sábado, 17 de outubro de 2015
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
XXIX Domingo Comum B
Evangelho segundo S. Marcos 10, 35-45
Naquele tempo, Tiago e João, filhos de Zebedeu,
aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: «Mestre, nós queremos que nos faças o
que Te vamos pedir». Jesus respondeu-lhes: «Que quereis que vos faça?». Eles
responderam: «Concede-nos que, na tua glória, nos sentemos um à tua direita e
outro à tua esquerda». Disse-lhes Jesus: «Não sabeis o que pedis. Podeis beber
o cálice que Eu vou beber e receber o baptismo com que Eu vou ser baptizado?».
Eles responderam-Lhe: «Podemos». Então Jesus disse-lhes: «Bebereis o cálice que
Eu vou beber e sereis baptizados com o baptismo com que Eu vou ser baptizado.
Mas sentar-se à minha direita ou à minha esquerda não Me pertence a Mim
concedê-lo; é para aqueles a quem está reservado». Os outros dez, ouvindo isto,
começaram a indignar-se contra Tiago e João. Jesus chamou-os e disse-lhes:
«Sabeis que os que são considerados como chefes das nações exercem domínio
sobre elas e os grandes fazem sentir sobre elas o seu poder. Não deve ser assim
entre vós: quem entre vós quiser tornar-se grande, será vosso servo, e quem
quiser entre vós ser o primeiro, será escravo de todos; porque o Filho do homem
não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção de todos».
Caros amigos e amigas, o Evangelho de hoje convida
a passar do desejo do sucesso para o sonho dAquele que se fez servo de todos
para nos dar a vida.
Interpelações da Palavra
Na glória, um à direita e outro à esquerda…
Dois irmãos
sonhadores, algo atrevidos e ingénuos, antes que fossem ultrapassados pelos
amigos, confiam a Jesus um pedido de promoção. João, mais místico e espiritual,
e Tiago, de carácter forte, têm a coragem de manifestar abertamente o que todos
os outros discípulos escondem secretamente no coração: arranjar um bom lugar no
reino dos céus. Mas quem de nós não sonhará com um bom lugar, se possível ao
sol, na glória de Deus?
Não sabeis o
que estais a pedir
Imagino o sorriso de
Jesus que não condena a ambição dos discípulos nem o seu desejo de serem os
primeiros. Com uma delicadeza pedagógica orienta-lhes a estrada e o olhar: quem
desejar ser grande ocupe o lugar do último; quem quiser ser o primeiro comece
por servir.
Estaremos prontos a
seguir tal caminho? Quem me dera ter a resposta “yes, we can” dos irmãos, dispostos a beber do cálice e do baptismo
de Cristo. Talvez não tivessem consciência que o primeiro lugar se conquista na
cruz. Estar à direita e à esquerda de Jesus implica acompanhá-lo no calvário do
dom de si. Ali o pobre torna-se o príncipe do reino e os humildes são herdeiros
da terra. O caminho de glória passa pelo maior gesto de amor: servir e dar
vida.
Servir a vida e dar vida
Imagino a
atrapalhação dos filhos de Zebedeu e dos outros discípulos, repetindo em
silêncio aquelas palavras: servir, ser o mais pequeno, o último, o escravo…
procurando entender o sonho divino. De facto, o mundo novo começa com Cristo
que se “despojou de si mesmo, assumindo a condição de servo” (Filipenses 2,7)
para servir a vida. De facto, a partir de baixo é mais fácil escutar o pulsar
da vida, aperceber-se dos ínfimos detalhes, viver a realidade da história. Afinal
as raízes vêm do chão. Do alto, pelo contrário, a distância aumenta e
amplifica-se a solidão. Deus, para se fazer próximo, põe-se de joelhos diante
de cada um, como para o fazer crescer desde a raiz. Dali de baixo, procura os
olhos de cada filho, procura as feridas da terra para ligá-las com tecidos de
luz. O seu império é aquele minúsculo espaço que lhe basta para nos lavar os
pés (Ronchi). Ainda hoje, Deus é o servo que semeia vida, mais vida, sempre e
apenas vida. E o divino semeador sabe que tem de começar
a partir da terra…
O sonho e a ambição
do evangelho é de uma humanidade onde cada um se inclina não diante dos poderosos
do mundo mas do último; vive para se ajoelhar aos pés do outro e beijá-los de
luz, na certeza que é mesmo ali que se encontra Jesus, e se está à sua direita
e à sua esquerda. Então, caros amigos e amigas, escutaremos da sua boca: “Servo
bom e fiel entra e participa na alegria do teu Senhor” (Mateus, 25,21)!É a
floração do Evangelho!
Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Senhor, Mestre da vida, quero
que me faças o que Te vou pedir:
Concede-me um lugar de serviço
e doação sem limites que confunda a minha sede de poder,
para obter a riqueza da
humildade e da gratuidade;
Concede-me um lugar de escravo
de todos que bloqueie a “corrida concorrente” ao primeiro,
para obter a graça da verdade
e da fraternidade.
Concede-me o lugar da partilha
generosa, que estende a estrada de mim até ao outro,
para obter a graça do
verdadeiro encontro que se faz comunhão.
Senhor, Mestre da vida, a teu
lado, o meu lugar é o Teu lugar, é o lugar do próximo…
Viver a Palavra
Hoje, vou tomar o
lugar do meu irmão e deixar que o outro seja mais.
domingo, 4 de outubro de 2015
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
XXVI Domingo Comum B
Evangelho segundo S. Marcos 9,
38-43.45.47-48
Naquele tempo, João disse a Jesus: «Mestre, nós vimos
um homem a expulsar os demónios em teu nome e procurámos impedir-lho, porque
ele não anda connosco». Jesus respondeu: «Não o proibais; porque ninguém pode
fazer um milagre em meu nome e depois dizer mal de Mim. Quem não é contra nós é
por nós. Quem vos der a beber um copo de água, por serdes de Cristo, em verdade
vos digo que não perderá a sua recompensa. Se alguém escandalizar algum destes
pequeninos que crêem em Mim, melhor seria para ele que lhe atassem ao pescoço
uma dessas mós movidas por um jumento e o lançassem ao mar. Se a tua mão é para
ti ocasião de escândalo, corta-a; porque é melhor entrar mutilado na vida do
que ter as duas mãos e ir para a Geena, para esse fogo que não se apaga. E se o
teu pé é para ti ocasião de escândalo, corta-o; porque é melhor entrar coxo na
vida do que ter os dois pés e ser lançado na Geena. E se um dos teus olhos é
para ti ocasião de escândalo, deita-o fora; porque é melhor entrar no reino de
Deus só com um dos olhos do que ter os dois olhos e ser lançado na Geena, onde
o verme não morre e o fogo nunca se apaga».
Caros amigos e amigas, o tesouro
da Palavra deste Domingo convida-nos a fazer um exame de consciência sobre o
nosso grau de permanência no grupo dos “de Jesus”. Podemos estar dentro mas com
os pés, as mãos e até os olhos bem afastados da caridade, do Evangelho. A
caridade é a bandeira dos que “andam com Jesus”.
Interpelações da Palavra
Não anda
connosco
Depois
de tentar ensinar os discípulos sobre quem é realmente o primeiro, Jesus vê-se
agora confrontado com o tema de quem anda com Ele ou não anda, quem pode curar
e quem não pode. Apesar dos esforços do Mestre em ensinar o valor do serviço e
do acolhimento, os discípulos acabam por não entender o Espírito que os anima.
Depois do “primeiro e do último”, surge a discussão do “dentro e fora”. O
relato de Marcos é iluminador. Ver um desconhecido que “não anda connosco” a
expulsar demónios é realmente um abuso e pode ser uma ameaça ao grupo… É uma
intromissão que é necessário impedir, cortar, deitar fora! Quantas vezes nos
preocupamos demasiado e gastamos rios de energia na “fiscalização da fé”.
Apontamos o dedo, passamos rasteiras e olhamos de lado aos que, mesmo fora do
grupo, do nosso partido, da nossa paróquia, da nossa sacristia, praticam o bem,
semeiam a caridade, libertam e curam. É tempo de recordar as palavras sábias do
Papa Bento XVI: “a maior perseguição da Igreja não vem de inimigos externos,
mas nasce do pecado na Igreja, e que a Igreja, portanto, tem uma profunda
necessidade de re-aprender a penitência, de aceitar a purificação, de aprender
por um lado o perdão, mas também a necessidade de justiça”.
A bandeira da caridade
Jesus
rejeita a posição sectária e excludente dos discípulos, que só pensam no seu
prestígio e crescimento e propõe uma postura de acolhimento e abertura
inclusiva: “Quem não é contra nós é por nós”. Fora da Igreja há um número
imenso de pessoas de boa vontade, corações cheios de humanidade e que
transbordam caridade. Neles está vivo e escrito o nome de Jesus, pois defendem
os valores humanos, o perdão e a fraternidade, tal como Jesus. A bandeira da
caridade não tem fronteiras nem partidos, porque o amor é universal. Não
podemos viver condenando iniciativas que ferem o “desde sempre” ou que não se
ajustam aos nossos modelos e medidas. Jesus convida-nos a alegrar-nos com o
bem, venha de onde vier. Faz bem quem é de bem, só ama quem se deixa revestir
pelo amor. O reino de Deus cresce também nos seres humanos de boa vontade que
levantam diariamente a bandeira da caridade no coração dos irmãos.
Mutilados pelo Espírito
Mas
há mãos, pés e olhos que são escândalo, mesmo pertencendo aos que “andam com
Jesus”. Não serão os nossos, caros amigos e amigas? Não seremos nós ocasião de
escândalo quando esmorecemos a caridade e desistimos do perfume da missão? As
mãos que não abençoam, não curam, não tocam os excluídos precisam ser cortadas.
Há pés que não caminham para estar perto, não procuram os perdidos: precisam
ser cortados. Há olhos que nunca veem ternura, não detetam o amor e o Evangelho:
precisam ser arrancados. É sempre possível a fidelidade ao Mestre, desde que
nos deixemos “mutilar” e purificar pelo Espírito. Temos que reaprender a nossa
identidade sem extremismos, mas também sem nos deixarmos dissolver no “tudo
vale”. Urge valorizar a pertença ao grupo dos que “andam com Jesus”, dos que
permaneceram em casa do Pai até ao dia da festa do irmão mais novo e fazer
festa sem condenar, acolher com um coração maravilhado e cantar o Evangelho.
Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Senhor, mata o escândalo que
dentro da minha mente me impede o acolhimento;
Corta o que, de dentro dos
meus pés, os prende ao comodismo e à passividade;
Ceifa o que de dentro das
minhas mãos as gradeia no egoísmo e na posse;
Arranca tudo o que de dentro
dos meus olhos não os deixa contemplar.
Dá-me, Senhor, um coração
puro, veste-me com o traje nupcial do teu amor!
Viver a Palavra
Vou afinar a minha
sensibilidade para reconhecer e encorajar tanto bem que existe à minha volta.
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