Há uma estrada infinita para descobrir. É a estrada da vida, que, a partir do batismo, sabemos que não começa no dia do nosso nascimento, mas começa no coração eterno de Deus, que nos quer desde sempre e para sempre. É a estrada infinita do amor de Deus, que cada dia temos de redescobrir.
terça-feira, 11 de março de 2014
quarta-feira, 5 de março de 2014
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
VIII Domingo Comum A
Evangelho segundo S. Mateus 6, 24-34
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
«Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há-de odiar um e amar o outro,
ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao
dinheiro. Por isso vos digo: «Não vos preocupeis, quanto à vossa vida, com o
que haveis de comer, nem, quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir.
Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que o vestuário? Olhai
para as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; o vosso
Pai celeste as sustenta. Não valeis vós muito mais do que elas? Quem de entre
vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à sua estatura? E
porque vos inquietais com o vestuário? Olhai como crescem os lírios do campo:
não trabalham nem fiam; mas Eu vos digo: nem Salomão, em toda a sua glória, se
vestiu como um deles. Se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e
amanhã é lançada ao forno, não fará muito mais por vós, homens de pouca fé? Não
vos inquieteis, dizendo: ‘Que havemos de comer? Que havemos de beber? Que
havemos de vestir?’. Os pagãos é que se preocupam com todas estas coisas. Bem
sabe o vosso Pai celeste que precisais de tudo isso. Procurai primeiro o reino
de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo. Portanto,
não vos inquieteis com o dia de amanhã, porque o dia de amanhã tratará das suas
inquietações. A cada dia basta o seu cuidado».
Caros amigos
e caras amigas, o Evangelho não dá receitas de sucesso em economia, mas
desafia-nos a fazer repousar o mistério da nossa vida em Deus.
Interpelações da Palavra
Ali onde
está o teu tesouro está o teu coração
As preocupações da vida, do amanhã, do incerto
levam-nos a acumular, controlar, possuir, amontoar… tanto e tanto, que o
coração é escravizado e a vida é abreviada pela angústia. Contudo, para Jesus é
indispensável substituir o armazenar pelo dom, o interesse pela generosidade, o
cálculo pela benevolência, a inquietação pelo abandono em Deus. Jesus não
convida ao desprezo das coisas, mas recorda que todos podemos ser escravos do
dinheiro, adoentados com a febre do ter, idólatras do efémero possuir. As suas
palavras não são um elogio da preguiça, um convite à despreocupação ou à
displicente irresponsabilidade. São antes um apelo a transferir os enfartes dos
nossos activismos e das exageradas angústias para o coração de Deus, porque é o
único que pode preencher e transbordar o nosso coração. Só o Amor pode
responder aos anseios do amor.
“Olhai os pássaros… Olhai os lírios do
campo”
Maravilhosa pedagogia divina: “Olhai! Olhai”! O Mestre convida-nos a olhar, a contemplar. Sim,
porque o olhar transforma a vida. Nós somos aquilo que vemos, tornamo-nos
aquilo que contemplamos. Tantas vezes, as preocupações impedem-nos de levantar
o olhar, mergulham-nos nas ocupações insensatas do frenesim diário,
encurtam-nos o horizonte da vida. Mas Jesus ensina a observar a vida, porque a
vida fala da confiança, fala de Deus, sussurra-nos o Pai. Com a pedagogia do olhar
confiante, Ele quer despertar o nosso olhar interior: a vida não se alimenta
apenas de comida ou de vestidos; a vida vale “muito mais”! E Deus, que escuta o
canto dos pássaros e se fascina com a magia das flores, fará “muito mais” por
mim, por ti, por nós.
“Vós valeis muito mais”
Sim, amigos, valemos muito mais do que aquilo que
pensamos e sonhamos. Porque Deus olha para cada um de nós como Alguém olha para
um tesouro que tem o valor do próprio Filho na cruz.
Mas, então, porquê o dinheiro? Este serve apenas
para ser trocado, pede para ser gasto e repartido. Contudo, o dinheiro tende a
aprisionar, a atrair o olhar e a desviá-lo da confiança dos pássaros do céu e
da dança das flores acariciadas pelo vento. Tanto na vida como no amor, o grão
está feito para se tornar pão e para ser semente que, lançada de novo à terra,
é um hino à vida. E a vida está feita para ser germinada, renascida,
partilhada, doada, encontrada, contemplada. À semelhança de Jesus, gratuita e
generosamente. Mais, agradecida! E isso, caros amigos e amigas, é Evangelho!
Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Senhor de toda a riqueza, em cujas mãos está a fonte de tudo o que é bom,
Saiba eu estender sempre para
ti as minhas mãos famintas e despoluídas de egoísmo,
Saiba estende-las para os meus
irmãos, enriquecidas pela tua misericórdia.
Senhor da beleza, a luz do teu
olhar imprime tudo o que em mim possa ser amável,
Tu deslumbras a própria
criação… dá-me um olhar tonificado pela simplicidade.
Senhor da Vida, cuja Palavra desenha
a partitura dos dias e descreve a minha felicidade,
Possa eu escutar a melodia do
teu amor para nela cantar o curso da minha existência.
Viver a Palavra
Vou considerar o
imenso amor de Deus por mim e qual a minha resposta de amor para com Ele.
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
VII Domingo Comum A
Evangelho segundo S. Mateus 5, 38-48
Naquele
tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Ouvistes que foi dito aos antigos:
‘Olho por olho e dente por dente’. Eu, porém, digo-vos: Não resistais ao homem
mau. Mas se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a esquerda. Se
alguém quiser levar-te ao tribunal, para ficar com a tua túnica, deixa-lhe
também o manto. Se alguém te obrigar a acompanhá-lo durante uma milha,
acompanha-o durante duas. Dá a quem te pedir e não voltes as costas a quem te
pede emprestado. Ouvistes que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu
inimigo’. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que
vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus; pois Ele faz
nascer o sol sobre bons e maus e chover sobre justos e injustos. Se amardes
aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem a mesma coisa os
publicanos? E se saudardes apenas os vossos irmãos, que fazeis de
extraordinário? Não o fazem também os pagãos? Portanto, sede perfeitos, como o
vosso Pai celeste é perfeito».
Caros amigos e caras amigas, as páginas radicais
do Evangelho revelam a verdade sobre o coração de Deus e o coração do homem. Hoje,
Jesus convida-nos a amar com a medida louca do seu amor.
Interpelações da Palavra
“Olho por olho, dente por dente”
A “lei de talião” era já um grande avanço porque
regulava a medida da vingança: a justiça devia ser proporcional ao crime
cometido. Contudo, as palavras simples do Mestre encerram uma força prodigiosa
e revolucionária, desafiando a ultrapassar o círculo fatal da reciprocidade e
da vingança.
Ele bem sabe que o discípulo não é um herói nem um
poço de virtudes, e que sofre na pele a queimadura da inimizade, que reclama
quando é roubado, que no seu íntimo ressoa o grito da injustiça. Ele não nos pede
para amordaçarmos uma revolta que acabará por nos corroer ou fingirmos uma ingenuidade
à espera de vitimizar-se. Convida-nos a ousar o amor… pois Ele também sabe que
o segredo do amor é ir além: além das condições de justiça, além das obrigações,
além até de imposições atrevidas, numa divina folia de amar em excesso!
“Amai os vossos inimigos”
É belo amar
aqueles que nos amam. Mas Jesus cria um mundo novo e introduz um desequilíbrio
na balança do dar e do receber. Os discípulos são convidados a amar em primeiro
lugar, não para responder a um amor, mas para o antecipar. Sim, só um amor
adiantado frutifica o amor. Somos instados a amar até aquele que nos odeia, sem
esperar nada em troca, a não ser amor. Assim, sem cálculos e sem a simetria do
dente por dente e olho por olho. Só para acelerar e precipitar o amor! Para
isso “oferece”, “deixa”, “acompanha”, “dá”, “ama”, seja amigo ou inimigo!
Trata-se de um amor de mãos concretas, de túnicas emprestadas e de caminhos
partilhados. Para Jesus não há verdadeiro amor sem um “fazer amor”, de gestos
operativos, num sonho de perfeição.
Ousar o
amor!
Sempre que
ousamos amar ficamos maravilhados quando para além do casaco encontramos um
irmão, quando somos perdoados antes de ter pedido perdão, quando descobrimos
que Deus nos ama primeiro, sem razões e sem medida, e nos convida a sermos
também multiplicadores de vida e de esperança.
Jesus ousa dar a
outra face, não por masoquismo, mas para dar o primeiro lugar ao amor! Toma a iniciativa
de amar primeiro, remendando corajosamente o tecido da vida, inventando
estradas novas. Sim, o amor é criativo, não paga com a mesma moeda, baralha as
regras introduzindo a loucura da graça, dilatando o coração e aumentando a
vida, sendo pródigo de si mesmo, desbaratando ao infinito gestos que salvam!
Sim, à semelhança de Deus, sem cálculos, sem calendários, sem condições!
Sempre, totalmente, gratuitamente… livremente!
Felizes, amigos
e amigas, os que se atrevem a imitar Deus, realizando gestos de um mundo novo,
porque nas suas mãos desabrocha o Reino de Deus. E isso é Evangelho!
Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Senhor, a medida transbordante
do Teu amor questiona os meus calculismos.
Faço contas, peso, espero do
outro para dar depois… e Tu dás-Te primeiro…
Na Tua iniciativa gratuita
aprendo a oferta antecipada do amor criativo.
Saiba aprender contigo o
dar-me, mesmo depois de me tirarem…
Saiba aprender contigo o tudo,
mesmo na finitude do meu nada…
Senhor, o Teu verter de amor,
seja a medida, desmedida, da minha entrega.
Viver a Palavra
Vou procurar amar de
tal modo que possa exceder sempre aquilo que me for pedido.
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