sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Natal do Senhor
Natal do Senhor – Missa da
Noite
Evangelho
segundo S. Lucas 2, 1-14
Naqueles dias, saiu um decreto de César Augusto, para ser recenseada
toda a terra. Este primeiro recenseamento efectuou-se quando Quirino era
governador da Síria. Todos se foram recensear, cada um à sua cidade. José subiu
também da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de David, chamada
Belém, por ser da casa e da descendência de David, a fim de se recensear com Maria,
sua esposa, que estava para ser mãe. Enquanto ali se encontravam, chegou o dia
de ela dar à luz e teve o seu Filho primogénito. Envolveu-O em panos e deitou-O
numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria. Havia naquela
região uns pastores que viviam nos campos e guardavam de noite os rebanhos. O
Anjo do Senhor aproximou-se deles e a glória do Senhor cercou-os de luz; e eles
tiveram grande medo. Disse-lhes o Anjo: «Não temais, porque vos anuncio uma
grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um
Salvador, que é Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um
Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura».
Imediatamente juntou-se ao Anjo uma multidão do exército celeste, que louvava a
Deus, dizendo: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele
amados».
Caros amigos e amigas, com Jesus a noite é uma
manhã de esperança, porque Deus vem ao nosso encontro e habita na tenda frágil
do nosso coração. É Natal porque Deus vem de novo, porque um menino foi
colocado em nossos braços, porque a bela notícia do Emanuel ecoa e brilha em
cada manhã!
Interpelações da Palavra
Nos campos…de noite…
O rebanho dorme e a noite envolve-me sem me dar
repouso. Chegam vozes de todo o lado, sou atacado por novidades escuras, por
obrigações atrozes, por escândalos, por banalidades. De noite, tento vencer o
negro do céu com luzes fugazes que logo passam e nada me deixam da Luz… De
noite, automatizado pela rotina do “deixa andar” nada é notícia, nada me toca,
de tantos dados e estatísticas que já entopem os meus filtros de decisão. De
noite, vivo num campo que é terra árida, porque sem Luz… De noite, guardo um
rebanho, guardo os outros, com medo de me guardar a mim, de guardar Deus em
mim… De noite, de tanto que escuto, nada me diz, de tanto que recebo, nada me
toca. De noite… tudo é noite… e até a Luz que me visita me atemoriza…
Anuncio-vos uma grande alegria
Mas hoje uma notícia de luz visita o campo da minha
noite, onde o nada é chão. Rompe a escuridão com a Luz, cala o silêncio com a
notícia, derruba o medo com a alegria da proximidade. Nessa noite, nesta noite,
Deus me envia, mais uma vez, o anúncio de uma grande notícia: a alegria da Sua
presença. Sim, de novo. Mais uma vez passa a notícia neste campo: Ele vem ao
meu encontro. Renasce a esperança da manhã, a colorida novidade da aurora.
Nesta noite, porque a luz de Deus me envolve, nasce o dia. Na esterilidade da
minha tímida procura, brota a notícia que me envolve de Luz e não mais deixará
que a noite impere… porque é Ele que me procura e me habita. E Ele é a Luz! Então
tenho de O procurar, porque a Luz urge.
Encontrareis um menino
Deixo o campo, arredo do meu caminho a noite, os
afazeres que me atulham, para me abrir ao seu mistério; preparo o meu dom, deixo
o rebanho, deixo de guardar os outros, para deixar que a Luz me guarde a mim,
porque a luz me guia e me atrai e a semente da Palavra grita o germinar! Corro
ao encontro do Menino de quem “fala a notícia” que me inquieta. Estará nas
palhas douradas, nos panos de cetim, na manjedoura de luzes coloridas? Onde
encontro esse Menino? Bloqueio o ritmo germinador da Palavra, sempre que não O
deixo nascer em mim… É “isto” que me
serve “de sinal”! É neste campo, nesta noite que encontro o Menino, a notícia, o
sinal, o Deus connosco! Nesta noite brilha o dia, nasce a Luz, germina o
Evangelho!
Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Poderão
meus braços abraçar tão grande mistério?
Poderão
meus olhos contemplar tão imensa luz?
Poderão
meus lábios cantar tão sublime melodia?
Quero
aprender a humildade do Teu encontro comigo,
Quero
aprender a alegria da Tua grande notícia,
quero
acolher-Te em meus braços,
Tu
que de Teus braços não me separas… e desejas que em mim seja Natal!...
Viver a Palavra
Vou partilhar a boa
notícia de ser habitado pelo Deus Menino!
domingo, 22 de dezembro de 2013
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
IV Domingo Advento A
Evangelho
segundo S. Mateus 1, 18-24
O nascimento
de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem
vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. Mas José,
seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em
segredo. Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do
Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua
esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um
Filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus
pecados». Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio
do Profeta, que diz: «A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado
‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’». Quando despertou do sono, José fez
como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa.
Caros amigos
e amigas, o Evangelho narra a anunciação feita a José que recorda aquela feita
a Maria. Aquele que era justo não teme de participar no presépio. No seu silêncio
e generosidade, Deus fala e anuncia o nascimento do seu Filho!
Interpelações da Palavra
Mais justo do
que a lei, é o amor!
Eu, carpinteiro em Nazaré, não tinha assim grandes
sonhos: talvez uma carpintaria maior, mais alguma viagem a Jerusalém por altura
da Páscoa, uma bela esposa para amar, uma casa grande para ver os filhos
multiplicarem-se e, talvez, o sonho da libertação romana. Mas, ultimamente a minha
noite era assombrada por pesadelos: a minha noiva ficara grávida antes do
casamento e… não tinha sido eu; antecipava a vergonha ante o provável escárnio
dos amigos; mas sobretudo vivia o pesadelo do repúdio que levaria a minha amada
à morte por delapidação. Mas não! A justiça do amor, infinitamente mais poderosa
do que a lei, legislava que eu não poderia abandonar Maria publicamente… teria
que a salvar em segredo na casa dos pais. Colocar-me-ia entre as pedras da lei
e a vida da minha amada. Enamorado, acreditava, acreditava simplesmente por amor.
Deixaria que fosse Deus a julgá-la e, quanto a mim, recomeçaria de novo, com os
meus projectos e sonhos.
O sonho de
não temer
Pensava assim quando um sonho maior encheu a minha
noite. Um anjo dialoga comigo, fala-me de uma missão, de um filho. Sonho estranho,
mas suave… como se fosse verdade. Nalguns sonhos, as fronteiras da realidade
tocam o além, abordam o mistério de uma verdade que ultrapassa e ilumina. Percebi
que era Deus a falar-me no segredo do coração e, após as palavras do anjo, o
segredo de Maria torna-se também o segredo de José. Desde então o meu amor por
ela ganhava uma dimensão divina, definia-se numa felicidade nova e eu tomei a minha
esposa, como quem toma em sua casa o próprio Deus. Submisso àquele filho amado,
dei-lhe um nome, uma família, uma herança, mesmo sabendo ser apenas um suplemento
de paternidade.
A coragem do
amor
Justo José, hoje contemplo-te como amor no estado
puro: acreditas em Maria, à versão de uma gravidez que só o amor pode admitir,
e depois desapareces das crónicas. Carpinteiro, tu consentes sonhar os sonhos
de Deus! Atreves-te a amar os amores de Deus! Ousas dar a tua vida à vida de
Deus! No drama e na novidade do nascimento do Filho de Deus, da virgem grávida,
do marido justo, Deus multiplica o amor, plenifica, no seu sonho, os sonhos de
ambos, amplia a família e a harmonia. A vossa casa em Nazaré é humilde, mas a
mais feliz porque ambos sois ricos daquele amor que directamente coincide e se
alimenta no próprio Amor feito criança. O Filho de Deus será acariciado pelas tuas
mãos calejadas, mãos ásperas da madeira e das cruzes do dia-a-dia, mas aveludadas
pelo silêncio imenso da coragem do amor. Tu e Maria sois porta aberta ao
mistério que indica estradas novas, ilumina momentos difíceis e dramáticos,
mantém a esperança no futuro. Em ambos é a fecundidade de Deus que se manifesta.
E faz desabrochar o Evangelho!
Pai amoroso, Tu te dignaste outorgar em José, o homem justo,
o mistério
admirável e insondável da tua paternidade!!!
Eu te louvo
pois, pela encarnação do Verbo, fizeste do Teu Filho Unigénito o nosso irmão!
Hoje o teu
segredo ronda a porta do meu coração: tens um sonho para sonhar comigo.
Como Maria e
José, quero ter a coragem de amar, de sonhar os teus sonhos… quero aceitar a
tua proposta e oferecer-te a minha vida qual campo onde semearás a tua vida.
Sim, Pai, diz de novo o teu Verbo e faz do meu coração um santuário de
acolhimento
e que todo o
meu ser seja a repercussão da tua Palavra, do teu sonho do teu amor.
Viver a Palavra
Vou cultivar um
coração atento e disponível para acolher os segredos de Deus.
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