quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Retiro de jovens - Advento - CHAMAR|TESTEMUNHAR|REZAR



Chamados a uma experiência de encontro com Cristo, 69 jovens da Diocese de Bragança Miranda testemunharam a alegria de ser cristão, aprendendo a rezar, como Maria, as propostas que o Senhor nos coloca em cada momento da nossa caminhada de fé.



O convento de Balsamão acolheu, no dia 14 de dezembro, esta audaz “embaixada” juvenil da diocese. A orientar o dia de retiro estiveram o Padre José Luís Pombal do Seminário Maior da Diocese e a Irmã Conceição Borges das Servas Franciscanas Reparadoras. Propôs-se, para este dia, uma caminhada pelas várias etapas da Lectio Divina, a partir da passagem Bíblica da Anunciação do Anjo a Nossa Senhora. Os verbos chamar, testemunhar e rezar, pautaram a harmonia do dia, seguindo a proposta do Ano da Vocação na Diocese.




O dia começou com a Lectio, através da oração da manhã na Igreja do Santuário, onde tivemos o primeiro encontro com a Palavra (Lc 1, 26-38). Seguiu-se uma dinâmica de apresentação: Eis-me aqui a perguntar-te; eis-me aqui a responder-te. Experimentamos a riqueza da partilha e da descoberta pessoal, através da fraternidade. Seguiu-se a Meditatio, onde refletimos o Sim de Maria dado a Deus, através da carta pastoral de D. José Cordeiro e das meditações do Padre José Luís Pombal. Chegada a hora do almoço, foi tempo de partilhar os farnéis e poder conhecer melhor o belo espaço que nos acolheu. 





No início da tarde tivemos o tempo da Colatio, pois, em pequenos grupos, trabalhamos a passagem bíblica que nos acompanhou ao longo do dia. Depois da partilha surgiu o tempo do compromisso, atio, no qual, através do tema dos Deolinda (Movimento Perpétuo Associativo) e duma visualização sobre a Igreja, pudemos confrontar-nos com a urgência da missão e do compromisso pessoal em estar atentos ao projeto de Deus a nosso respeito. Urge uma atitude disponível e corajosa como a de Maria.



O dia terminou com o momento da Oratio. Na capela interior do Convento, tivemos uma experiência forte de oração com Maria, através da adoração eucarística. Neste retiro participaram 18 jovens da JEF. Ali depusemos os nossos medos e acolhemos o abraço daquele que nos ama e sonha para nós a felicidade. De nós espera apenas uma resposta, como a de Maria: Faça-se em mim… Eis-me aqui, envia-me!


Ir. Conceição Borges

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

III Domingo Advento A


Evangelho segundo S. Mateus 11, 2-11
Naquele tempo, João Baptista ouviu falar na prisão, das obas de Cristo e mandou-Lhe dizer pelos discípulos: «És Tu Aquele que há-de vir, ou devemos esperar outro?». Jesus respondeu-lhes: «Ide contar a João o que vedes e ouvis: os cegos vêm, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a boa nova é anunciada aos pobres. E bem-aventurado aquele que não encontrar em Mim motivo de escândalo». Quando os mensageiros partiram, Jesus começou a falar de João às multidões: «Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? Então que fostes ver? Um homem vestido com roupas delicadas? Mas aqueles que usam roupas delicadas encontram-se nos palácios dos reis. Que fostes ver então? Um profeta? Sim – Eu vo-lo digo – e mais que profeta. É dele que está escrito: ‘Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, para te preparar o caminho’. Em verdade vos digo: Entre os filhos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Baptista. Mas o menor no reino dos Céus é maior do que ele».

Caros amigos e amigas, neste caminho de espera, somos embalados pela procura de João, pelas dúvidas e pelas certezas de um profeta que busca O Profeta. É tempo de espera desassossegada, é tempo de olhar os sinais de Deus na história, é tempo de os interpretar, é tempo de preparar o encontro…

Interpelações da Palavra
És Tu? ...
João, à pergunta que fizeste, Jesus mandou-nos contar-te que uma primavera se move à sua passagem, que o mundo festeja a alegria que tu soubeste preludiar no teu canto de esperança. Disse que os olhos vazados tinham já o aconchego da sua luz, que os pés mudos tinham já a palavra dos seus passos e dos lábios secos tinha rebentado a fonte da comunicação; disse que os surdos eram saudados pela melodia da felicidade, que os leprosos eram ungidos no bálsamo da sua medicina e que os pobres encontraram o manancial da saciedade. É Ele Aquele que tu esperavas! Perante estas notícias, que outro poderemos esperar nós?!

Que fostes ver?
Depois Jesus falou-nos de ti. Com o teu exemplo de profeta Ele lançou uma inquietação sobre os nossos luxos e vaidades. Esperávamos surpreendê-l’O com o charme com que enganamos as relações, esperávamos intimidá-l’O com a habilidade com que nos impomos aos fracos, esperávamos negociar com Ele através da ostentação com que compramos os pobres… Mas tu e Ele baralhais o sentido dos nossos empenhos! Nós continuamos a deslumbrar-nos perante as montras das nossas banalidades, e a teimar que nelas poderemos saciar a nossa fome e sede de felicidade. É daqui que nos nasce esta permanente insatisfação…

Preparar o caminho
Caro João, preciso que continues a enviar-me a Cristo para lhe fazer perguntas. Preciso objectivar a minha procura, a minha sede, o meu vazio. Envia-me a Cristo, na estrada da simplicidade, no caminho do sacrifício, na senda de um coração livre.
A tua postura sóbria e humilde, a tua palavra corajosa e livre, a tua radicalidade desinteressada, o teu propósito aponta-me uma meta que, assumindo-a, pode revolucionar a minha vida! Tu és o exemplo de como hei-de encaminhar a minha espera. Contigo descubro Aquele que há-de vir, Aquele que está no meio de nós, Aquele que me habita e faz germinar em mim o Evangelho!


Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Senhor, tu estás a organizar a festa e fazes-me entender que o meu amor é convidado!
As perguntas vazias têm necessidade do conteúdo que hei-de encontrar na Tua Palavra,
o desalinho de tantas linhas tortas precisa da tua geometria que a tudo dá sentido,
os palácios dos Reis têm necessidade da minha sobriedade e simplicidade…
Firma os meus pés no caminho da esperança, que descobre em ti o Caminho.
Lança o meu coração na vida do encanto, que descobre em ti a Vida.
Abre as minhas mãos na verdade da entrega, que descobre em ti a Verdade.
És Tu Aquele que iluminas este desejo de encontro e me perfumas com o aroma da profecia?
Sim, bem vejo que és Tu! Vem, Senhor Jesus!

Viver a Palavra

Vou ver e contar os gestos de Deus que se faz presente na minha vida e ao meu redor.

sábado, 7 de dezembro de 2013

II Domingo Advento A



Evangelho segundo S. Lucas 1, 26-38
Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José, que era da descendência de David. O nome da Virgem era Maria. Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril; porque a Deus nada é impossível». Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra».

Caros amigos e amigas, no caminho de Advento, acompanha-nos sempre Maria. A anunciação que a Imaculada recebe do anjo é um convite a abrirmos o coração à surpresa inesperada de um amor que nos ultrapassa.

Interpelações da Palavra
Cheia de graça!
Permite-me, Maria, que entre com o Anjo em tua casa! Ouço uma saudação revelar que tu és a “cheia de graça” e não a “cheia de méritos”, apenas rica da gratuidade amorosa de Deus… Sim, diante de Deus não conta o melhor, o primeiro, o título, o cartão visa, a influência… Conta apenas o amor, a disponibilidade, a simplicidade, a humildade, aquela docilidade que se deixa levar pelo sopro do Espírito.
Tu és escolhida por Deus desde toda a eternidade. Tu és Aquela que deslumbra Deus na sua própria obra. Em ti a criação se faz de novo e Deus exulta ao ver como é bela! Porque a beleza de Deus faz-se beleza em ti! Sinto palpitar a tua escuta, sinto estremecer dentro de ti aquele labor entre a graça e o teu acolhimento, que se manifesta, ao mesmo tempo, num medo misturado com a alegria…

Salvé!... Não temas!… Darás à luz!
São sempre as palavras de anjos que revelam o eterno sonho de Deus, para a humanidade, para mim e para ti. Sim, alegra-te, Maria, multiplica a alegria, vive de júbilo, exulta de amor! Não temas, porque quando Deus está presente o medo se dissolve, porque não estás só! Sim, resplenderá assim à tua volta a vida; e ela brilhará como farol quando é fecunda, frutuosa e doce!
Alegra-te, Maria, porque és amada gratuitamente para sempre! Não temas, porque o amor dissipa as sombras do medo. Não temas, porque Deus não segue o caminho da evidência ou da grandeza, mas prefere a discrição à luz dos palácios. Não temas, Maria, se Deus se esconde na fragilidade e no amor de uma criança. Serás terreno de salvação, Maria! Sim, no teu seio é lançada a semente da vida nova! Nada e ninguém será agora estéril! Em ti, Deus se fará irmão da humanidade. E tu acolhes a Palavra de Deus no silêncio e na entrega…

Eis… faça-se…
O teu querer repousa e confunde-se com querer de Deus! Dentro do silêncio, na arte materna do acolhimento, no desejo de compreender o Mistério, na disponibilidade de servir, tu Maria, és toda de Deus! A imensidade de Deus escancara-se na tua pequenez e juventude. De ti o Criador fará a sua Mãe, e a minha Mãe! Da esquecida Nazaré se renovará a criação! Tu, Maria, abraças o amante abraço divino! Tu és a serva do Amor, de ti brotará o Verbo! Deus faz de ti o ventre da nova humanidade! O teu sim é o traço desde o qual se escreverá o Evangelho!


Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Senhor, a Tua surpresa rebenta com as minhas estruturas, com os meus projetos.
Só, na minha casa, descubro o segredo da Tua procura, do Teu convite.
Sim, Tu vens ao meu encontro, chamas-me pelo nome e queres precisar de mim.
Ó Senhor… também eu procuro quem me procura… tenho sede de Ti…
O meu nome, saído dos Teus lábios ecoa teimosamente na minha história de busca
e não consigo desligar-me deste diálogo de amor que travas comigo a cada instante.
Faça-se, faça-se em mim o Teu querer, o Teu sonho, a força do Teu Espírito.
Faça-se em mim a Tua graça e a Tua certeza, a Tua fecundidade e a Tua Palavra.
Eis-me, Senhor, para escutar de Ti quem sou e quem me convidas a ser.

Viver a Palavra

Vou desenvolver uma atitude de escuta interior para, na disponibilidade alegre, dizer Sim ao Senhor.

sábado, 30 de novembro de 2013

I Domingo Advento A



Evangelho segundo S. Mateus 24, 37-44
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Como aconteceu nos dias de Noé, assim sucederá na vinda do Filho do homem. Nos dias que precederam o dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca; e não deram por nada, até que veio o dilúvio, que a todos levou. Assim será também na vinda do Filho do homem. Então, de dois que estiverem no campo, um será tomado e outro deixado; de duas mulheres que estiverem a moer com a mó, uma será tomada e outra deixada. Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a sua casa. Por isso, estai vós também preparados, porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do homem.».

Caros amigos e amigas, novamente Mateus nos convida a percorrer as estradas do Evangelho. O Advento é um novo eclodir do tempo de Deus no nosso tempo disputado pela rotina, é um sussurro de esperança, uma promessa feliz que se vai tornando Presença, segundo as dimensões do nosso acolhimento: é preciso vigiar!

Interpelações da Palavra
Não deram por nada…
Esta palavra ataca aquele meu tempo, tão preenchido, compacto, que teme a profecia. Vir ou não vir Deus… pode nem me importar. Tenho opiniões que me são servidas, já prontas. Tenho sondagens e previsões que se antecipam às esperas e devoram as expectativas. As agendas controlam-me o percurso e limitam as surpresas. E para o tempo que sobra… invento hobbies. Como poderei dar conta da presença de Deus no mutismo deste mundo que parece alterar-se apenas ao ritmo de maldades e catástrofes? Os olhos viciados colhem de cada paisagem apenas um mais do mesmo... É tão difícil libertar-me da ditadura do urgente e propor-me a esquadrinhar o banal à procura do milagre! Não, não darei conta da presença de Deus, se não espero Deus. E se não vigio Deus é porque não O amo… e corro o risco de enterrar os meus olhos no túmulo do egoísmo.

Não sabeis o dia…
No meio das minhas concretas circunstâncias Deus anuncia-se e inquieta-me. Posso escutar esta palavra de Jesus como uma ameaça apocalíptica, posso continuar a fingir venera-l’O com a motivação do medo... Mas o convite do Evangelho desperta-me!!! O sempre novo horizonte do seu amor está a passar por mim e eu não o quero desperdiçar! Será o amor a desenterrar-me os olhos, será o amor a alagar as “estacas da minha tenda” para O receber. Preciso do seu dilúvio e do seu assalto que renovam a vida. Amo este Deus da surpresa que não fixa em datas o seu assalto, nem encerra em prazos o seu dilúvio de amor. Quero entregar-me a Deus que me estende um tempo inteiro para a conversão, e prolonga generosamente o hoje para que possa encontra-l’O. Desejo o encontro, vou vigiar o único Deus que me pode revelar quem sou e me potencia o que posso ser.

Virá o Filho do Homem…
Intitula-se “Filho do Homem” como se beijasse a minha humanidade; como a dizer-me que não lhe é indigno descer até ela, para a acarinhar e divinizar. Ele é o Deus que, por amor, vigia a minha felicidade! Posso perceber no ambiente tantas efervescências da sua doçura e solicitude; Ele distribui a chuva e encoraja a germinação… Ele me sorri no sol e me afaga na noite; Ele escuta a minha respiração e conta um simples cabelo que me cai. Cada dia Ele me surpreende na rebentação dos seus sinais sobre a monotonia das minhas praias. Quero um coração aceso pela vigilância do amor a única que dá cor à minha vida. A cor do Evangelho!


Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Senhor, a tua vida quer fecundar-me, como fecundou o seio disponível de Maria.
Bates à porta da minha disponibilidade para continuar realizar o milagre
da tua presença… para fazer germinar em mim as sementes do teu mistério.
Limpa-me dos olhos a película da rotina, afina o sentido do milagre com que me visitas.
Peço-te um olhar vulnerável à surpresa, que tenha o deslumbramento das crianças
e a maturidade para perscrutar os teus sinais.
Hoje quero inaugurar uma vigilância potenciada pelo amor.
Quero antecipar, com um coração feliz, a alegria de te receber.
Quero alargar horizontes e estender o meu espaço à novidade fecunda do Evangelho.

Viver a Palavra

Vou cultivar um coração vigilante para acolher o Senhor que me visita na força de tantos sinais e evidências.