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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

III Domingo Comum B


Evangelho segundo S. Marcos 1, 14-20
Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a proclamar o Evangelho de Deus, dizendo: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho». Caminhando junto ao mar da Galileia, viu Simão e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores. Disse-lhes Jesus: «Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens». Eles deixaram logo as redes e seguiram Jesus. Um pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco a consertar as redes; e chamou-os. Eles deixaram logo seu pai Zebedeu no barco com os assalariados e seguiram Jesus.

Caros amigos e amigas, neste Domingo a passagem do “olhar de fogo” volta a enfrentar esperas acomodadas, a levantar ideais, a acender percursos. O olhar de Jesus que vê, faz estalar o Reino de Deus no ambiente. Somos convidados a pertencer-lhe, para isso precisamos de aprender a ser discípulos, seguindo Jesus.

Interpelações da Palavra
Cumpriu-se o tempo… arrependei-vos e acreditai
Ainda hoje há homens e mulheres que esperam; há outros que permitiram afundar as rugas do cepticismo e deixaram envelhecer a esperança! Uns entorpecidos pela preguiça ou o cansaço de peregrinar, outros amarfanhados pelo peso das próprias ambições, outros feridos pela indiferença. Jesus passa pela praia… traz um olhar e uma palavra nova: cumpriu-se o tempo! Mais do que um fim do mundo, trata-se de um início onde é possível sondar o novo!
Hoje Jesus continua a passar pela nossa praia, e diz-nos para nos arrepender e acreditar. Arrepender-nos de quê? perguntamos, ufanos de obras notáveis! E uma consciência do que somos responde que só disponíveis para crescer somos capazes de sondar o novo, só conservando alguma infância somos capazes de acreditar. Deus pede-nos para acreditar e isto mais não é do que pedir-nos uma confiança no seu amor. Só aquele que não encerra o futuro na sua autoafirmação tem capacidade para o decifrar. O hoje já não é um produto dos nossos esfalfados ontens, mas o fluxo da misericórdia de Deus que não cessa de amar. Acabou o mundo em que eramos nós o centro, esgotou o tempo que desbaratávamos em disputas, caducou a energia que nos alimentava instintos. Os passos de Jesus rasgam-nos sendas em que encontramos o outro, em que nos partilhamos sonhando a comunhão, em que construímos a paz. É o Reino!

Mudança de pesca
O objectivo de tantos e de tantas é a conquista da notoriedade. De facto quanto nos agrada ser vistos e considerados. Mas Jesus oferece este conforto a todos, sem que tenham de lançar mão de excentricidades. Jesus viu! O nosso Deus é um Deus que vê, porque Deus é amor e o amor dá um olhar omnividente!
Jesus viu e chamou aqueles homens, pescadores de peixes, para uma nova pesca. Sempre somos pescadores de alguma coisa. Aqueles lançavam as redes ao mar, que o mesmo é dizer lançavam os seus sonhos, as suas ambições, a sua fome de alimento. Mas Jesus corrige a trajectória do seu olhar. Agora eles são convidados a cravar os olhos no mar da humanidade, a navegar na ondulação das relações, enfrentar os ventos agrestes das suas dores, a mergulhar na profundidade das suas esperanças. Pescadores de homens, sondarão naufrágios, auscultarão correntes, pescarão alegrias, devolverão bonanças. O olhar de Jesus é pedagogo. Os discípulos sentem-se “vistos”, amados e escolhidos pelo olhar do Mestre e é assim que eles são enviados a ver, a amar e a escolher os concidadãos do Reino.

Seguiram Jesus
Causa impressão este automatismo de cada um daqueles pelos quais Jesus passa. Jesus viu, diz Marcos, e depois chamou e, de imediato, eles O seguiam. Que magnetismo teria o olhar de Jesus? O que nos falhará a nós que nos afadigamos em pastorais árduas, sendo tão raro lograr um assentimento sério em assiduidade e compromisso?
Precisamos de deixar que o olhar de Jesus derrame nos nossos olhos o brilho de encanto pelo Reino. Precisamos de transpirar o Reino no nosso suor, precisamos de derramar as palavras de Deus forjadas nos silêncios fecundos do encontro com Ele. Amigos e amigas, deixemo-nos abraçar pelo olhar de Jesus, alcançados pela sua interpelação, seduzidos pelo seu convite. Ele acredita em nós, cabe-nos acreditar n’Ele para ser proclamação do seu Evangelho!



Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Senhor, na urgência do agora, convidas-me à mudança de mim e ao abandono à Palavra.
Neste mar, onde teimo a margem, sei que me vês lançar o medo e a rotina
porque não sonho, mas Tu acreditas em mim, continuas a sonhar-me
e chamas pelo meu nome para ser mais e deixar a margem.
Neste mar, onde teimo o barco, sei que me vês agarrado ao dever e ao velho
porque não ouso, mas Tu acreditas em mim, continuas a apostar em mim
e envias-me na missão de “pescado” ser pescador. Deixarei a margem e o barco?...

Viver a Palavra

Vou desvendar as “seguranças cómodas” que me impedem da aventura da missão.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

III Domingo Comum A



Evangelho segundo S. Mateus 5, 12-23
Quando Jesus ouviu dizer que João Baptista fora preso, retirou-Se para a Galileia. Deixou Nazaré e foi habitar em Cafarnaum, terra à beira-mar, no território de Zabulão e Neftali. Assim se cumpria o que o profeta Isaías anunciara, ao dizer: «Terra de Zabulão e terra de Neftali, caminho do mar, além do Jordão, Galileia dos gentios: o povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam na sombria região da morte, uma luz se levantou». Desde então, Jesus começou a pregar: «Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos Céus». Caminhando ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. Disse-lhes Jesus: «Vinde e segui-Me, e farei de vós pescadores de homens». Eles deixaram logo as redes e seguiram-n’O. Um pouco mais adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam no barco, na companhia de seu pai Zebedeu, a consertar as redes. Jesus chamou-os, e eles, deixando o barco e o pai, seguiram-n’O. Depois começou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do reino e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo.

Caros amigos e amigas, ainda hoje, Jesus escolhe habitar na Galileia da nossa vida, caminha no nosso mar de trabalhos e preocupações, chama-nos pelo nome e convida-nos a segui-lo. Nada, ninguém, nem nenhuma situação, por mais escura que seja, está longe do olhar e do aproximar-se luminoso de Deus.

Interpelações da Palavra
À beira mar…
Quanta gente, quanto barulho, quanta confusão e promiscuidade, nesta região das periferias, contaminada por estrangeiros e pagãos! Uma Galileia de gente com as mãos corroídas pelo sal e o rosto queimado pelo sol. É aqui que o Reino se aproxima: Jesus passa entre a gente e vê, numa casa de pescadores, a sua Igreja. Esta nasce ali, nas margens dum mar, num lugar de encontros, de partidas e chegadas, num cais de relações, de pessoas, de comunhão. Ainda hoje, a Igreja é o contínuo caminhar de Deus ao encontro do homem.

…um encontro…
Desde sempre se tinham dedicado à pesca que lhes permitia sobreviver. Estavam, por isso, bem familiarizados com as redes, com a humidade da noite, com o imprevisto das ondas, com o mapa das estrelas que o pai, velho lobo do mar, conhecia como a palma da sua mão. E, contudo, bastou um olhar, uma palavra, um encontro para deixarem tudo. Ele não prometera nada: nem redes mais fortes, nem uma vida melhor. Falara apenas de um Reino que se construía com o coração e com fios de esperança. Bastara aquele convite para os jovens irmãos o seguirem. Naquele olhar até os pescadores mais experientes naufragaram! Jesus chama e eles descobrem que dentro de si não há apenas as rotas do lago, mas existe o mapa do céu, do mundo, do coração.
Jesus não rouba a rede remendada, a barca desconchavada ou o pai idoso, mas alarga o coração, faz viver cada momento e cada pessoa com um respiro universal, num oceano de amor sem fronteiras.

…que renova a vida
É sempre Ele que nos avista, nos encontra, nos habita, colocando o amor de Deus ao alcance da mão e do coração. À semelhança de Pedro e André, de Tiago e João, Jesus olha para nós e no nosso mar avista um tesouro, no frio da nossa vida vê o grão que germina, descobre uma generosidade que nós próprios desconhecíamos, uma melodia que ignorávamos, e sussurra estradas de sol, caminhos de alegria. Deus surpreende continuamente!
Quantos pescadores estariam no lago naquele dia? Não sabemos; apenas que Jesus escolhe irmãos! Os primeiros discípulos são companheiros de sangue! Desde o início, o Evangelho é um convite à fraternidade e à comunhão profunda. Os discípulos são gérmen de uma nova família, de uma Igreja de irmãos. Dois a dois! Nunca mais sós!
Ainda hoje, Jesus passa e reacende a vida, deixando um perfume de sonhos e um contagioso desejo de felicidade, semeando um rasto de milagres e de esperanças. E isso, caros amigos e amigas, é Evangelho!

Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Senhor, disposto a lançar as redes sem Ti, a ser eu a consertar,
intercetas o meu movimento isolado e recusas o meu débil solucionar…
Sim, a Tua voz fez estremecer o meu dia, o meu esforço e o meu doar.
O Teu convite sacudiu os meus sonhos, o mapa traçado e o calendário definido.
Sim, a Tua voz abanou o meu barco, a minha casa os meus laços.
O Teu olhar iluminou o meu passado, o meu presente e o meu futuro.
Senhor, lança Tu as redes que tocam os meus braços, conserta Tu as redes que trilham os meus pés
E, porque me convidas a seguir-Te, serei, conTigo, pescador de Homens.

Viver a Palavra

Hoje vou descobrir que redes preciso lançar com Cristo no mar que me envolve.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

V Domingo Comum C




Naquele tempo, estava a multidão aglomerada em volta de Jesus, para ouvir a palavra de Deus. Ele encontrava-Se na margem do lago de Genesaré e viu dois barcos estacionados no lago. Os pescadores tinham deixado os barcos e estavam a lavar as redes. Jesus subiu para um barco, que era de Simão, e pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra. Depois sentou-Se e do barco pôs-Se a ensinar a multidão. Quando acabou de falar, disse a Simão: «Faz-te ao largo e lançai as redes para a pesca». Respondeu-Lhe Simão: «Mestre, andámos na faina toda a noite e não apanhámos nada. Mas, já que o dizes, lançarei as redes». Eles assim fizeram e apanharam tão grande quantidade de peixes que as redes começavam a romper-se. Fizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco, para os virem ajudar; eles vieram e encheram ambos os barcos, de tal modo que quase se afundavam. Ao ver o sucedido, Simão Pedro lançou-se aos pés de Jesus e disse-Lhe: «Senhor, afasta-Te de mim, que sou um homem pecador». Na verdade, o temor tinha-se apoderado dele e de todos os seus companheiros, por causa da pesca realizada. Isto mesmo sucedeu a Tiago e a João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão. Jesus disse a Simão: «Não temas. Daqui em diante serás pescador de homens». Tendo conduzido os barcos para terra, eles deixaram tudo e seguiram Jesus.

Caros amigos e amigas, Lucas narra a vocação dos primeiros discípulos. Fala-nos daquele imenso amor de Jesus que faz passar de uma noite estéril de desilusões para um dia audaz de decisões!

“Faz-te ao largo e lançai as redes”
Tinha sido uma canseira inútil. Pedro, desiludido, reflecte a noite escura e infrutuosa, após ter lutado contra as ondas do lago e a greve dos peixes. De mãos vazias, regressa à margem onde encontra Jesus que lhe pede hospitalidade na sua barca e de fazer-se ao largo. Talvez tenha sorrido interiormente, vendo a inexperiência do carpinteiro na faina da pesca. Contudo, aceita o desafio e lança de novo as redes.
O pedido de Jesus é insensato e absurdo, mas a sua palavra enche o coração e as redes de confiança. O Mestre sobe na barca de Pedro, deixa a terra firme e abandona-se à imprevisibilidade do mar. É também Ele que sobe na barca da nossa vida, tantas vezes, vazia. É Deus que abandona os céus à nossa procura e nos alcança também no fim de uma noite infrutuosa, no momento menos místico que possamos imaginar. E roga-nos um gesto de confiança, aparentemente inútil, de lançar as redes para o lado pobre da nossa vida, de não contar sobre as próprias capacidades, mas de ter fé. E pede-nos para recomeçar com aquele pouco que temos e sabemos, confiando-nos um novo mar.

O milagre do Evangelho
A abundância do peixe quase afunda o barco. Contudo, o maior milagre do Evangelho não é a barca sobrecarregada, nem as redes abandonadas. O milagre é Jesus que não se deixa impressionar pelo cansaço, desilusão, temor ou pecado de Pedro. O verdadeiro prodígio é Jesus que, face à infertilidade, levanta a coragem e recomeça um futuro novo desde o lugar onde tínhamos desistido. A maravilha é Jesus que nos vem ao encontro e nos confia o Evangelho ali onde tudo parecia ter secado e escurecido. O verdadeiro milagre é o arriscar e o confiar de Jesus em Pedro e em seus companheiros. Eles seguem-No porque já antes Jesus subira na sua barca! Deus antecipa-Se sempre à nossa procura. O milagre é uma resposta ao Amor obstinado do nosso Deus que torna o mar avarento e inquieto da nossa vida num lugar de riqueza e de encontro.
Jesus lê o interior de Pedro e acredita que a fragilidade do pescador pode encher-se de um precioso tesouro. Ainda hoje, o Mestre pede-nos aquela capacidade de coragem e fecundidade adormecida em cada um de nós. Para Jesus, o bem do amanhã vale mais do que o mal de ontem, e as redes cheias de hoje valem mais do que todos os falhanços do passado.

“Não temas. Daqui em diante serás pescador de homens”
Como Pedro, não basta dizer que somos pecadores; não basta gritar para Deus se afastar ou fugir da sua presença e, assim, fecharmo-nos ao milagre e a novos horizontes. Porque ainda hoje ecoa nas margens do nosso coração este convite a ir mais longe, a lançar redes e laços de amor, a aprofundar o sentido da vida, a ser pescador da humanidade, a fazer desabrochar toda a beleza dos filhos de Deus.
Só o amor de Deus faz florescer em desmedida a humanidade que há em nós. Só o amor, caros amigos e amigas, é o segredo do Evangelho!

VIVER A PALAVRA
Vou cultivar a audácia de acreditar, de confiar no poder do amor de Deus.

REZAR A PALAVRA
Senhor, assustam-me os tumultos do mar à minha volta, tenho a vontade atada de pessismismos,
as incertezas, a pobreza do meu coração desencorajam-me mais uma tentativa...
Vem abrir a porta ao milagre, Senhor da Vida, afunda-me na Tua Palavra,
liberta as redes do meu medo, e molda no meu coração um coração de discípulo.
É a hora de ser pesca, de ser isco e de ser pescador no mar do Teu amor!   

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Grande entrevista


A Irmã Esperança, fez os seus Votos Perpétuos na Congregação das SFRJS no passado dia 30 de outubro. O Sementinha decidiu fazer-lhe uma grande entrevista que podes ler aqui na íntegra:

- CARISMA
SEM - De que forma é que a Irmã sentiu o apelo de Deus para a Vida Consagrada? E, mais concretamente na vivência deste carisma?

IRMÃ ESPERANÇA - O apelo de Deus para eu seguir a vida consagrada surgiu através da minha escuta interior, após ter testemunhado a profissão religiosa de uma irmã de uma outra congregação. Pois, o desejo de seguir Cristo pobre e obediente não foi fácil, isto é, passei por uma grande luta interior, nomeadamente no que diz respeito à inevitável separação dos meus familiares para ser acolhida numa outra família, a família espiritual. Assim, na vivência quotidiana deste carisma continua a cativar-me a adoração à santíssima eucaristia, uma vez que foi esse amor que me levou um dia a arriscar segui-Lo para anunciar o Seu Evangelho.

- VOTOS PERPÉTUOS
SEM - Nesta sua entrega ao chamamento de Deus, pensa que professar os votos perpétuos é continuar a acolher o projeto que Ele tem para si, na construção da sua felicidade, num sinal de entrega permanente?

IRMÃ ESPERANÇA - Nesta minha entrega ao chamamento de Deus, penso que professar os votos perpétuos não é mais que continuar a acolher com todo o entusiasmo o Seu projeto para mim num sinal de entrega total e permanente. É como fazer uma aliança com Deus, de dar uma resposta ao Deus-Amor, na tentativa de construir um mundo melhor tendo por base os interesses Dele e não os meus!


- MISSÃO/ EVANGELIZAÇÃO
SEM - Numa altura, em que se fala tanto na crise de valores na igreja e na sociedade, de acordo com a sua vivência pessoal como SFRJS, que opinião manifesta sobre o sentido de “ser cristão hoje”?

IRMÃ ESPERANÇA - Na minha vivência como SFRJS sinto que temos que lutar diariamente por este sim, que um dia dissemos, como se de uma campanha de vacinação se tratasse. Não devemos alegar a falta de tempo ou outras desculpas para darmos o nosso testemunho de vida e de fé para atrair os cristãos que possam andar perdidos dos caminhos do Senhor. Por isso, anunciar a Boa Nova deve sempre reger o nosso pensamento e o nosso coração mesmo para os cristãos de hoje.


- JOVENS
SEM - A menos de um ano das JMJ no Brasil, que gostaria de dizer, a nós jovens, no que respeita às diversas vocações, nomeadamente de que modo, é que a igreja nos poderá seduzir num mundo cheio de tantas tentações? No seu entender esta matéria é ainda um assunto tabu entre os jovens?

IRMÃ ESPERANÇA - Se olharmos para a juventude de ontem, e para a juventude do hoje podemos verificar que falar de vocação é falar de um desafio para eles. Esta temática pode ser um bicho de sete cabeças, se considerarmos em primeiro lugar a separação da família, da vida mundana e de tantas outras tentações, que a igreja não condena mas orienta para outras estradas… Porém, penso que na atualidade este assunto das vocações já não é tabu para a maioria dos jovens devido à informação que têm, no entanto, pode surgir no grupo de amigos um certo desconforto e falta de sensibilidade de acolher muitas vezes os jovens que decidem enveredar pela vida religiosa ou sacerdotal. Assim, porque não apelar à motivação dos jovens na entreajuda perante estas escolhas mais difíceis, se assim se poderá dizer, uma vez que não são tão comuns como o matrimónio, por exemplo.


- ORAÇÃO
SEM - Para concluirmos esta grande entrevista, qual é a sua opinião sobre a anorexia dos cristãos? Isto é, que impedimentos pensa existirem para que a maioria dos cristãos não alimente a sua fé, a sua espiritualidade, através da oração no quotidiano da sua vida pessoal e profissional?

IRMÃ ESPERANÇA - Penso que nos devemos alimentar da palavra de Deus, pois é Ela o verdadeiro alimento, para que não fiquemos doentes e possamos desta forma ficar anoréticos…Que a sua palavra venha curar as nossas fraquezas e nos faça crescer no bem fazer, nas boas obras, nas boas ações e na ajuda aos irmãos que mais precisam. Um dos impedimentos “à alimentação” da fé da maioria dos cristãos reside na fraqueza espiritual na oração, ou seja, há uma passividade quotidiana na dedicação pessoal e profissional a Deus por intermédio da oração.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

XV Domingo Comum B


Naquele tempo, Jesus chamou os doze Apóstolos e começou a enviá-los dois a dois. Deu-lhes poder sobre os espíritos impuros e ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, a não ser o bastão: nem pão, nem alforge, nem dinheiro; que fossem calçados com sandálias, e não levassem duas túnicas. Disse-lhes também: «Quando entrardes em alguma casa, ficai nela até partirdes dali. E se não fordes recebidos em alguma localidade, se os habitantes não vos ouvirem, ao sair de lá, sacudi o pó dos vossos pés como testemunho contra eles». Os Apóstolos partiram e pregaram o arrependimento, expulsaram muitos demónios, ungiram com óleo muitos doentes e curaram-nos. (Mc 6, 7-13)

Caros amigos e amigas, o Evangelho apresenta o “estágio profissional” dos apóstolos. Ainda hoje Deus chama e envia. A palavra não pode ficar inerte, mas expande-se, difunde-se, gera família. Todos somos convidados a ser colaboradores, através da própria humanidade, de uma vida nova.

“Começou a enviá-los…”
Imagino a alegria e, ao mesmo tempo, o receio de Jesus: a aula prática dos discípulos trazia a aventura de algo novo mas também o risco de erros, de se ser pouco credível, de perder-se metendo-se cada um por conta própria… Por estranho que pareça o Mestre não lhes diz o que devem falar, apenas o estilo a adoptar. Não devem convencer com palavras, mas com o testemunho de um amor recíproco. A mensagem fundamental é a própria vida, um sinal de unidade, uma semente de comunhão. Não se anuncia uma doutrina mas uma Pessoa que se faz presente na relação e amor dos discípulos.
Os apóstolos não vão sozinhos como vagabundos ou navegadores solitários em turismo, mas em comunhão com “uma só alma e um só coração”. Não por iniciativa própria mas porque enviados em nome doutro; não por interesse ou necessidade mas por amor.

“…dois a dois”
É o início de uma nova criação. Dois a dois… também no início eram dois. Ser enviado com o outro implica acolher a sua proposta, perder a própria ideia, ultrapassar os limites individuais e subjectivos. Os apóstolos são mandados na força do amigo e de uma Palavra. O equipamento fica reduzido a uma essencialidade que roça a imprudência: sem comida, dinheiro, roupa de reserva. Apenas um bastão e umas sandálias peregrinas. O bastão aguenta o caminho e o cansaço; o amigo aguenta o coração e rouba do isolamento. Não se acredita sozinho. O primeiro anúncio dos discípulos é a própria vida, um evento de amizade, uma semente de comunidade, a vitória sobre a solidão (Ronchi).
Ir com mais alguém pode ser chato e aborrecido! Pensamos ser os únicos a poder cantar fora do coro, a ser livres e criativos, a ser bons rebeldes… Tantos que se dizem “cristãos sem Igreja”, mas sem “dois ou três reunidos em nome de Jesus” não há Igreja. Falar de comunidade é fácil. Mas viver na comunidade, com aquele grupo, aquele pároco, aquele cantor, aquela zeladora,… é outra conversa!

“Quando entrardes em alguma casa…”
Os discípulos trazem em si uma escandalosa fragilidade e pobreza de meios. Estão convencidos que nenhuma pessoa é aquilo que possui. O sucesso não depende do marketing nem de aparências superficiais. O essencial encontra-se na humanidade do outro e na partilha da sua existência, ali na casa e na família onde se joga o sorriso e as lágrimas, ali onde a esperança e os dramas se cruzam, ali onde a vida nasce, se vive de amor e a solidão se converte em comunhão.
Ser Igreja é ser casa! É ser família! Os discípulo são, então, acolhidos não porque trazem coisas, mas porque trazem Cristo. Levam-se a si mesmos, como terra abençoada pelo encontro com o Ressuscitado, qual novo éden terrestre.
A única segurança do discípulo são as palavras que trocar com o companheiro do caminho, um rosto a amar e a descobrir, uma história a partilhar numa comunidade de vida, numa fé em comum, na certeza de que não se está só, mas que há sempre Alguém que caminha ao lado. Isso, caros amigos e amigas, é Evangelho!

VIVER A PALAVRA
No pó do caminho, na aventura do dia-a-dia, vou-me sentir enviado, portador do amor de Deus.

REZAR A PALAVRA

 Mestre do amor, que incrível contrato! Chamas e envias a minha pequenez
à tua grandiosa obra libertadora e transformante deste mundo!
Grande é o teu poder que não diminui ao passar pela minha fraqueza
e prescinde das mais calculadas provisões. A tua Palavra agiliza-me a vida!
Quero confiar em Ti e na força inabalável da comunhão, em Igreja.
Porque és Tu Quem me chama, e Quem me envia, o poder é só o teu,
e só Tu diligencias o óleo sobre a liberdade que te acolhe ou te rejeita.
A pura origem do meu afã: o teu amor; a sua finalidade: leva-lo aos que amas!