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quinta-feira, 2 de outubro de 2014

XXVII Domingo Comum A



Evangelho segundo S. Mateus 21, 33-43
Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Ouvi outra parábola: Havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e levantou uma torre; depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe. Quando chegou a época das colheitas, mandou os seus servos aos vinhateiros para receber os frutos. Os vinhateiros, porém, lançando mão dos servos, espancaram um, mataram outro, e a outro apedrejaram-no. Tornou ele a mandar outros servos, em maior número que os primeiros. E eles trataram-nos do mesmo modo. Por fim, mandou-lhes o seu próprio filho, dizendo: ‘Respeitarão o meu filho’. Mas os vinhateiros, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro; matemo-lo e ficaremos com a sua herança’. E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no. Quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?». Eles responderam: «Mandará matar sem piedade esses malvados e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entreguem os frutos a seu tempo». Disse-lhes Jesus: «Nunca lestes na Escritura: ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; tudo isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos’? Por isso vos digo: Ser-vos-á tirado o reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos».

Caros amigos e amigas, a parábola de hoje narra a história do amor excessivo de Deus. Nada bloqueia o seu sonho de encontro: nem a rejeição, o desprezo, o desinteresse ou o não acolhimento! Nada impede o seu amor!

Interpelações da Palavra
A canseira do amor
Deveria ser uma vinha luxuosa e frutuosa para desencadear os ciúmes e o apetite dos arrendatários. Na verdade, ela era a vinha mais esplendorosa da região: fora o próprio dono que lhe retirara as pedras uma após a outra; com amor apaixonado plantara as vides; fizera jorrar no centro uma fonte para a regar; edificara uma sebe como um abraço para a defender; e construíra uma torre alta para melhor a contemplar. O Senhor, atento e apaixonado pela sua vinha, descera diariamente para cuidar de cada ramo, na ânsia dos bons frutos. O amor é um sonho traduzido em trabalho e suor, em contemplação enlevada. No entanto, o sonho entregue às mãos dos vinhateiros, colocado à mira da ganância, torna-se rapidamente num pesadelo e numa tragédia.
Esta vinha é a história de um Deus apaixonado: somos nós o campo da predilecção de Deus, a vinha amada de mil cuidados e atenções. Mas somos também nós que nos esquecemos facilmente que não somos proprietários, mas apenas jardineiros! Depressa esquecemos que o amor é um dom, não se pode possuir, mas é para ser partilhado. A vida não se pode aprisionar, mas é para ser vivida, intensa, realizada, saboreada. Tudo é dom, tudo é gratuito, tudo é vida.

O amor nunca se cansa
Deus nunca se rende! Como o vinhateiro recomeça, após cada rejeição, a assediar o nosso coração com profetas, novos servos, com o próprio Filho. E arrisca, radical e gratuitamente, a própria vida. O coração do Pai, tocado por um excesso de amor, não volta as costas àqueles que lhe mataram o filho mas vai à sua procura. Persistentemente, continua um diálogo de amor que nenhuma desilusão poderá apagar. Ainda hoje, Ele bate à nossa porta, naqueles que esperam do nosso campo um vinho de festa, um canto de alegria, um punhado de mais vida.

Encher o mundo de amor
O sonho de Deus não é o pagamento de um tributo por parte dos trabalhadores, mas é uma vinha que não produza mais cachos de sangue ou uvas amargas de lágrimas, mas bagos cheios de luz e de sol.
No fim da parábola da vida, a vinha será dada a quem saberá encher de frutos o mundo. O mundo pertence a quem o torna melhor, a quem o faz florescer, a quem lhe faz amadurecer os cachos. Para isso veio Cristo, vide e vinho de festa. Sobre Ele nos enxertamos, nele nos saciamos, nele nos inebriamos, nele amadurecemos, para assim encher as ânforas do mundo do miraculoso vinho de Caná. E isso, caros amigos e amigas, é Evangelho!

Rezar a Palavra e contemplar o Mistério

Senhor, és Tu que enches o mundo de calor, de irmãos e de irmãs!
Tu acendes o sol que dá brilho ao olhar, beleza ao rosto e leveza à esperança,
Tu completas o arco do horizonte, dás rumo aos caminhos e força aos meus pés.
O céu tem a cor do teu sorriso, e a ternura das tuas mãos... como és bom, Senhor!
Contemplo a tua obra em mim e à minha volta, recolho a gratuidade que tudo promove!
Talvez ontem ainda estragasse a tua obra, com um apego que me encarcerava,
mas hoje quero entregar-te os frutos do teu dom: eis-me aqui, envia-me!

Viver a Palavra

Vou considerar a solicitude de Deus para comigo e procurar corresponder ao dom do seu amor.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

XXV Domingo Comum B


Naquele tempo, Jesus e os seus discípulos caminhavam através da Galileia. Jesus não queria que ninguém o soubesse, porque ensinava os discípulos, dizendo-lhes: «O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens, que vão matá-l’O; mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará». Os discípulos não compreendiam aquelas palavras e tinham medo de O interrogar. Quando chegaram a Cafarnaum e já estavam em casa, Jesus perguntou-lhes: «Que discutíeis no caminho?». Eles ficaram calados, porque tinham discutido uns com os outros sobre qual deles era o maior. Então, Jesus sentou-Se, chamou os Doze e disse-lhes: «Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos». E, tomando uma criança, colocou-a no meio deles, abraçou-a e disse-lhes: «Quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe; e quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Àquele que Me enviou».

Caros amigos e amigas, o Evangelho deste Domingo penetra as nossas discussões e as nossas dúvidas, convidando-nos a perder a vida para “ganhar” o amor. E Deus quer deixar-se abraçar por nós.

Os discípulos não compreendiam
O mistério de Deus não parece estar ao alcance da razão dos discípulos. Eles não compreendem como pode um rei ser entregue e morto como um fracassado e um inútil e passam indiferentes à novidade da ressurreição. Hoje, talvez compreendamos a lógica do amor de Deus como um dado adquirido e não como um mistério que nos interroga e transforma. O escândalo e a loucura de Deus, são as bandeiras do seu reinado e nós, discípulos aprendizes, precisamos de aprender a humildade e a entrega como pré-requisitos para nos alistarmos neste exército do reino. A dúvida é a sede de quem procura a verdade. O medo é o reflexo de quem foge ao desafio. Cristo desafia-nos pelo que diz, é e faz. Não tenhamos medo de o interrogar, de nos aproximarmos do seu mistério.

Que discutíeis no caminho?
Jesus conhece, no silêncio, as preocupações dos discípulos. Está atento às nossas dúvidas, aos nossos porquês e aos nossos sonhos. Tal como os discípulos, enquanto caminhamos com Jesus, perdemos o nosso tempo em discussões vãs, vazias de fundamento. Percorremos quilómetros da vida com disputas sobre pontos de vista estéreis, porque nos desviamos do essencial, que é a presença de Jesus.
Inventamos formas de subir acima dos outros. Construímos galardões para que possamos destacar-nos do grupo. Obcecamo-nos em argumentos que nos favoreçam, em detrimento dos outros, sob a luz de uma falsa humildade. Escondemo-nos, numa abnegação mentirosa, para que rapidamente descubram as maravilhas que detemos como nossas e que não nos pertencem. Regateamos interesses e projetos, num egoísmo fechado, avesso à comunhão, com medo de perdermos esse jogo… discutimos…

Quem quiser ser o primeiro será o último
Jesus cala os nossos jogos de interesses com o grito sereno da humildade.
Aqueles que escolheram seguir um rei pobre, simples e que se entrega até à morte, não possuem o sonho de ser maiores, mas acolhem a aventura de serem servos.
Quem ama aprende a ser pequeno, a ser o último. Aprende com Jesus a sabedoria do serviço. Na entrega de Jesus até à morte bebemos a ciência do amor que se abandona, que se doa, que se oferece. Na corrida do amor, chega primeiro quem se esqueceu de si, para que outros também chegassem.
Quem verdadeiramente caminha com Jesus descobre o valor do acolhimento incondicional, sem juízos de valor. O abraço é a porta do serviço. Jesus ensina-nos a abraçar o outro, a criança, como modelo de acolhimento ao amor de Deus, pois quem a receber… é a Mim que recebe… e quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Àquele que Me enviou. Arrisquemos abraçar, servir, ser o último… arrisquemos viver o Evangelho!

VIVER A PALAVRA
Vou reparar mais nas pessoas, nas suas necessidades e sofrimentos, em detrimento dos meus interesses.


REZAR A PALAVRA
Pai, hoje colocas-me na parte menos apetecível da senda do teu Filho Jesus,
e sabes como me perturba a loucura da meta que Ele persegue.
Porque O envias assim, porque há-de Ele comprometer-se até à Cruz?
Senhor Deus, ilumina todas as sombras de egoísmo que me cegam
fecunda o meu olhar com a simplicidade e a liberdade da infância:
que veja o mundo como cenário de beleza, onde se respira o teu dom.
Purifica os meus caminhos do murmúrio estéril, da ambição insensata,
liberta o meu coração para que acolha o outro como irmão,
desanuvia o horizonte para que veja a Cruz como o sinal mais da vida.