cristo para ser acolhido na minha vida. E isto é Evangelho!

VIVER A PALAVRA
Vou cultivar a atenção aos sinais da presença de Deus na minha vida.

REZAR A PALAVRA
Senhor, do meu coração pesado de quereres, preso por vontades e ferido pela agitação,
deixo brotar a simplicidade de uma lâmpada atenta aos Teus sinais.
Neles quero escutar o Teu vir e saborerar a Tua presença libertadora.
Senhor, na lama das preocupações do tempo, no cinzento da angústia solitária,
deixo brotar a coragem de um constante reerguer, contemplo o alto como meta
e aprendo a espera, na confiança de que desejas habitar-me e quebrar as cadeias.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

XXXIV Domingo Comum B - Cristo Rei


Naquele tempo, disse Pilatos a Jesus: «Tu és o Rei dos judeus?». Jesus respondeu-lhe: «É por ti que o dizes, ou foram outros que to disseram de Mim?». Disse-Lhe Pilatos: «Porventura eu sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes é que Te entregaram a mim. Que fizeste?». Jesus respondeu: «O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que Eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui». Disse-Lhe Pilatos: «Então, Tu és Rei?». Jesus respondeu-lhe: «É como dizes: sou Rei. Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz».

Queridos amigos, com a Solenidade de Cristo Rei, termina o Ano Litúrgico B, na certeza de que Cristo é o centro, o Rei Universal. Nele, somos convidados a escutar a Sua Palavra e a pô-la em prática, construindo um reino de paz e de bem. Neste domingo ingressemos com coragem num novo Reino, aquele que é proposto por Cristo Rei!

Tu és o Rei dos judeus?
Os caminhos de Deus, nem sempre são os caminhos do Homem. Celebramos a festa de Cristo Rei, com uma passagem da Paixão do Senhor. Pode, na eminência da morte, celebrar-se a realeza de alguém? No diálogo com Pilatos, o Senhor revela-se, ajuda-nos a tocar o Seu mistério e a acolher a verdade da Sua missão.
Jesus não quis ser rei. Não quis, nem quer mandar, apenas propor. Não quis, nem quer dominar, apenas servir. Não quis, nem quer subjugar, apenas ajudar a levantar. A realeza de Deus questiona os nossos modelos de poder. Ele não deseja ser um chefe político. Cristo quer apenas reinar no nosso coração, não como ditador, mas como amigo, irmão, companheiro de viagem.
Jesus é um Rei que lava os pés aos seus discípulos, que percorre as ruas para tocar os pobres e beijar os doentes. Jesus é a imagem do poder de Deus que escuta, ampara, consola e se dá…

O meu reino não é deste mundo
Pilatos quer saber o que Jesus fez para chegar a esta situação. Um rei, não pode ser entregue à morte, não pode permitir a mentira, a injúria, a dor...Também nós fazemos perguntas a Jesus, interrogamos a Sua forma de atuar. É aqui, na sede, na procura da verdade, que Jesus faz uma catequese sobre a Sua forma de reinar.
O reino de Jesus é diferente dos reinos deste mundo, está marcado pela verdade. Este reino não se identifica com os poderes triunfalistas que conhecemos, mas com os valores mais profundos do Evangelho.
A moeda deste reino é a gratuidade, a bandeira é o amor, o hino é o Evangelho e o exército é formado pelos humildes. As armas dão lugar aos braços para acolher, os muros transformam-se em pontes para unir. A diferença é estímulo para a comunhão e a linguagem comum é a força do Espírito.
Vale a pena pertencer a este reino, ser pedra viva de um templo sempre em construção.

Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz
Sim, Jesus é Rei, para isso nasceu e veio ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Propondo um reino diferente, Cristo Rei do Universo, é a verdade, a transparência do amor. Não uma verdade como ausência da mentira, mas a encarnação da essência de Deus amor.
Só os que estiverem abertos à verdade poderão acolher esta proposta de pertencer a um reinado diferente dos do mundo. Só os que estiverem abertos à verdade poderão escutar em profundidade a catequese criativa do amor que deseja construir em cada coração um altar. Só os que estiverem abertos à verdade, poderão entender a mensagem do Senhor que é Rei. Só estes farão parte do reino.
Não nos é indiferente este reino, num mundo cheio de propostas ditatoriais, mesmo que discretas. Ansiamos a fraternidade, pois compreendemos que as escadas do poder só separam e subjugam. Precisamos acreditar neste Rei manso e humilde de coração e crer que nasce já em nós esta semente do Reino.
A feliz esperança num Reino de amor, não pode ficar guardada nas gavetas da nossa vida pessoal como uma verdade passiva que não nos transforma. Urge sair para a rua, ser soldado do reino em que acreditamos e gritar a novidade do Espírito em cada gesto. Precisamos de mapa, de um guia, de uma norma para fazer parte deste reino? Procura o Evangelho e descobrirás a verdade!

VIVER A PALAVRA
Quero abraçar, de uma forma sempre nova, a causa do amor, bandeira do Reino de Cristo!


REZAR A PALAVRA
Senhor, Rei do amor que me abraça, mestre do perdão que me conforta, caminho para a santidade que procuro, verdade única que me sacia e vida abundante que não tem fim.
Senhor, Rei do amor que me transforma, fonte de sabedoria que anseio, modelo de
serviço e humildade, pastor atento que me guia e luz da história que constróis em mim.
Senhor, Rei do amor que me convida, força e certeza para o caminho, água e frescura
nas minhas sedes, grito de paz e de esperança. Senhor, Cristo Rei, quero ser teu servo!

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

XXXIII Domingo Comum B


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Naqueles dias, depois de uma grande aflição, o sol escurecerá e a lua não dará a sua claridade; as estrelas cairão do céu e as forças que há nos céus serão abaladas. Então, hão-de ver o Filho do homem vir sobre as nuvens, com grande poder e glória. Ele mandará os Anjos, para reunir os seus eleitos dos quatro pontos cardeais, da extremidade da terra à extremidade do céu. Aprendei a parábola da figueira: quando os seus ramos ficam tenros e brotam as folhas, sabeis que o Verão está próximo. Assim também, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o Filho do homem está perto, está mesmo à porta. Em verdade vos digo: Não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão. Quanto a esse dia e a essa hora, ninguém os conhece: nem os Anjos do Céu, nem o Filho; só o Pai».

Queridos amigos e amigas, atentos aos sinais do tempo, que nos conduz ao inverno, o Senhor convida-nos este Domingo a estar atento ao Sinal verdadeiro, a Cristo, como fonte de esperança e de luz que sempre permanecerá e terá a última palavra.

O sol escurecerá
A experiência de espera dos primeiros cristãos respira ansiedade e medo. Aspiram à implantação do ditoso Reino de que falava Jesus e aguardam a Sua vinda final. O discurso apocalíptico que encontramos em Marcos é reflexo dessas aspirações. Pelos sinais do sol, da lua e das estrelas, que deixarão de “cumprir” a sua missão, entendemos que chegará o momento em que já não haverá nem tempo nem espaço. Um dia, todos, acolheremos a vida definitiva que está para além do tempo e do espaço.
O fim do mundo não é um mito do passado. Também hoje continuamos a imaginá-lo, a defini-lo e até a marcar-lhe uma data. Basta estar atento à literatura e ao cinema, que, insistentemente, tentam apresentar esse inimaginável relato. Continua viva esta esta visão apocalíptica de origem judaica sobre o final da história, como uma destruição histórica, um desastre universal. Todas estas fantasias não são cristãs, caros amigos. O cristão não anseia pela destruição, mas vive na esperança da nova criação: Eu renovo todas as coisas (Ap 21, 5)

Hão-de ver o Filho do homem
No final está o decisivo começo, aguarda-nos o abraço de Deus, o Deus revelado por Jesus, o Deus que é Pai e Mãe. Um Deus que só quer a vida, a felicidade plena dos seus amados, de todo o ser humano. Tudo ficará nas suas mãos.
Não caminhamos para o vazio. No meio de sinais que, muitas vezes nem compreendemos, Jesus é o sinal de que o Verão está próximo. Jesus é o sinal de que o amor é maior. Jesus é o sinal de que Deus está bem perto, está em nós. O sol, a lua, as estrelas podem apagar-se, mas o mundo não ficará sem luz. Será Jesus a nossa única luz, que brilhará para sempre, sem tempo e sem espaço.
O centro da fé cristã é a espera. Não esperamos um acontecimento, ou uma coisa, mas uma pessoa. O verdadeiro cristão anseia pelo encontro com Aquele que tanto ama, e por quem dá a vida, Jesus Cristo. A última palavra deste caminho de procura não está no caos, na destruição, na solidão, mas em Jesus. Ele tem a última palavra.

As minhas palavras não passarão
Esquecemos, constantemente, a nossa fragilidade. Com frequência nos denominamos imortais. Parecemos sempre tão seguros, imutáveis, intocáveis que nada nos pode abalar. Mas basta a mais serena brisa nos surpreender, para de repente nos sentirmos frágeis e recordarmos a nossa finitude. Um dia, também não haverá mais tempo, nem espaço (como este), para nós. O que nos espera depois de tantas canseiras? Nós, cristãos, apoiamo-nos na certeza imutável da ressurreição de Jesus. Porque a última palavra é a do amor. Pode tudo passar, mas “o amor jamais passará” (1Cor 13).
Tenhamos a coragem da vigilância, de perceber os sinais que Deus coloca no caminho e que nos indicam apenas o amor. Tenhamos a coragem de experimentar um caminho de esperança e não de medo e destruição. Tenhamos a coragem de semear, no escuro do inverno, a cor do Evangelho que renova todas as coisas, porque cada hora é única!

VIVER A PALAVRA
Cultivarei uma vigilância perseverante sobre o curso da minha vida, assente numa total confiança em Deus.


REZAR A PALAVRA
Meu Deus, só Tu guardas o segredo do porvir, acendes o sol e fortificas as estrelas,
Tu és Aquele que segura os céus e tem as coordenadas dos ventos. Tu és o Senhor!
Meu Deus, imenso e próximo: confio o meu viver à tua omnipresente solicitude.
Tu és o único que me conhece, confio todo o meu ser à tua omnisciente bondade.
Tu és o meu Criador e meta, confio o meu querer à omnipotente força do teu amor.
O teu colo me mima, o teu perdão me regenera, a tua beleza me alinda: confio em Ti!

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

XXXII Domingo Comum B


Naquele tempo, Jesus ensinava a multidão, dizendo: «Acautelai-vos dos escribas, que gostam de exibir longas vestes, de receber cumprimentos nas praças, de ocupar os primeiros assentos nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes. Devoram as casas das viúvas, com pretexto de fazerem longas rezas. Estes receberão uma sentença mais severa». Jesus sentou-Se em frente da arca do tesouro a observar como a multidão deitava o dinheiro na caixa. Muitos ricos deitavam quantias avultadas. Veio uma pobre viúva e deitou duas pequenas moedas, isto é, um quadrante. Jesus chamou os discípulos e disse-lhes: «Em verdade vos digo: Esta pobre viúva deitou na caixa mais do que todos os outros. Eles deitaram do que lhes sobrava, mas ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver».

O Evangelho deste Domingo presenteia-nos dois quadros contrastantes que realisticamente ilustram modos distintos de apreender e se relacionar com Deus. De que lado estamos? Esta descoberta é um desafio.

Quem te avisa…
Perante o aviso de Jesus, com que o texto começa, podemos pensar: se ele diz “acautelai-vos” estará a advertir para algo que vem de fora, para o qual me devo precaver. Uma análise mais séria leva a adentrar-me pelas avenidas do meu ser e a descobrir esse escriba enterrado nas minhas motivações. Não será esse escriba o responsável por destabilizar a minha humildade e verdade face aos outros? Talvez seja ele o que coloca um verniz à frente da minha falta de autenticidade; talvez seja ele a ditar-me certas regras de competição desenfreada, de busca de atenções, de defesa dos “meus direitos”, de uma implacável indiferença perante os detalhes do irmão. Urge, então, localizar e denunciar esse escriba… E esse escriba provavelmente sou eu!
Não tenho hipótese de ludibriar Deus com a soma avultada do meu trabalho pelo seu Reino, com a incontável lista das minhas obras de piedade, com a sobra de palavras... Deus não se suborna com esmolas. O desafio que Jesus me deixa é o de converter a minha vida interior, num manancial a fundo perdido...

Veio uma pobre viúva
Mas a viúva pobre também nos vem causar problemas. Primeiro: que estranho este Deus que se compraz nos pobres, que simpatiza com os fracos! Teremos de passar pela penúria para que Ele se interesse por nós? Segundo: como pode ser elogiada a tremenda imprudência desta mulher que dá tudo o que tem? Ela vai agravar a crise humanitária, é mais uma na conta dos que têm de ser socorridos pela assistência social…
Há aqui qualquer cumplicidade entre ela e Deus que, à primeira, nos escapa. A nossa lógica é a independência… face a Deus e face ao outro. Não toleramos pensar que somos indigentes, que, de algum modo, dependemos dos outros, ainda que o Outro seja Deus. Gostamos muito mais de ser nós a dar esmolas, a mostrar, a ostentar… a deixar um débito na conta do outro e cobrar-lhe juros quando se proporcionar. No fundo batemos sempre na mesma tecla: queremos colocar-nos no lugar de Deus. A pergunta que temos de fazer é esta: qual é o nosso Deus? Ou seja, para onde encaminhamos a nossa confiança?

O que é dar?
Os ricos davam, a viúva deu? Na verdade, nós nunca damos nada. Tudo o que nos passa pelas mãos é pura gratuidade de Deus. Vivemos num ambiente em que tudo é (de) graça. Não se trata de deixar de lado o nosso esforço, nem de enveredar pela atitude passiva de quem acha que tudo se resolve por si. Trata-se de deixar fluir pelas nossas mãos a incomensurável riqueza de Deus que é nossa, mas é d’Ele. Trata-se de lhe dizer: confio em ti, e entrego-te aquilo que de ti recebo, o que tenho e sou; é na tua presença que me abrigo, é sob o teu horizonte que sonho, é da tua vida que me alimento é para o teu rosto que caminho.
Amigos e amigas, a viúva pobre é um perfeito ícone da nossa condição perante Deus. É pobre de bens e é viúva… pobre de relações. Ela é a expressão de uma pura dependência de Deus. Porque é Ele o sustentáculo das coisas que fruímos e das pessoas que amamos. É Ele Quem dá valor aos bens, e a beleza a tudo o que é belo. Só n’Ele integramos a profundidade e a verdade de nos amarmos. É Ele o único pelo qual podemos aferir a nossa gestão de bens e de relações. A oferta da viúva é tudo o que tem para viver, é a sua vida e ela manifesta um percurso claro para a sua vida: vem de Deus, vai para Deus, pois está em Deus. E isto porque… verdadeiramente tudo o que possuímos para viver é Deus. E isto é Evangelho!

VIVER A PALAVRA
Vou encontrar e praticar novas formas de humildade e de entrega total e incondicional, ao jeito de Jesus.

REZAR A PALAVRA

Senhor, no encontro de um sentir, na descoberta do Teu sonho para mim,
construo a minha entrega como resposta ousada de um crer, de um ofertar.
Quero oferecer-Te a minha vida; tudo o que sou, sinto e tenho é para Ti.
Cala os longos discursos do meu saber. Desfaz as convencidas teorias do meu
pensar. Desmorona as supostas certezas do meu agir. Anseio apenas
oferecer-me a Ti, confiar em Ti, crer em Ti, entregar-Te a minha vida.
Não quero, Senhor, dar-Te do que me sobra, mas desejo em tudo, dar-me a Ti!