terça-feira, 10 de junho de 2014

Alzira da Conceição Sobrinho (Irmã S. João)

Desde muito nova, Alzira distinguiu-se pela ardente devoção à Eucaristia. O seu amor a Jesus levou-a à oferta total da sua vida. Deixando-se abrir a esse amor, Alzira sentiu a inspiração de fundar uma congregação com carisma Eucarístico, desde 1916. Tinha um espirito místico. Muitas pessoas que a conheceram e com ela conviveram registam numerosos factos que edificaram e sentem enorme gratidão pelas graças que com a sua oração obteve de Deus. Enquanto religiosa edificou as irmãs pela sua vida de oração profunda, pelo seu amor intenso a Jesus na Eucaristia, pela sua caridade, espírito de sacrifício e obediência.



sábado, 7 de junho de 2014

Peregrinos com Maria

Manhã do dia 1 de junho, jovens JEF de Sortes e Bragança sobem a Serra de Nogueira, peregrinos com Maria.
Objetivo: Marcação dos caminhos para o alto da Serra (Santuário de Nossa Senhora da Serra).











Pentecostes A



Evangelho segundo S. João 20, 19-23
Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».

Caros amigos e amigas, o dom do Espírito, à semelhança dos apóstolos, faz germinar em nós sementes de ressurreição abrindo caminhos novos de paz e de esperança.

Interpelações da Palavra

Na tarde daquele dia veio Jesus
Sim, assim sem avisos nem cortejos celestes. Ninguém o chamara ou feito uma súplica dirigida aos céus. Mas, esta é a beleza do Ressuscitado: discreto apresenta-se no coração da situação de tristeza e medo dos amigos. Ainda hoje é Ele que vem ao nosso encontro, mesmo quando não lhe acenamos ou lhe repetimos orações. Vem como segredo dos nossos segredos, amor de cada amor, alma da nossa vida! Sim, Ele vem e, no íntimo do nosso cenáculo, mostra o alfabeto das chagas, aquela gramática indestrutível de amor, oferecendo a sua paz. O Espírito de Cristo é a nossa língua materna, aquele murmúrio simples e de paz que todo o coração anseia.

Recebei o Espírito Santo
Cristo sopra sobre a alegria dos apóstolos e, de repente, a casa enche-se de vento. Até parece que as brasas adormecidas da última ceia, mediante o sopro do Espírito, pegam novamente fogo, capazes de abrasar a terra inteira. Pentecostes é a Páscoa que se incendeia! Agora os discípulos já não têm medo, saem para fora, ao encontro de todos, numa folia de universalidade. Desde esse dia, o lugar do cristão nunca é aquele espaço fechado da sacristia, mas é estar fora e em movimento: ide, libertai, perdoai, tudo e todos! O Espírito de Jesus cria estradas de proximidade, abre portas, reacende o ardor do coração, renova a confiança.
O Espírito é um sopro, um respiro sinónimo de vida, vento misterioso que enche as velas da nossa vida para a conduzir a outros mares. É como um incansável ar de primavera que transporta o pólen das flores e as sementes das plantas para que a vida se estenda ao longe. É a brisa que sopra no jardim do nosso coração para que os perfumes de Deus sejam exalados.

O nascimento da nova criação
Na criação, Deus insuflou na argila o seu respiro e deu vida ao homem. O Sopro divino faz nascer, dá vida. Agora, o Sopro, qual bálsamo da ressurreição, é o respiro de um mundo novo, de uma criação nova, de uma humanidade reavivada! O Espírito Santo é o suave beijo divino, o perfume do amor, a respiração de Deus. Por isso, o Pentecostes é uma contínua criação, uma poesia criativa, um desejo de fecundidade.
O Espírito dá aos apóstolos a fantasia da missão, a emoção dos primeiros passos, a inspiração, a imaginação e a genialidade, que permite a novidade do perdão e a ternura do amor. Quem recebe o Espírito não pode não perdoar, não pode não abater vedações e fronteiras, não pode não deixar de abrir o coração.
No Evangelho nada se diz da presença de Maria. Contudo, acredito que, com os cabelos já grisalhos e junto dos apóstolos, Ela sorria serenamente como se já conhecesse o rosto e o modo de agir do Espírito. No seu íntimo tinha experimentado a sua presença e tinha visto dissipar-se, no silêncio, todas as perplexidades. Ela bem sabia que a semente colocada por Deus no coração dos apóstolos trazia dentro de si a força para desabrochar e dar vida. E isso, caros amigos e amigas, é Evangelho!


Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Vem, Espírito Santo, suave distúrbio da tristeza e do medo, Tu reinventas a alegria!
Tu és o hálito incandescente do Ressuscitado, a corrente de ar que resfria a inação,
Tu és a semente da ousadia, o vendaval da ternura, o ósculo da divina Presença!
Ainda que não te chame… vem, desejo-te nesta dor de não saber amar o Amor…
Vem, trespassa-me com a espada do perdão, embriaga-me com as ânsias da paz.
Ó artífice do ser, prepara-me com a beleza que suporta o divino sopro de vida.
Vem, Espírito Santo, ensinar-me a modular o sim que explode todas fronteiras!

Viver a Palavra

Vou implorar a graça do Espírito Santo sobre os meus medos e derrotas e abrir-me à sua graça.

sábado, 31 de maio de 2014

Ascensão A



Evangelho segundo S. Mateus 28, 16-20
Naquele tempo, os onze discípulos partiram para a Galileia, em direcção ao monte que Jesus lhes indicara. Quando O viram, adoraram-n’O; mas alguns ainda duvidaram. Jesus aproximou-Se e disse-lhes: «Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. Ide e ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».

Caros amigos e amigas, hoje dia da Ascensão, Jesus subiu ao céu. Suba também com Ele o nosso coração, para que estando ainda na terra possamos já descansar com Cristo no céu (Sto. Agostinho).

Interpelações da Palavra
Recomeçar da Galileia
Os discípulos partem para a Galileia, o lugar do encontro e do enamoramento onde tudo tinha começado: ali eles tinham lido no olhar de Jesus as rotas da plenitude e, deixando tudo, seguiram-No. Agora, Jesus fixa novo encontro neste lugar da vida e do amor primeiro, e não em Jerusalém onde o sonho parecia ter terminado. Ele bem sabe que as dúvidas e os medos daqueles homens com o coração amargurado são também as nossas. Por isso, mesmo no lugar mais distante, Deus continua a tocar apaixonadamente as periferias da nossa vida. E, se Jesus regressa ao Pai, leva todavia consigo a cor da nossa terra, as feridas contraídas por amor nas mãos, nos pés e no coração, o sabor dos nossos beijos, os de afecto e os de traição, o desejo ardente de estar sempre connosco… por isso Ele faz entrar na casa do Pai a nossa humanidade!
Jesus não partiu para uma região geográfica desconhecida, mas foi para o mais profundo do nosso coração, aquele lugar que nos leva a sair da nossa prisão egoística, rumo àquele amor que abraça o universo.

Ide, ensinai, baptizai… todas as nações!
Imagino a cara dos discípulos diante da imensa surpresa da missão. Apesar das suas fragilidades e contradições, Jesus oferece-lhes uma confiança nova, intacta e envia-os pelos caminhos da vida e da humanidade, até às fronteiras mais distantes da terra. O milagre do Evangelho é, então, prodigamente semeado nas sílabas da voz humana e nas frágeis mãos de cada pessoa.
Ainda hoje Deus convida a ir, a sair, a mergulhar na vida e no amor, sem que a nossa fragilidade O detenha. Ele sabe que a sua palavra é semente nova na nossa terra árida, fermento capaz de se deixar activar pelo Espírito.
Sim, ir e sair pois só saindo encontraremos a vida que nos precede! Só mergulhando descobriremos o oceano de amor! Só caminhando alcançaremos a terra prometida e o irmão, o lugar onde Deus se pode encontrar.

Eu estou sempre convosco
No fim do Evangelho descobrimos que a promessa inicial de Deus – ser o Emanuel, o Deus connosco – se mantém. Ele não se satisfaz com visitas fortuitas, mas promete estar presente todos os dias, dia após dia, de luz e de trevas, de presença e de silêncio. Jesus não assegura coisas, riquezas, comodismos; afiança antes uma relação e uma companhia: Eu estou sempre convosco! Nunca mais estaremos sós. Nunca mais um Deus distante, separado, esquecido no alto dos céus, mas sim amassado com a humanidade. Céu e terra reproduzidos, multiplicados e engendrados juntos.
Desta união, o homem sairá recoberto de céu, porque o Filho se revestiu da humanidade. Em Jesus as realidades celestes beijaram a terra e as terrestres foram elevadas à intimidade de Deus. Maravilhosa missão que nos é confiada: criar laços com a eternidade, enamorar-se do céu, ser escada do paraíso, anunciar uma verticalidade de esperança aos caídos na fragilidade. A missão é salvar um pedaço do céu na nossa vida e fazer nascer uma semente de éden no coração da humanidade.

Ainda hoje, Deus mete os seus passos nas nossas pegadas. Basta subir e descer a humanidade de Cristo para encontrar a bênção de Deus. E isso, caros amigos e amigas, é Evangelho!

Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Senhor, novamente marcas encontro para acender no meu olhar apagado, o fogo do teu Espírito!
És um Deus que não encerra a minha história de infidelidade, tu reabilitas em mim a confiança.
Maravilha-me que, mais uma vez, confies nas minhas mãos egoístas e nos meus pés indecisos,
que me incumbas de ser mensagem tua, roteiro da tua presença, expressão do teu amor.
Assumes o meu presente com a tua presença. Tu envias-me: não toleres que adormeça em mim,
quero percorrer contigo as estradas, ensina-me o poder do amor, a ser presença, a buscar e a ser céu.

Viver a Palavra

Vou dar razões da esperança a todos os que se cruzarem com a minha vida.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

VI Domingo Páscoa A



Evangelho segundo S. João 14, 15-21
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se Me amardes, guardareis os meus mandamentos. E Eu pedirei ao Pai, que vos dará outro Paráclito, para estar sempre convosco: Ele é o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece, mas que vós conheceis, porque habita convosco e está em vós. Não vos deixarei órfãos: voltarei para junto de vós. Daqui a pouco o mundo já não Me verá, mas vós ver-Me-eis, porque Eu vivo e vós vivereis. Nesse dia reconhecereis que Eu estou no Pai e que vós estais em Mim e Eu em vós. Se alguém aceita os meus mandamentos e os cumpre, esse realmente Me ama. E quem Me ama será amado por meu Pai, e Eu amá-lo-ei e manifestar-Me-ei a ele».

Caros amigos e amigas, as palavras do Evangelho de hoje são para saborear pacientemente no coração. Jesus tem uma única preocupação: amar! O amor faz de nós alguém: filhos e irmãos.

Interpelações da Palavra

“Se me amardes guardareis os meus mandamentos”
Como é estranho aos nossos ouvidos este discurso de Jesus! Sim, naquele “se” tão pequeno e frágil, respeitoso da liberdade, paciente e confiante, Jesus não ameaça nem obriga, apenas convida. O amor é dom e escolha! O Mestre não está preocupado em descrever o conteúdo dos mandamentos, nem em elencar um decálogo, desafia antes a fazer da vida uma parábola de amor e comunhão. Se em cada gesto e em cada palavra houver uma semente de amor então as mesmas ganham um ardor novo, uma beleza impensável, fazem vibrar a vida. Amar transforma a vida, perdoa os inimigos, abraça os humildes, renova os condenados, seca as lágrimas, põe o coração a arder, abre ao infinito! Sim, se amares sentirás o pulsar do coração de Deus em ti!

“Paráclito e Espírito de verdade”
Nos julgamentos hebraicos, quando era pronunciada uma sentença, acontecia por vezes que um homem de boa reputação incontestada colocar-se junto do acusado defendo assim a sua causa. A esta pessoa chamava-se o “paráclito”. Este testemunho silencioso e convincente confundia os acusadores. No Evangelho encontramos também Jesus como paráclito da mulher acusada de adultério que, em silêncio, escreve com o dedo no chão. Agora, pede ao Pai para enviar outro paráclito que, discretamente, está junto de nós, como testemunha silenciosa da verdade. O Espírito é assim o dedo de Deus que, ainda hoje, escreve sobre o pó do nosso coração as palavras de uma aliança nova. É Ele que grava na nossa vida um amor total que nunca poderá ser esquecido. É o Espírito que consola, exorta, encoraja, está ao nosso lado, dá alegria à vida.
O Espírito Santo recorda-nos as palavras de Jesus de que não estamos sós, faz-nos penetrar no mistério divino abrindo-nos a inteligência e o coração. O Espírito é como uma música que ressoa na história, em todos os tempos e em cada pessoa, abrindo para horizontes nunca antes explorados. Ele é a harmonia que faz bela a vida.

“Não vos deixarei órfãos”
Como são consoladoras as palavras de Jesus que nos recordam a identidade de filhos! Estar no Pai, estar com quem se ama, é não morrer de solidão, abandonado ou esquecido. A Igreja, casa da família, não é um lugar para os órfãos ou para os sem-abrigo. Ali vive-se e procura-se viver o sonho de Deus: que ninguém seja só, mas unido e habitado pela sua presença de amor. Porque o amor faz-se sempre densidade de presença para o amado, faz-se morada e alimento.

A presença de Deus não se conquista, não se compra, não está longe. Acolhe-se dentro, naquele lugar onde o Espírito sussurra repetidamente no nosso coração: “Abbá – Pai”. E isso, caros amigos e amigas, é Evangelho!

Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Senhor, no cinzento aflitivo do medo, na secura egoísta do hoje, não estou só.
Senhor, na mentira intoxicante da competição, na rota incompreendida de cada ser, não estou só.
Senhor, na teimosia da solidão disfarçada, no silêncio gritante da dor, não estou só.
Não estou só, Senhor, porque me amas, me acompanhas e lanças sobre mim o Espírito de Paz.
Não estou só, Senhor, porque me amas, me conheces e convidas ao amor, no Espírito de luz.
Não estou só, Senhor, porque me amas e me presenteias com a luz de cada dia!

Viver a Palavra

Vou ser instrumento de paz, eco do Espírito Santo em cada irmão que se sinta só.