domingo, 4 de outubro de 2015
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
XXVI Domingo Comum B
Evangelho segundo S. Marcos 9,
38-43.45.47-48
Naquele tempo, João disse a Jesus: «Mestre, nós vimos
um homem a expulsar os demónios em teu nome e procurámos impedir-lho, porque
ele não anda connosco». Jesus respondeu: «Não o proibais; porque ninguém pode
fazer um milagre em meu nome e depois dizer mal de Mim. Quem não é contra nós é
por nós. Quem vos der a beber um copo de água, por serdes de Cristo, em verdade
vos digo que não perderá a sua recompensa. Se alguém escandalizar algum destes
pequeninos que crêem em Mim, melhor seria para ele que lhe atassem ao pescoço
uma dessas mós movidas por um jumento e o lançassem ao mar. Se a tua mão é para
ti ocasião de escândalo, corta-a; porque é melhor entrar mutilado na vida do
que ter as duas mãos e ir para a Geena, para esse fogo que não se apaga. E se o
teu pé é para ti ocasião de escândalo, corta-o; porque é melhor entrar coxo na
vida do que ter os dois pés e ser lançado na Geena. E se um dos teus olhos é
para ti ocasião de escândalo, deita-o fora; porque é melhor entrar no reino de
Deus só com um dos olhos do que ter os dois olhos e ser lançado na Geena, onde
o verme não morre e o fogo nunca se apaga».
Caros amigos e amigas, o tesouro
da Palavra deste Domingo convida-nos a fazer um exame de consciência sobre o
nosso grau de permanência no grupo dos “de Jesus”. Podemos estar dentro mas com
os pés, as mãos e até os olhos bem afastados da caridade, do Evangelho. A
caridade é a bandeira dos que “andam com Jesus”.
Interpelações da Palavra
Não anda
connosco
Depois
de tentar ensinar os discípulos sobre quem é realmente o primeiro, Jesus vê-se
agora confrontado com o tema de quem anda com Ele ou não anda, quem pode curar
e quem não pode. Apesar dos esforços do Mestre em ensinar o valor do serviço e
do acolhimento, os discípulos acabam por não entender o Espírito que os anima.
Depois do “primeiro e do último”, surge a discussão do “dentro e fora”. O
relato de Marcos é iluminador. Ver um desconhecido que “não anda connosco” a
expulsar demónios é realmente um abuso e pode ser uma ameaça ao grupo… É uma
intromissão que é necessário impedir, cortar, deitar fora! Quantas vezes nos
preocupamos demasiado e gastamos rios de energia na “fiscalização da fé”.
Apontamos o dedo, passamos rasteiras e olhamos de lado aos que, mesmo fora do
grupo, do nosso partido, da nossa paróquia, da nossa sacristia, praticam o bem,
semeiam a caridade, libertam e curam. É tempo de recordar as palavras sábias do
Papa Bento XVI: “a maior perseguição da Igreja não vem de inimigos externos,
mas nasce do pecado na Igreja, e que a Igreja, portanto, tem uma profunda
necessidade de re-aprender a penitência, de aceitar a purificação, de aprender
por um lado o perdão, mas também a necessidade de justiça”.
A bandeira da caridade
Jesus
rejeita a posição sectária e excludente dos discípulos, que só pensam no seu
prestígio e crescimento e propõe uma postura de acolhimento e abertura
inclusiva: “Quem não é contra nós é por nós”. Fora da Igreja há um número
imenso de pessoas de boa vontade, corações cheios de humanidade e que
transbordam caridade. Neles está vivo e escrito o nome de Jesus, pois defendem
os valores humanos, o perdão e a fraternidade, tal como Jesus. A bandeira da
caridade não tem fronteiras nem partidos, porque o amor é universal. Não
podemos viver condenando iniciativas que ferem o “desde sempre” ou que não se
ajustam aos nossos modelos e medidas. Jesus convida-nos a alegrar-nos com o
bem, venha de onde vier. Faz bem quem é de bem, só ama quem se deixa revestir
pelo amor. O reino de Deus cresce também nos seres humanos de boa vontade que
levantam diariamente a bandeira da caridade no coração dos irmãos.
Mutilados pelo Espírito
Mas
há mãos, pés e olhos que são escândalo, mesmo pertencendo aos que “andam com
Jesus”. Não serão os nossos, caros amigos e amigas? Não seremos nós ocasião de
escândalo quando esmorecemos a caridade e desistimos do perfume da missão? As
mãos que não abençoam, não curam, não tocam os excluídos precisam ser cortadas.
Há pés que não caminham para estar perto, não procuram os perdidos: precisam
ser cortados. Há olhos que nunca veem ternura, não detetam o amor e o Evangelho:
precisam ser arrancados. É sempre possível a fidelidade ao Mestre, desde que
nos deixemos “mutilar” e purificar pelo Espírito. Temos que reaprender a nossa
identidade sem extremismos, mas também sem nos deixarmos dissolver no “tudo
vale”. Urge valorizar a pertença ao grupo dos que “andam com Jesus”, dos que
permaneceram em casa do Pai até ao dia da festa do irmão mais novo e fazer
festa sem condenar, acolher com um coração maravilhado e cantar o Evangelho.
Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Senhor, mata o escândalo que
dentro da minha mente me impede o acolhimento;
Corta o que, de dentro dos
meus pés, os prende ao comodismo e à passividade;
Ceifa o que de dentro das
minhas mãos as gradeia no egoísmo e na posse;
Arranca tudo o que de dentro
dos meus olhos não os deixa contemplar.
Dá-me, Senhor, um coração
puro, veste-me com o traje nupcial do teu amor!
Viver a Palavra
Vou afinar a minha
sensibilidade para reconhecer e encorajar tanto bem que existe à minha volta.
sábado, 19 de setembro de 2015
XXV Domingo Comum B
Evangelho segundo S. Marcos 9, 30-37
Naquele tempo, Jesus e os seus discípulos caminhavam
através da Galileia. Jesus não queria que ninguém o soubesse, porque ensinava
os discípulos, dizendo-lhes: «O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos
homens, que vão matá-l’O; mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará». Os
discípulos não compreendiam aquelas palavras e tinham medo de O interrogar.
Quando chegaram a Cafarnaum e já estavam em casa, Jesus perguntou-lhes: «Que
discutíeis no caminho?». Eles ficaram calados, porque tinham discutido uns com
os outros sobre qual deles era o maior. Então, Jesus sentou-Se, chamou os Doze
e disse-lhes: «Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de
todos». E, tomando uma criança, colocou-a no meio deles, abraçou-a e
disse-lhes: «Quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe; e
quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Àquele que Me enviou».
Caros amigos e amigas, quantas vezes
desconversamos perante Deus, face às exigências da missão que Ele nos confia!
No Evangelho de hoje Jesus afronta uma delicada questão que sempre temos
tendência em trazer à cena, as questões de precedências. Jesus elege o serviço
e a simplicidade como critérios de grandeza.
Interpelações da Palavra
Tinham receio
de o interrogar
Os
discípulos sabem, por experiência, como é arriscado fazer perguntas a Jesus ou dar-lhe
conselhos. Ele nunca lança propostas a meias medidas. Ele não condescende com a
mediocridade do assim-assim. A Palavra de Jesus é tão acutilante que ainda hoje
preferimos ficar com as nossas dúvidas engavetadas na ignorância e no pretexto
da timidez do que confrontar-nos com uma resposta da parte de Jesus que sabemos
que sempre nos comprometerá. Ainda hoje este receio de O interrogar nos embota
o crescimento. Tememos que Jesus nos dê a lição da humildade. Tememos o que Ele
nos possa pedir, vamos deixando fluir uma vida de fé morna, recitando um constante
“logo se verá” que não quer fechar caminhos, mas não tem a ousadia de os rasgar.
O maior é aquele que mais ama
Tal
como os discípulos, ainda hoje perdemos tanto tempo em discussões sobre
precedências entre idades, estatutos, medalhas e borlas… Quantas vezes isto é
causa de melindres, de amuos e de guerras, mesmo no seio da Igreja! Há um
descaramento que herdámos destes apóstolos de Jesus continuando a gerir tão mal
as nossas ambições! E o critério de Jesus é tão simples quando nos diz que o
maior é aquele que mais serve. O nosso problema nem é tanto servir. Até servíamos
sem parar, mas logo nos vem ao pensamento que aquele que mais serve não é
aquele que tem mais aplausos, não é aquele que tem mais honras, não é aquele
que é mais considerado. Os nossos lugares cimeiros são ocupados por gente
engenhosa, capaz de passar por cima dos outros. Quantas vezes testemunhamos que
aquele que mais serve parece ser o mais insensato, em frases como “não te mates
muito porque ninguém te agradece!” Como entender a “importância” do serviço no
escondimento? Há só uma forma de o entender e de saber que a Deus nunca é
agradável o trabalho do escravo, do que luta por um agradecimento, porque o
maior é aquele que mais ama e nunca se pode compreender um serviço sem amor.
Sim, se amo, sou feliz a servir, porque o servir é uma expressão de amor.
Ter um coração de menino
Jesus
senta-se, não fala de cima. Senta-se para que os amigos possam estar ao nível
dos seus olhos e compreendam o que é disponibilizar um regaço para o pequeno. Talvez
as chicotadas da vida, as traições dos outros, a consciência da fragilidade nos
façam reagir de modo a sentir-nos maiores, capazes de resistir a embates. As
manhas enferrujaram-nos a inocência, os vícios do calculismo instalaram-se,
procuramos adestrar a defesa perante os outros. E Jesus revela-nos que o
importante é sermos pequenos, capazes de receber o outro, desarmados, para que
ele se sinta em casa, quando instalado no conforto do nosso coração. Precisamos
de uma esperteza sim, mas não é a aprendida nas cartilhas da astúcia, é aquela
que procura conquistar o Reino de Deus através de uma inocência que não é
ingenuidade. Amigos e amigas, precisamos de pedir a Deus em cada manhã, com o
pão de cada dia, aquela dose de inocência capaz de nos lubrificar a confiança,
a tolerância, a misericórdia e o perdão. A engrenagem da Igreja fica perra, a
sua caridade deixa de fluir se os nossos “interesses” bloqueiam a misericórdia,
porque a misericórdia é o sumo do Evangelho!
Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Senhor, que caminhas para
Jerusalém semeando bondade, tem piedade da minha mesquinhez.
Que quando procuro sobrepor-me
aos outros sejas Tu o meu limite…
Senhor, Tu que não procuras
ser servido mas servir, envolve-me na alegria da tua entrega.
Que quando procuro
recompensas, Tu sejas o meu prémio.
Senhor, Tu que me lavas os
pés, e carregas o peso da minha maldade, liberta-me do egoísmo.
Que quando procuro fugir à
cruz e à morte, sejas a minha Ressurreição!
Viver a Palavra
Quero servir com
alegria e optar pela liberdade de não esperar recompensas pela minha
entrega.
domingo, 6 de setembro de 2015
XXIII Domingo Comum B
Evangelho segundo S. Marcos 7, 31-37
Naquele tempo, Jesus deixou de novo a região de Tiro
e, passando por Sidónia, veio para o mar da Galileia, atravessando o território
da Decápole. Trouxeram-Lhe então um surdo que mal podia falar e suplicaram-Lhe
que impusesse as mãos sobre ele. Jesus, afastando-Se com ele da multidão,
meteu-lhe os dedos nos ouvidos e com saliva tocou-lhe a língua. Depois,
erguendo os olhos ao Céu, suspirou e disse-lhe: «Effathá», que quer dizer
«Abre-te». Imediatamente se abriram os ouvidos do homem, soltou-se-lhe a prisão
da língua e começou a falar correctamente. Jesus recomendou que não contassem nada
a ninguém. Mas, quanto mais lho recomendava, tanto mais intensamente eles o
apregoavam. Cheios de assombro, diziam: «Tudo o que faz é admirável: faz que os
surdos oiçam e que os mudos falem».
Caros amigos e amigas, ouvir, escutar é condição
prévia para falar. Talvez este Evangelho nos permita pedir ao Senhor que rompa
a nossa surdez para que, uma vez capazes de ouvir a sua Palavra, possamos
anunciar, com credibilidade e coragem, as suas maravilhas.
Interpelações da Palavra
Um Jesus em saída
Não
é a primeira vez que surpreendemos Jesus em deambulações por territórios
“proibidos” para a ortodoxia judaica. Para aquele tempo de horizontes fechados,
o Mestre anuncia claramente que está “em saída” para fazer do mundo a sua
pátria e das terras dos famintos da palavra o seu púlpito. É neste território
da Decápole, terra de pagãos inveterados, que Ele se depara com uma surdez-mudez
não apenas passível de se abrir à sua Palavra, mas capaz de a “apregoar
intensamente”. Este Evangelho desafia os agentes da Evangelização a suprimirem
todo o cepticismo esterilizante, a não “escolherem” locais “mais propícios”
para a sementeira da palavra. Afinal, temos é de abandonar-nos ao movimento do
Espírito que “sopra onde quer” e continua a surpreender as nossas lógicas e
programas.
Um surdo que
mal podia falar…
Tocar-lhe
com os dedos, onde a sensibilidade do tacto é mais intensa, colocar-lhe na
língua a sua própria saliva são sinais de um profundo envolvimento. Tudo nos
faz recordar a criação do ser humano. O milagre torna-se um ícone da criação.
Este surdo-mudo é recriado, ganha a fisionomia original. Mas seria apenas uma
cura física? As preces mais imediatas são pelos males físicos. Ambicionamos o
bem estar, a ausência de dor e pedimos milagres apenas com este fim. No
entanto, todos nós somos portadores de chagas íntimas para as quais nem nos
lembramos de pedir socorro. Pedimos ninharias, bens temporais que se esfumam, e
não pedimos o Espírito Santo! A nossa surdez espiritual, a nossa gaguez para o
testemunho precisam do remédio da saliva de Jesus, empapada de Palavra,
precisam do toque sensibilíssimo dos seus dedos, que destilam a caridade,
precisam do som da sua voz que acorda o caos. E nós também podemos ser
instrumentos de Jesus para que outros possam abrir-se. E isto não se faz sem
atenção e solicitude.
Effathá!
Só
Jesus pode encher as nossas palavras vazias, só Ele nos pode dizer novamente
abre-te. Não é um “abre-te Sésamo!” mágico, é uma verdadeira recriação. O verbo
vem num tom imperativo, mas nada tem a ver com uma ordem gratuita, é antes um
apelo à confiança. Este, como todos os milagres de Jesus, não é feito à
distância de uma varinha de condão. Jesus envolve-se profundamente nele e
demanda o envolvimento de outros. O milagre começa por uma oração de
intercessão: “trouxeram-lhe”! O surdo mudo está rodeado de uma comunidade
orante. Como é grande a força da oração de intercessão! Mas depois tudo se
desenrola na privacidade. Jesus retira-o, elege-o. Respeita-o ao ponto de o
preservar dos olhares alheios! O admirável Mestre dá ao miraculado o
protagonismo da cura. É como se dissesse: “Tens capacidade de te abrires, não
sou eu que te abro, apenas bato à tua porta. A abertura depende de ti, da tua
disponibilidade para o acolhimento.” Jesus pede sempre uma colaboração no
milagre, desde o vinho de Caná, pelo pão da multiplicação até ao milagre da
última Ceia. Quando eu peço um “dá-me pão” Ele dá… depois de me ensinar a
lançar a semente à terra e passada a faina da colheira e da cozedura. Caros
amigos e amigas é assim que Ele continua a dizer-nos: “Effathá!” ao toque
surpreendente da sua graça, à saliva fecundante do seu Evangelho!
Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Senhor, tenho dentro de mim
territórios pagãos que precisam da fertilidade da tua palavra,
Vem anunciar-me de novo a
alegria do imenso amor de Deus!
Senhor, tantas vezes os meus
critérios são obstáculo à força dos teus apelos,
Vem abrir o meu entendimento,
dá-me a docilidade de coração para te escutar e obedecer!
Senhor, há alturas em que os
medos me paralisam, o comodismo me desencoraja,
Vem acender a tua aurora nos
meus lábios, vem fecundar com a tua a minha mensagem!
Eis-me aqui, Senhor! Eis a
minha vida entregue à arte dos teus dedos criadores...
Viver a Palavra
Vou pedir ao Senhor
que me cure de toda a surdez e mudez espiritual.
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