sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

What is Advent? Gangnam Style!

IV Domingo ADVENTO C




Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».

Caros amigos e amigas, imediatamente antes do Natal, o texto de Lucas para este Domingo é uma peça preciosa, cheia de verbos dinâmicos… quase explosivos. O Advento é um tempo explosivo. Acendamos o rastilho, pois a explosão está tão perto!

Pôs-se a caminho… apressadamente
Se procurarmos um motivo para a pressa de Maria ficamos decepcionados ao encontrar a banalidade deste “saudou Isabel”. Percorreu tantos quilómetros para isto?! Maria desconcerta as nossas viagens de negócios, as nossas urgências megalómanas, com o valor aparentemente tão débil de uma saudação, de um sorriso, de um brilho do olhar, que merecem os maiores cansaços do caminho.
A pressa de Maria transporta a pressa de Deus. Depois de experimentar Deus que vem ao encontro da humanidade, Maria vai ao encontro da fragilidade de Isabel. Por intermédio de sua Mãe Santíssima, Jesus começa aquela que será a sua forma de vida itinerante, ao encontro do coração sedento do ser humano. Ele convida-nos a pôr-nos a caminho, cruzar com o outro a rota das suas lutas e cansaços, ser peregrino da sua dor, socorro da sua indigência, lenitivo da sua solidão, acender-se numa alegria inadiável: o Senhor está connosco! Como Maria, aquele que está habitado por Jesus não pode adormecer nas poltronas da indiferença, do comodismo ou do estatuto... leva Jesus até onde houver sede de Deus.

Entrou… saudou… ouviu… exultou… ficou cheia… exclamou
Que poderosa a saudação de Maria! O encontro com Deus provoca uma onda imparável... Estes verbos, palpitando de rajada, movimentados, rimados e rítmicos, embebidos de melodia, como que nos fazem dançar. Mães e filhos convidam-nos para este baile em que a música sublime é a alegria de Deus, que escorre do seu Amor e gera Vida. A abertura ao amor de Deus é o prodígio que sotura a distância entre estas duas mulheres separadas por quilómetros e por anos, fecunda os dois ventres aprisionados pela esterilidade, homologa dois testamentos com a assinatura da esperança. Caros amigos e amigas, celebrar o Natal é acolher o amor de Deus e deixar que ele nos fecunde e se faça vida em nós. Vida pronta para ser partilhada em palavras e em gestos concretos e gerar mais vida.
Maria é bem-dita, diz Isabel. Ela ensina-nos a fonte do elogio: a descoberta de que o outro é uma palavra bela de Deus. Experimentemos fazer elogios assim: o mundo ficará cheio de palavras belas.

Acreditou
Mais um verbo e este… tem todo o segredo. Não andamos tão afadigados à procura da felicidade? Ei-la!!! Tão fresca, ágil e segura! Maria é feliz porque acreditou. Este acreditar não se pode confundir com uma credulidade ingénua e imprudente. Maria é segura na confiança em Deus. Depois da anunciação, não se evade, não fica acabrunhada, rendida a elucubrações pessimistas sobre o que lhe podia acontecer. Não se vitima... assume, ergue-se. É uma mulher combativa, porque crente. Acreditar em Deus é um risco que exige valentia e intrepidez, pois o percurso muitas vezes tem de ser feito no meio da noite, entre desertos, com sabor a silêncio e a vazio, nas bordas do absurdo e do sem sentido. E eis que esta frágil menina, a quem um Anjo coloriu a vida de promessas improváveis, corre e deriva pelas montanhas, à procura de uma prima idosa e estéril! Grande fé... que sustentou tão bela história... A fé de Maria é um convite a superar as barreiras de cepticismo, as justificações que interpomos para que Deus escreva sua história em nós e por nós. Não temamos, porque a sua história em nós é Evangelho!

VIVER A PALAVRA
Vou saudar o irmão, consciente de que transporto em mim a semente de uma boa notícia.

REZAR A PALAVRA
Senhor, preciso saborear a maravilha do Tua notícia, para que os meus passos
de encontro sejam apressados e derrubem a apatia do meu comodismo espiritual.
Senhor, preciso de ouvir a alegria do Teu silêncio reconfortante,
para que o meu abraço de encontro seja puro e acolhedor.
Senhor, preciso contemplar a ternura do Teu estar comigo, para que o meu acreditar
seja fruto do encontro com a Tua Palavra. Senhor, preciso de aprender com Maria.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

III domingo ADVENTO C




Naquele tempo, as multidões perguntavam a João Baptista: «Que devemos fazer?». Ele respondia-lhes: «Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo». Vieram também alguns publicanos para serem baptizados e disseram: «Mestre, que devemos fazer?». João respondeu-lhes: «Não exijais nada além do que vos foi prescrito». Perguntavam-lhe também os soldados: «E nós, que devemos fazer?». Ele respondeu-lhes: «Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo». Como o povo estava na expectativa e todos pensavam em seus corações se João não seria o Messias, ele tomou a palavra e disse a todos: «Eu baptizo-vos com água, mas está a chegar quem é mais forte do que eu, e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias. Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo. Tem na mão a pá para limpar a sua eira e recolherá o trigo no seu celeiro; a palha, porém, queimá-la-á num fogo que não se apaga». Assim, com estas e muitas outras exortações, João anunciava ao povo a Boa Nova».

Caros amigos e amigas, neste Domingo da alegria a expectativa cresce e interroga-se: que fazer?

O povo estava na expectativa
É de todos muito próxima a experiência humana da expectativa. Esperar alguém, esperar algum acontecimento é diário. Estamos sempre em expectativa. Afinal, as pessoas do tempo de João Baptista são muito semelhantes às de agora. O tempo passa, mas a expectativa de algo novo que está para acontecer permanece. E ainda bem. Porque onde esta expectativa definha, é sinal que já se desiste da promessa de vida plena. Promessa que todo o homem transporta.
Assim sendo, em última análise, a expectativa assume cambiantes messiânicos. Eu espero a novidade da salvação, não a novidade da desgraça ou da catástrofe. Espero o novo repleto de vida. E nós, os cristãos, sabemos que esse novo não é um mero lugar, um outro ambiente, um sentimento, uma moda ou uma estratégia. Esse novo é uma Pessoa. É o Filho Eterno de Deus. É o rosto de Jesus Cristo. Ele, Homem Novo, é que gera lugares novos, ambientes novos, sentimentos novos, presenças novas. Diremos, tão antigos e tão novos, porque eternos.

Está a chegar
E, neste campo de permanente expectativa, joga-se a iminência da chegada. Pode, por isso, parecer cansativa tanta espera para tão pouca recepção. Resta saber para quem é mais cansativo, se para nós, se para Deus. Vale-nos que Deus não se cansa de salvar a humanidade. Ele já chegou à vida de muitos, é um facto. Ele está a chegar à vida de todos, é a garantia da Palavra, hoje. E cada um de nós? Onde se situa? Aborrece-se pela ausência de recepção? Que recepção presta Àquele que está a chegar? Que preparação constrói? Que Advento concebe?

«Que devemos fazer?»
No tempo de João, a recepção, o advento da vinda do Messias surge orientado por este pedido: «Que devemos fazer?». Foi a pergunta colocada pelas multidões, por alguns publicanos e pelos soldados a João Baptista. Ou seja, afeta multidões anónimas, mas também rostos bem específicos. Todos se inquietavam. Que devemos fazer para acolher bem Aquele que está a chegar? Que devemos fazer para sermos coerentes com a nova realidade que está prestes a começar? E João, saciado da novidade de Deus, anunciador já da Boa Nova que está a chegar, diz: «Reparti». Esta é a única ação segura e necessária aos novos dias que se aproximam. Repartir, partilhar, como Deus. Segundo o fazer criador de Deus.
Esta pergunta, que atinge a todos, trespassa toda a história e toda a nossa história. Há sempre momentos críticos, que nos exigem a decisão, o milagre da partilha, do amor em ação. No fundo, é isso que Jesus nos ensina, quando, em cada Eucaristia, se reparte a Ele mesmo na fração do Pão. No fundo, é este o cerne de qualquer vocação. O que tenho de fazer? Para quem hei-de fazer?
Caros amigos e amigas, aqui, na partilha de nós mesmos e de quanto temos, na vivência da vocação, radica a alegria de muitos, a nossa alegria, a alegria de Deus, que renovando-nos com o Seu amor, exulta de alegria por nossa causa (Sf 3, 17). É preciso fazer o amor que renova e que alegra. E isto é Evangelho!

VIVER A PALAVRA
Vou descobrir, no concreto, como repartir-me para melhor acolher.


REZAR A PALAVRA
Senhor, Mestre que aguardo e desejo abraçar em meu inquieto coração:
Que devo fazer neste caminhar de interrogações, onde a única certeza parece ser a dúvida?
Que devo fazer neste sombrio e limitado horizonte do ser, onde o vazio me destabiliza?
Que devo fazer nesta procura de sentido, onde a espectativa me cansa e estimula?
Se a Tua resposta é o repartir, que me impede de abrir as mãos para me dar?
Se a Tua resposta é acolher, que me impede de abrir o coração para dialogar?
Se a Tua resposta é converter, que me impede de abrir caminhos que conduzam a Ti?

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012


A GRANDE ENTREVISTA II


O Sr. Padre José Luís Pombal é formador no Seminário Maior de Bragança e moderador da Unidade Pastoral 6 de Bragança. O Sementinha decidiu faz-lhe uma grande entrevista sobre a Nova Evangelização:



SEM - No momento em que se fala tanto da expressão “Nova Evangelização” no seio da Igreja, pode definir-nos do que realmente se trata?
Pe. José Luís - É uma expressão que foi difundida pelo papa João Paulo II, ainda que não tivesse sido ele a forjá-la. E na difusão que João Paulo II protagonizou, adornou-a, em 1983, com três coordenadas: “novas expressões, novos métodos, novo ardor”. É a partir delas que podemos obter uma tentativa de definição, como me pedis. Agora, nova no conteúdo não é de certeza, porque esse corresponde ao mesmo de sempre: o Evangelho encarnado, Jesus Cristo. Tão antigo e tão novo!

SEM - Mas, se a denominação passa por NOVA EVANGELIZAÇÃO, significa que as iniciativas anteriores de anunciar Cristo onde a luz da Fé esmoreceu e o fogo de Deus pede para ser reavivado, nas últimas décadas, não tiveram o êxito esperado? O que é que na sua opinião terá falhado no anúncio da palavra de Deus?
Pe. José Luís - O ‘falhanço’ é transversal a todos os séculos e prende-se sempre com a falta de docilidade ao Espírito Santo, principalmente da parte daqueles que pregam e não vivem. Por isso, Paulo VI veio advertir que hoje os mestres só são escutados se derem testemunho. Trata-se de testemunhar o mandamento do amor, amando. Agora, hoje, o contexto é genuinamente adverso. Hoje, a admiração inicial diante dos cristãos – “vede como eles se amam” –, penso que já não seria a mesma. E aqui vejo parte do ‘falhanço’. Hoje, tudo é direito, tudo é dever. Assim sendo, onde cabe a gratuidade? Há um livro do teólogo suíço Hans Urs von Balthasar intitulado “Só o amor é digno de fé”. Concordo plenamente, mas o meu receio, hoje, é que diante duma cultura tão an-estética já nem o amor fascine. Porquê? Porque se a gratuidade não é reconhecida, tudo é devido, tudo é interesseiro, e no meio de tanta justificação tudo é absurdo… Nestas circunstâncias, será que a Nova Evangelização é decisiva? Sim, se por ela nos reabituarmos ao Espírito Santo!

SEM - E, se de NE continuamos a falar, pensa que se poderá tratar de uma atualização do anúncio de Cristo e da sua palavra à sociedade e ao mundo de hoje?
Pe. José Luís - Necessariamente. Há quem diga que a evangelização não se deve classificar de ‘nova’, porque podemos valorizar mais os métodos de hoje que o conteúdo de sempre e a própria metodologia de Cristo. É verdade… Mas, para mim, a evangelização é sempre nova, porque acontece sempre em contextos novos. São esses contextos que temos de amassar com o fermento de Cristo. Isto é Evangelização. E sempre nova, se assim for hoje à tarde e amanhã de manhã. É urgente é que amassemos com a mão das palavras e a mão das obras.

SEM - Na sua perspetiva, como presbítero moderador de uma unidade pastoral, como pensa implementar as diretrizes da NE, anunciadas pelo Papa Bento XVI no final do Sínodo, no passado mês de Outubro?
Pe. José Luís - Da mesma maneira que pensava antes desse anúncio, ou seja, com muita serenidade. O papa falava de três linhas pastorais relacionadas com: os sacramentos da iniciação cristã; a missão ad gentes; e, as pessoas batizadas que não vivem as exigências do Batismo. A primeira e a última são as que dizem mais respeito à realidade em que me movo, que precisa, antes de mais, de ser amada tal qual é. Depois, veremos…

SEM - Será possível colocar em prática estas novas orientações na nossa realidade? O que pensa que terá que mudar por parte de quem anuncia?
Pe. José Luís - Sou um jovem padre, mas já experimentei na carne que se as indecisões não ajudam, as pressas ainda ajudam menos. Neste sentido, a catequese (sobre os sacramentos) é importante? É. As novas iniciativas face aos batizados esquivos também? Sim. Mas… não se faziam já antes? Faziam. Por que falharam?... Muito devido à vertigem do fazer! Para a Unidade Pastoral da qual sou moderador tenho apenas um desejo pastoral, para mim e para os agentes pastorais a colaborar comigo, no sentido de dar cumprimento às orientações do Santo Padre: contacto pessoal com os paroquianos. Só assim poderemos testemunhar o Cristo que nos salvou… Contacto pessoal? Como? Sem desistir à partida.

SEM - De acordo com a realidade da nossa diocese tão desertificada, onde a juventude é escassa, quais são os desafios e oportunidades que na sua opinião a NE poderá trazer à juventude cristã para que Cristo possa ocupar um lugar central em suas vidas?
Pe. José Luís - É um facto que na nossa diocese a juventude é escassa. Mas nem por isso a nossa pastoral juvenil se deve inscrever na gramática da sedução. Este é o grande desafio. Penso que devemos falar a linguagem que os jovens entendem: «se quiseres!…». Anunciar, sim; testemunhar, também; ir de encontro e ao encontro, sempre; subserviência, nunca. Depois, se são principalmente os jovens que conseguem evangelizar com eficácia os outros jovens, qual é a razão para, imersos nos nossos planos sedutores, não olharmos por aqueles que já se decidiram por Cristo e procuram crescer na amizade com Ele?… Esta é a grande oportunidade para se fazer dum jovem cristão um adulto na fé.