sábado, 2 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
IV Domingo Comum C
Naquele tempo, Jesus começou a
falar na sinagoga de Nazaré, dizendo: «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da
Escritura que acabais de ouvir». Todos davam testemunho em seu favor e se
admiravam das palavras cheias de graça que saíam da sua boca. E perguntavam: «Não
é este o filho de José?». Jesus disse-lhes: «Por certo Me citareis o ditado: ‘Médico,
cura-te a ti mesmo’. Faz também aqui na tua terra o que ouvimos dizer que
fizeste em Cafarnaum». E acrescentou: «Em verdade vos digo: Nenhum profeta é
bem recebido na sua terra. Em verdade vos digo que havia em Israel muitas
viúvas no tempo do profeta Elias, quando o céu se fechou durante três anos e
seis meses e houve uma grande fome em toda a terra; contudo, Elias não foi
enviado a nenhuma delas, mas a uma viúva de Sarepta, na região da Sidónia. Havia
em Israel muitos leprosos no tempo do profeta Eliseu; contudo, nenhum deles foi
curado, mas apenas o sírio Naamã». Ao ouvirem estas palavras, todos ficaram
furiosos na sinagoga. Levantaram-se, expulsaram Jesus da cidade e levaram-n’O
até ao cimo da colina sobre a qual a cidade estava edificada, a fim de O
precipitarem dali abaixo. Mas Jesus, passando pelo meio deles, seguiu o seu
caminho.
Caros amigos
e amigas, no Evangelho de hoje os habitantes de Nazaré passam facilmente do orgulho por aquele filho da terra emprestado ao mundo
para a irritação e rejeição provocadas pelas suas palavras. Como muda
rapidamente o coração da gente! Como é frágil e esquecida a fé!
“Não
é este o filho de José?”
Naquele
dia, a fama do jovem pregador chamara a atenção da aldeia. Mas, aos poucos, a
admiração dá lugar à fúria, a maravilha à indignação. Mas quem pensa ser o
filho do carpinteiro e de Maria? Como ousa propor como modelos de fé pessoas
estrangeiras e pagãs? Poderá Deus ser melhor acolhido por viúvas e leprosos? Continua,
ainda hoje, a tentação de aprisionar Deus no perímetro das nossas igrejas, de
fechá-lo no gueto das nossas certezas e tradições. Contudo, Deus persiste em
visitar as nossas Nazarés e nós ficamos escandalizados quando vemos que o
Evangelho está confiado a tantas mãos frágeis e vidas de barro. Parece-nos
inadmissível que Deus se faça pobre, simples, conhecido no dia-a-dia; é
intolerável que fale através de alguém que não é sacerdote ou escriba
instruído; é inaceitável que tenha as mãos marcadas pelo cansaço! Mas, na
verdade, Deus não se serve de gente extraordinária, mas a sua presença
imprevisível está no próximo, irmão, amigo ou estrangeiro. A palavra de Deus é
declinada em palavras e vidas humanas, porque cada pessoa é profeta e
mensageiro do infinito.
“Ninguém
é profeta na sua terra”
Como os
habitantes de Nazaré também nós deitamos fora os profetas, dissipamos os
encantos de Deus, impedimos o esplendor da epifania do quotidiano, nivelamos
tudo por baixo. E exigimos espectaculares aparições e prodígios, como os que se
realizam na terra estrangeira.
Insistimos
em não reconhecer os profetas de hoje, dos que moram junto da nossa porta. Não
nos encantamos com a avalanche de milagres que acontecem diariamente, nem nos
maravilhamos com os enormes gestos de gratidão, de perdão, de solidariedade, de
profetas humildes de rosto concreto. Pelo contrário, temos ciúmes dos ritos da
amizade e do amor quando estes não acontecem na nossa vida. Sentimos um fundo
de ciúme, sinal da mordidela da serpente das origens, ciumenta dos dons de
Deus. Ciúmes de morte como os de Caim pelo dom de Abel. E da inveja dos irmãos
de José pela sua sabedoria e pela ternura particular do seu pai. Ciúmes que nos
levam a expulsar Deus da cidade da nossa vida e a precipitá-lo no vazio do
esquecimento.
“Jesus,
passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho”
Seduz-me
este Jesus livre que segue o seu caminho, porque o amor de Deus é livre e
contraria os egoísmos. Encanta-me um Deus sem guetos nem fronteiras, que segue
estradas inusuais e caminhos imprevistos. Fascina-me este nomadismo no
Espírito, porque a pátria de Jesus é o mundo e, no seu Reino, o outro é sempre
a terra prometida! De facto, a vida e a fé não mudam por causa dos milagres,
mas pelos prodígios de um amor livre que nunca se rende.
A Deus
não se trava nem se bloqueia, não se encaixilha num quadro como uma fotografia,
nem se arruma como uma pagela no meio dum livro. Deus é mais vasto e grande do
que os nossos pequenos horizontes pessoais! E só um dia, mais tarde,
compreenderemos que toda a potência de Deus se manifestará na impotência da
cruz. Ali veremos, caros amigos e amigas, a evidência do Evangelho!
VIVER
A PALAVRA
Vou procurar conhecer melhor o
irmão, para melhor acolher!
REZAR
A PALAVRA
Senhor, a rotina de um conhecer superficial ofusca o brilho do
caminho
e distancia-me da meta que busco e ousei um dia sonhar. Senhor,
a falta
de novidade na minha adesão a ti, arrefece o fogo da fé e a
certeza do mistério
do amor que um dia me fascinou. Senhor, abana as débeis certezas
da minha lógica
e confunde a ténue inteligência do meu saber. Quero um coração
vazio
de palavras feitas e sedento
da tua verdade, para te acolher. Vem!
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
III Domingo Comum C
Já que muitos empreenderam narrar
os factos que se realizaram entre nós, como no-los transmitiram os que, desde o
início, foram testemunhas oculares e ministros da palavra, também eu resolvi, depois
de ter investigado cuidadosamente tudo desde as origens, escrevê-las para ti,
ilustre Teófilo, para que tenhas conhecimento seguro do que te foi ensinado. Naquele
tempo, Jesus voltou da Galileia, com a força do Espírito, e a sua fama
propagou-se por toda a região. Ensinava nas sinagogas e era elogiado por todos.
Foi então a Nazaré, onde Se tinha criado. Segundo o seu costume, entrou na
sinagoga a um sábado e levantou-Se para fazer a leitura. Entregaram-Lhe o livro
do profeta Isaías e, ao abrir o livro, encontrou a passagem em que estava
escrito: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para
anunciar a Boa Nova aos pobres. Ele me enviou a proclamar a redenção aos
cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos e a
proclamar o ano da graça do Senhor». Depois enrolou o livro, entregou-o ao
ajudante e sentou-Se. Estavam fixos em Jesus os olhos de toda a sinagoga. Começou
então a dizer-lhes: «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que
acabais de ouvir».
Caros amigos
e amigas, na sinagoga de Nazaré, Jesus realiza a palavra de Deus.
Ele é o grande narrador que “diz” Deus. Ele é a linguagem de Deus, o seu Verbo!
Ler, hoje, o Evangelho é meter-se no meio de uma história, a história de Jesus,
para continuar esta narração com a própria vida.
“Para
ti, ilustre Teófilo”
Lucas
dedica-nos o seu Evangelho. E chama-nos Teófilo (= “amigo de Deus”)! Um nome
que ainda ninguém tinha sonhado dar-nos: “Amado por Deus”! Teófilo representa
todos aqueles que, em qualquer lugar e em qualquer tempo, procuram
apaixonadamente a Deus.
Além
disso, Lucas afirma que investigou cuidadosamente para que tivéssemos um
conhecimento seguro sobre Jesus. Este não é um produto da fantasia, imaginação
ou ideologia. Jesus viveu num lugar e num tempo concreto. O Evangelho não é uma
recolha de “pílulas de sabedoria” para viver melhor, nem um amontoado de
histórias épicas, nem um livro de histórias sagradas. O Evangelho é a história
de um encontro, de uma experiência, de um amor, de um sonho realizado: o de
Deus e o teu!
Deus nos caminhos
de Nazaré
Jesus é
o sonho de Deus realizado! Em Nazaré fecham-se os livros e abre-se a vida,
passa-se do papel ao respiro, das profecias à realização.
Com
Jesus é toda uma nova génese que inicia. É um amor encantado pelos pobres,
opção pelos cegos, preferência pelos oprimidos. Os excluídos e os esfomeados de
amor são hoje os primeiros destinatários deste novo reino.
Também
eu me encontro naquela Sinagoga de Nazaré, com os olhos fixos em Jesus e com os
ouvidos atentos àquela Palavra que ecoa! E aquele jovem nazareno não narra, mas
vive. Não recorda as palavras do profeta Isaías, mas actualiza-as. Não diz
palavras vazias, mas realiza-as. Ele é o sonho e a paixão de Deus à minha
procura, pelos caminhos da vida.
“Cumpriu-se
hoje mesmo”
Deus
fala sempre no presente. O Evangelho não está escondido na poeira dos séculos
passados, nem na utopia doentia de um futuro distante. É uma Palavra viva e
actual. É o hoje extraordinário da humanidade que se encontra com Deus.
Este
hoje também se dirige a mim. Somos contemporâneos de Deus! No hoje da nossa
vida ressoa ainda aquela voz que quer remover as cinzas que nos oprimem. O
Evangelho Jesus é um permanente convite à alegria. Não é a memória de um livro!
É o milagre de uma voz que sempre espera a minha escuta para dar frutos de vida
nova.
O
Evangelho reclama outros evangelhos: quem escuta é transformado por aquilo que
escuta; e assim a Palavra do papel se transforma em Palavra viva. Caro amigo,
cara amiga, hoje, tu és semente de Evangelho!
VIVER
A PALAVRA
Vou
cultivar uma atenção permanente para ler Deus no hoje da minha vida e tornar-me
seu anúncio.
REZAR
A PALAVRA
Senhor, abre-me os olhos, o entendimento para reconhecer as palavras
que te revelam; que repare na eloquência da beleza que esbanjas à minha frente
e que, às vezes, desperdiço.
Que nada perca de tudo o que que me dás, e beba do sopro dos
teus lábios a esperança.
Senhor Deus, que cuidas dos fracos e dos pobres, reescreve a Tua
Palavra na minha vida,
faz-me intérprete do Teu
amor, prodígio da Tua misericórdia, sacramento da tua Presença.
Faz-me, Senhor, semente de Evangelho!
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
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