segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Natal do Senhor - Ano B



Naqueles dias, saiu um decreto de César Augusto, para ser recenseada toda a terra. Este primeiro recenseamento efectuou-se quando Quirino era governador da Síria. Todos se foram recensear, cada um à sua cidade. José subiu também da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, por ser da casa e da descendência de David, a fim de se recensear com Maria, sua esposa, que estava para ser mãe. Enquanto ali se encontravam, chegou o dia de ela dar à luz e teve o seu Filho primogénito. Envolveu-O em panos e deitou-O numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria. Havia naquela região uns pastores que viviam nos campos e guardavam de noite os rebanhos. O Anjo do Senhor aproximou-se deles e a glória do Senhor cercou-os de luz; e eles tiveram grande medo. Disse-lhes o Anjo: «Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura». Imediatamente juntou-se ao Anjo uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus, dizendo: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados».

Caros amigos e amigas, no Natal a história de Deus veste-se da humildade da história humana e convida-nos a descobrir a beleza gratuita do amor de uma criança.

Interpelações da Palavra

Deus vem como mendigo de amor!
Já não aguentava mais, não conseguia mais reprimir o desejo de ser o Emanuel, o Deus connosco, num eterno dom de amor! Decididamente vem ao nosso encontro naquele espaço que é verdadeiramente nosso: a vida humana! Sim, Deus quis amar-nos com um coração de carne e, por isso se faz fome, gemido, lágrima, necessidade, carícia, na ingénua fragilidade de uma criança. Admirável inversão de lugares: a potência cede o lugar à fragilidade, o eterno entra no tempo, o criador torna-se criatura, o universo cabe numa manjedoura! Deus faz-se imagem e semelhança dos homens! Agora cada pessoa é uma janela do céu! No ténue batimento do coração humano bate agora o coração divino! “O nosso coração está ferido da beleza e do amor infinito de Cristo” (Tolentino Mendonça). Deus toma o lugar do homem, aquele mais frágil, pobre e excluído, para lhe dar o lugar no céu.

O sorriso de Deus numa criança
Maria acaricia a pele do menino, escuta cada pequeno gemido, acolhe a frágil humanidade de Deus. José, com infinito respeito e coragem, abraça-o junto do coração com ansiedade e esperança. Eles sabem que aquele bebé, carne da nossa carne, tornou-se morada do Altíssimo! O invisível repousa agora no sorriso de uma criança. Em Jesus, eternamente surpreendente, é narrado o Deus que se deixa tocar e beijar, acariciar e abraçar, dependente completamente do homem, sujeitando-se a nascer para que o homem possa nascer de novo. E de natal em natal, gerar em nós filhos de Deus!
Ecoa ainda aquela melodia celestial entoada pelos anjos que inaugura um mundo novo. Os anjos cantam Jesus e cantam também por mim e por ti sempre que renascemos fazendo florescer o futuro! E os pastores numa humilde liturgia deixam-se contagiar pelo canto peregrinando até ao Deus peregrino do homem!

Ser o presépio de Deus
Não havia lugar para a Sagrada Família porque não há lugar para aquele que nasce do céu! A escandalosa pobreza do Filho de Deus na manjedoura contrasta com a esplendorosa glória cantada pelos anjos. Pobreza e glória estão agora eternamente abraçados, para sempre inseparáveis. Nas mãos daquela criança, o abismo da nossa miséria acolhe a ilimitada misericórdia! Um estábulo da periferia torna-se o paraíso quando Deus é acolhido! A noite mais escura não impedirá que resplandeça a luz!
A gruta de Belém continua aberta ao mundo, à espera que eu e tu entremos! “Ah, se o teu coração pudesse tornar-se presépio, Deus mais uma vez, nesta terra, tornar-se-ia criança” (Silésio)! E contigo, caro amigo e amiga, viveria o Evangelho!

Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Doce Menino de Belém, quem me dera contemplar-te com o mesmo olhar de Maria e de José!
Quero visitar a aurora que me visita, pressurosamente como os pastores e os magos,
Hei-de cantar e anunciar a todos, como os Anjos, a imensa alegria da luz que rasga a noite,
Quero abraçar o teu mistério como a manjedoura que acolheu a tua humildade…
Quero permanecer junto de ti, receber de ti, dar-me a ti, aprender de ti, crescer em ti, viver de ti!

Viver a Palavra

Vou honrar o nascimento de Jesus através de gestos concretos de proximidade com os irmãos mais humildes.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

IV Domingo Advento A


Evangelho segundo S. Lucas 1, 26-38
Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José, que era descendente de David. O nome da Virgem era Maria. Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril; porque a Deus nada é impossível». Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra».

Caros amigos e amigas, no caminho de Advento, acompanha-nos Maria. O diálogo íntimo entre a virgem de Nazaré e o Anjo é um convite a não desperdiçar o momento favorável dos encontros decisivos, a abrir o coração à surpresa de um amor que nos ultrapassa e a responder totalmente com plena alegria!

Interpelações da Palavra
“Ave, cheia de graça”!
Num recanto esquecido da Galileia, quando ainda se sentia o perfume das núpcias de José e Maria, o mensageiro celeste, atordoado pelas vertigens de tão nobre missão, declara o júbilo divino diante do coração da humilde criatura: “Alegra-te! És a cheia de graça”! A primeira palavra de Deus é sempre um convite à alegria! Quando Ele vem a vida fica cheia de graça, floresce de alegria, torna-se fonte de beleza.
Por seu lado, a jovem de Nazaré acolhe a doce melodia do Anjo ainda que perturbada por tão grande anúncio e surpresa! Perplexa porque, em Maria, Deus inclina-se diante da serva, o Sol enamora-se da beleza humana, o Criador entrega-se totalmente à fragilidade da criatura! De facto, Deus diz sim a Maria antes que ela dê qualquer resposta ao jubiloso anúncio. Ele continua a dizer sim à alegria de cada um de nós!
Ainda hoje, Deus não vem lamentar-se, mas vem alegrar e encher de vida a existência. Também nós somos cheios de graça, grávidos de céu, ricos apenas da gratuidade amorosa de Deus.

Ave!... Não temas!... Darás à luz!...”
São estas as palavras que Maria acolhe no silêncio e na entrega. São sempre estas as palavras de Deus dirigidas a mim e a ti. Sim, alegra-te, multiplica a alegria, vive de júbilo, exulta de amor! Sim, não temas, não temas principalmente o amor, porque quando Deus está presente o medo se dissolve, porque não estás só! Sim, resplandecerá à tua volta a vida e ela brilhará fecunda, frutuosa e doce!

“Eis! Faça-se!”
Em Maria, Deus encontra uma casa, um lugar feito de humanidade, de humildade, de alguns medos e de tanta disponibilidade. Maria é a casa de Deus e, no seu seio, é lançada a semente da vida nova! Nada e ninguém será agora estéril! Nela, céu e terra se encontram, se amam e abraçam. Dentro do silêncio, na arte materna do acolhimento e na disponibilidade de servir, Maria é toda de Deus! O Amor conquista totalmente Maria e ela entrega-se: eis o meu corpo, antecipando a entrega eucarística do seu Filho na última ceia e no calvário.
Deus é ainda hoje mendigo da nossa humanidade, procura em nós a casa da eternidade, convida à alegria de um abraço que regenera e faz resplandecer a vida.
O Anjo terá regressado ao céu entoando o sim maternal de Maria na disponibilidade em tecer no seu seio o Filho de Deus e a nova humanidade! Apressemo-nos também nós, amigos e amigas, a gerar o advento do Evangelho!

Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Senhor, ofereces-me como regaço de paz e de esperança, a mãe do Rei,
ofereces-me como educadora da alegria, a serva do canto de louvor.
Senhor, quero com Ela aprender a música do salmo da esperança
entoado em cada gesto de acolhimento de ti, em mim e no irmão.
Quero com Ela aprender a letra do salmo do serviço
que se declama na criatividade de primeirear a doação gratuita de mim.
Senhor, também quero, como Ela fazer-me terreno de vida, fecundidade,
entrega ao teu desígnio, casa da eternidade, missionário da alegria e da esperança.

Viver a Palavra

Vou semear esperança nas situações limites de discórdia e desolação.

sábado, 13 de dezembro de 2014

III Domingo Advento B


Evangelho segundo S. João 1, 6-8.19-28
Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. Foi este o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram, de Jerusalém, sacerdotes e levitas, para lhe perguntarem: «Quem és tu?». Ele confessou a verdade e não negou; ele confessou: «Eu não sou o Messias». Eles perguntaram-lhe: «Então, quem és tu? És Elias?». «Não sou», respondeu ele. «És o Profeta?». Ele respondeu: «Não». Disseram-lhe então: «Quem és tu? Para podermos dar uma resposta àqueles que nos enviaram, que dizes de ti mesmo?». Ele declarou: «Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Endireitai o caminho do Senhor’, como disse o profeta Isaías». Entre os enviados havia fariseus que lhe perguntaram: «Então, porque baptizas, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?». João respondeu-lhes: «Eu baptizo na água, mas no meio de vós está Alguém que não conheceis: Aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias». Tudo isto se passou em Betânia, além do Jordão, onde João estava a baptizar.

Caros amigos e amigas, a figura de João Baptista marca o tempo de advento com o seu alegre desejo de Deus, preparando e indicando a Sua presença no meio de nós.

Interpelações da Palavra
Enviado por Deus… para dar testemunho da luz
Admirável missão de João Baptista, a de ser anunciador não do mal, pecado ou tristeza, mas profeta do sol, anunciador da luz, testemunha do futuro, precursor de um Deus enamorado e discreto no meio do seu povo.
O nosso tempo é tempo de luz. O outro é sempre uma testemunha, alguém através do qual nos chega uma palavra que nos faz olhar para a frente, nos faz sair do recinto das seguranças, levando-nos a entrever a salvação que vem ao nosso encontro. Todos somos convidados a ser profetas da luz que regenera a vida! Como João mais vale acender uma pequena vela do que maldizer toda as sombras, mais vale entrever o brilho de uma estrela do que amaldiçoar a noite, mais vale semear um raio de sol do que disseminar percursos de escuridão, mais vale ser voz que dá testemunho da luz do que arrastar o mundo numa eterna via-sacra.

Quem és tu?
Pergunta irritante e repetida continuamente. Contudo, João com as peles esticadas pelo jejum, coberto de couro de camelo e com a voz cavernosa que ecoava como um trovão na vasta solidão do vale até ao Jordão, apenas repetia: não sou, não sou, não sou! Esta é a elegante resposta de quem conhece o seu humilde lugar no mundo pois ninguém se diz a si mesmo! Só quando reconhecemos que não temos todas as respostas é que nos colocamos à procura, dispostos a andar mais longe, pedindo a esmola de uma voz que nos diga quem verdadeiramente somos! Na verdade, somos apenas paciência e espera, frenesim e sonho, sorriso frágil e inquietação diante d’Aquele que vem ao nosso encontro para nos revelar a nossa identidade de filhos!
João era apenas a voz emprestada a Deus, mas voz grávida de esperança e alegria pela Sua vinda.

A filigrana da alegria
João não é um profeta das desgraças, trombudo e triste. Pelo contrário, toda a sua vida está intimamente ligada à alegria: “Terás alegria e júbilo” anuncia o Anjo ao seu incrédulo pai Zacarias; “João exultou de alegria” no seio de sua mãe Isabel quando ao seu encontro veio de Nazaré a prima Maria, dando-lhe assim o tom para a alegria do Magnificat; e na despedida do mundo, antes de ser decapitado, ele grita: “o amigo do Esposo exulta de alegria com a voz do esposo. Agora a minha alegria está completa”. Aquele que vivia nas margens do Jordão, junto da terra prometida, na fronteira da sala de núpcias, fica à porta para melhor nos indicar o caminho de um mundo novo, cheio de alegria. João abre a porta d’Aquele que nasce em nós quando abrimos o coração e escutamos a voz de Deus. Ele é, caros amigos e amigas, o precursor da alegria do Evangelho!

Rezar a Palavra e contemplar o Mistério

Senhor, os rumores que te anunciam vestem novamente o meu coração com a alegria,
a proximidade da tua voz faz estremecer o ambiente, com o hálito de um mundo novo!
E eu salto, seja deserto ou seja jardim, pois a tua presença tudo cobre de perfumes.
Senhor, faz-me instrumento da tua paz, transparência da tua misericórdia,
faz-me estandarte da tua alegria, sinal de que não abandonas os que te esperam.
Que o mundo possa ver nos meus gestos, palavras e sorrisos a cor tua proximidade!
A tua paz está rente à minha esperança, a tua vinda está junto à minha aceitação:
que pela minha voz se possa respirar, de novo, na nossa terra o sopro do Evangelho.

Viver a Palavra

Vou cuidar que cada um que me encontre veja em mim a profecia da alegria de Deus.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Imaculada Conceição



Evangelho segundo S. Lucas 1, 26-38
Na tarde daquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José, que era da descendência de David. O nome da Virgem era Maria. Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo.
O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?». O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril; porque a Deus nada é impossível». Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra».

Caros amigos e amigas, em Maria encontramos a beleza que Deus espera da humanidade. Mas ela é mais do que um modelo a imitar. Ela é aquele regaço que nos segreda Jesus, é aquele ouvido que nos escuta a fragilidade, é aquela decisão que nos pede para “fazer o que Ele disser”, é enfim aquele esteio inabalável a quem no Calvário nos podemos encostar.

Interpelações da Palavra
De portas abertas
Depois de apresentar a jovem de Nazaré, Lucas refere que o Anjo pôde entrar “onde ela estava”. E este detalhe não é desprezível. Ele deixa-nos perante alguém que pratica a hospitalidade para com Deus. Maria é uma jovem de portas abertas ao mistério de Deus, capaz de correr o risco de receber uma voz, um pedido, um desafio… Ser pessoas de portas abertas para Deus é realmente um risco repleto de oportunidades. Trata-se de uma atitude bem diferente daqueles que se gradeiam nas suas seguranças, na sua autossuficiência. Ter as portas abertas permite que a brisa do Espírito de Deus dance em nossa casa e traga vozes e apelos. As portas abertas, se permitem que alguém entre, também permitem que saia. Elas significam essa disponibilidade para a liberdade dos outros.
E no fim, o Anjo pôde sair, deixou-a nesse espaço da fé, em que apenas Ela e Deus poderiam dialogar…

Que saudação seria aquela
A avaliar pela perturbação de Maria, a saudação do Anjo foi algo de inesperado, de inusual. Isto dá-nos uma ideia de como o Anjo ficou deslumbrado à vista de Maria. O Anjo, que vinha do Céu, pôde surpreender-se ao encontrar o mesmo Céu em Maria, de uma forma plena… a plenitude da Graça e a plenitude da presença de Deus, são o céu. Maria está repleta de Deus, Ele é omnipresença em si. A cheia de Graça, com quem o Senhor está, manifesta o Céu. Sem títulos de nobreza, sem recursos extraordinários, sem maquilhagens, apenas o seu ser entregue ao artista divino que a pôde adornar de todas as graças.
Amigos e amigas, Maria é a escola para frequentar o Céu. Ela é o estágio da salvação, Ela é aquele aroma que aos nossos sentidos revela a grandeza da peregrinação só iniciada, e que avança com um “faça-se”. Ela é o cálice que acolhe o vinho novo, generoso, o vinho da alegria e da festa que será sangue no calvário: é o testemunho de que a humanidade é capaz de acolher a Deus e tornar-se percurso da sua salvação. Aproximar-nos de Maria é muito mais que devoção de piedade: é entrar no mistério do Verbo de Deus que se faz “carne” que vem “habitar entre nós”.

Eis a Escrava do Senhor, faça-se…
Esta é a mais bela frase de amor, o mais belo canto que a criatura pode entoar ao seu criador! Aqui está encerrado todo o “magnificat”, todo o reconhecimento da grandeza de Deus e toda a disponibilidade para se entregar a ela. Maria é toda de Deus. Ela não põe limites à acção de Deus em si própria.
Amigos e amigas, Maria testemunha-nos que não é o reconhecimento da nossa pequenez que nos faz pequenos, mas que faz participar, na única grandeza de Deus, o nosso ser realmente pequeno, porém amado num amor levado até ao extremo. Ela é a “mãe do amor formoso”, ela transpira para nós o suave odor do Evangelho!


Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Senhor, eis-me ouvido e regaço para acolher a mensagem sempre nova do teu propor.
De Maria, a Cheia de Graça, aprendo a perturbação da fé que me faz aproximar do Teu projeto.
aprendo a coragem na novidade que me torna, também, mãe na Palavra.
 aprendo a dúvida sedenta de verdade que me converte em tenda do Espírito.
De Maria, a Cheia de Graça, aprendo a disponibilidade gratuita que me lança na doação.
Senhor, faça-se em mim, como em Maria, segundo a Tua Palavra.

Viver a Palavra

Vou cuidar um coração grato e atento à novidade de Deus em cada irmão.