Mostrando postagens com marcador páscoa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador páscoa. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 23 de abril de 2015

IV Domingo Páscoa B


Evangelho segundo S. João 10, 11-18
Naquele tempo, disse Jesus: «Eu sou o Bom Pastor. O bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas. O mercenário, como não é pastor, nem são suas as ovelhas, logo que vê vir o lobo, deixa as ovelhas e foge, enquanto o lobo as arrebata e dispersa. O mercenário não se preocupa com as ovelhas. Eu sou o Bom Pastor: conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-Me, do mesmo modo que o Pai Me conhece e Eu conheço o Pai; Eu dou a vida pelas minhas ovelhas. Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil e preciso de as reunir; elas ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só Pastor. Por isso o Pai Me ama: porque dou a minha vida, para poder retomá-la. Ninguém Ma tira, sou Eu que a dou espontaneamente. Tenho o poder de a dar e de a retomar: foi este o mandamento que recebi de meu Pai».

Caros amigos e amigas, em Tempo Pascal, esta definição que Jesus dá de si mesmo combina tão bem com a promessa de ficar connosco e com o nosso conforto de O ter por perto. Mais do que estar: Ele conhece-nos!

Interpelações da Palavra
O Pastor…
Nas memórias da infância retenho a imagem dos pastores como as sentinelas da manhã. Partiam ainda de noite, desde o eclodir dos sonhos, orando com as litanias dos balidos, conduzindo o rebanho pela montanha. Na verdade, eles habitavam os céus e as estrelas da noite, aqueciam-se de fogo e refrescavam-se de brisa, acompanhavam cada passo das ovelhas e alertavam indícios de predadores para os afugentar. Os pastores são artífices de atenção, sabem de olhares e paisagens únicos, distinguem os perfumes da terra e estão impregnados do odor do rebanho, escutam os silêncios e reconhecem a voz ímpar de cada uma das suas ovelhas. Ver, sentir e escutar é a própria identidade do pastor que é inseparável do seu rebanho!

… conhece…
O bom pastor, artífice da atenção, conhece as alegrias e as canseiras, os sonhos e as fragilidades, os impulsos e as quedas. Porque conhece tão bem, acolhe e adequa os seus passos aos ritmos, sabendo também ser exigente quando o caminho ou a preguiça o exigem. Acompanha, cuida, protege. Na verdade nós não gostamos de ser controlados, mas temos um imenso desejo de sermos alvo de atenção Aliás quantos neste mundo investem as melhores energias por se afirmarem aos olhos alheios, chegando ao ponto de expor a sua intimidade para alcançarem notoriedade e se tornarem conhecidos. Mas eis que o Bom Pastor nos oferece o prémio da sua atenção de uma forma espontânea e total! E mais: o olhar do Pastor não se identifica com o do polícia, mas com o do enamorado, Ele conhece-nos sem julgar, porque o amor conhece só o amor.
Na verdade, o facto de sermos conhecidos por Aquele que tudo perscruta, apenas atesta o seu interesse pelo nosso pormenor. Quando achávamos que a nossa vida não tinha valor, somos afinal alvos de uma atenção solícita e misericordiosa que nos cura, nos alenta e salva. Quando nos tínhamos por anónimos damo-nos conta de que o nosso nome afinal não está inscrito num registo cheio de pó e esquecido nos arquivos celestes, mas foi gravado indelevelmente no coração de Deus!

…as suas ovelhas!
Há no pronome “suas” uma relação preciosa de mútua pertença. Os pequeninos sinais tornam-se então impulsos fortes que nos animam os passos e o fogo tão belo de uma presença aquece a vida! Quando se ouve a voz do Pastor, o coração arde dentro, quase rebenta correndo atrás do seu caminhar seguro…
Sim, sempre que reconheço a sua voz, em tantos sinais disseminados no ambiente, revivo e reconheço o seu amor! Diante dessa voz não preciso de esconder-me, mas sinto a força para me levantar; diante do seu olhar, não me envergonho da minha nudez, porque Ele me reveste da sua vida. A sua voz é a energia da minha dança: “À tua palavra, Senhor, lançarei as redes” (Lc 5, 5). A Sua Palavra faz-me superar: “Só tu tens palavras de vida eterna” (Jo 6, 68). Esta é, amigos e amigas, a voz de onde brota o vigor transformante do Evangelho.

Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Senhor Jesus, bom e belo Pastor, rosto eloquente onde o Pai proclama a sua misericórdia
Eu me acolho à tua guarda, eu entrego os meus passos à rota dos teus.
Na pradaria infinda do teu amor me apascento, na fonte do teu lado aberto me dessedento!
Ofereço-te os meus pés para iluminar a marcha dos que não têm destino,
Ofereço-te as minhas mãos para levar, a braçadas, o teu alimento aos fracos,
Ofereço-te o meu coração como fonte onde tu comuniques o amor a quantos me rodeiam!

Viver a Palavra

Vou tomar na minha vida os gestos e atitudes do Bom Pastor, sendo sua imagem para os irmãos. 

sábado, 18 de abril de 2015

III Domingo Páscoa B


Evangelho segundo S. Lucas 24, 35-48
Naquele tempo, os discípulos de Emaús contaram o que tinha acontecido no caminho e como tinham reconhecido Jesus ao partir do pão. Enquanto diziam isto, Jesus apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Espantados e cheios de medo, julgavam ver um espírito. Disse-lhes Jesus: «Porque estais perturbados e porque se levantam esses pensamentos nos vossos corações? Vede as minhas mãos e os meus pés: sou Eu mesmo; tocai-Me e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que Eu tenho». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E como eles, na sua alegria e admiração, não queriam ainda acreditar, perguntou-lhes: «Tendes aí alguma coisa para comer?». Deram-Lhe uma posta de peixe assado, que Ele tomou e começou a comer diante deles. Depois disse-lhes: «Foram estas as palavras que vos dirigi, quando ainda estava convosco: ‘Tem de se cumprir tudo o que está escrito a meu respeito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos’». Abriu-lhes então o entendimento para compreenderem as Escrituras e disse-lhes: «Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e de ressuscitar dos mortos ao terceiro dia, e que havia de ser pregado em seu nome o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois as testemunhas de todas estas coisas».

Caros amigos e amigas, este texto é atravessado por dúvidas reiteradas, onde revemos as nossas dúvidas, mas repleto da paciente pedagogia do Mestre. A credibilidade das testemunhas precisa de uma sólida base de fé.

Interpelações da Palavra
Os testemunhos preparam as testemunhas
A avaliar pela descrição, imaginamos que o ardor dos dois que vinham de Emaús caiu num gelo de cepticismo. No entanto aquele rastilho que eles deixaram talvez tivesse sido precioso para atear a chama que depois o próprio ressuscitado lhes acendeu. O texto situa-nos perante um modelo de crescimento na fé, desde o primeiro anúncio até à experiência do ressuscitado, que culmina num envio em missão.
A fé não é um voluntarismo superficial, que acode e cola por um “ouvir dizer”… mas, de facto, o “ouvir dizer” pode ser o primeiro passo de uma grande peregrinação de amor. Sim, muitos precisam de “ouvir dizer”, para se aproximarem, precisam de “ouvir dizer” para acordarem e se moverem, mas para se tornar discípulo é preciso experimentar por si próprio o encontro, dar o mergulho nas chagas do ressuscitado, senti-l’O vivo, para aderir a Ele. A experiência de fé exige uma resposta individual, mas situa-se num contexto relacional, inseparável da Igreja. Mesmo as aparições individuais culminam com um envio à comunidade: “Ide dizer”!

Sou Eu
Palavra bálsamo, fórmula da intimidade e da reciprocidade que anuncia uma presença cúmplice, capaz de acalmar os ânimos perturbados. Afinal o Ressuscitado não é uma figura distante, misteriosa ou intocável… mas é o Amigo, o Pai, o Irmão, o Esposo… agora portador da Vida Nova que continua a manter aquela ternura familiar que é própria aos de casa, aos do coração. Ele conserva o toque da proximidade, que conhece e é conhecido... Na expressão “Sou Eu” descubro aquele convite à reciprocidade na relação, a uma disponibilidade irresistível de presença, que pode calar o meu vazio, descubro aquela carícia onde posso drenar as tormentas, aquele manancial onde posso sempre haurir a minha alegria. Só o Ressuscitado tem poder de me ressuscitar.

Vós sois as testemunhas
Jesus abre o nosso entendimento. É como quando abre o pão, na refeição da Páscoa e o reparte. Ele fecunda-nos o entendimento e consagra-o. Então o nosso entendimento pode tornar-se eucaristia repartida, pode fazer-se alimento, para quantos morrem à míngua de notícias ressuscitadoras. Este relato vem imediatamente na sequência do belíssimo episódio dos discípulos de Emaús, um episódio eminentemente eucarístico. É Ele que ilumina as Escrituras, para que logo O reconheçamos quando Ele parte e reparte o Pão! E ao reconhecê-l’O nós não conseguimos deixar de nos tornar testemunhas. Amigos e amigas, nós somos daqueles que “vimos”, “ouvimos” e “tocámos”. Nós, homens e mulheres viventes na paz do ressuscitado, não podemos calar “estas coisas” em palavras e obras. Somos portadores da beleza e do fascínio, da sempre boa notícia do Evangelho!

Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Senhor Jesus, surpresa que rompe as fronteiras dos meus porquês,
Ensina-me a Tua presença ressuscitada em cada sinal de comunhão,
Ajuda-me a escancarar as portas que me isolam e me afastam da missão,
Ilumina os meus segredos com a novidade e a alegria do Teu Espírito de Paz,
Sacia a minha fome de felicidade em cada milagre do “partir do pão”.
Quero sentar-me à Tua mesa, fazer parte do banquete dos ressuscitados!

Viver a Palavra

Vou ser testemunha e artífice de gestos de paz.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

II Domingo Páscoa B


Evangelho segundo S. João 20, 19-31
Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos». Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!». Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.

Caros amigos e amigas, o Senhor entra em nossas casas com a Sua Palavra e o Seu Espírito de Paz, mesmo quando as nossas portas parecem fechadas pelo medo e pela falta de fé. Com Ele, tudo avança, tudo se transforma; com Ele brota a vida nova da fé.

Interpelações da Palavra
Do medo à alegria
Era uma tarde que mais parecia noite. Fechando as portas, parece ter ficado impedida de ali entrar a luz da ressurreição. As notícias da manhã, da pedra rolada, do sepulcro vazio, não foram suficientes para dar certezas aos discípulos. O medo fechou as portas daqueles corações assustados, incrédulos, desiludidos. Nessa re-união escura e desolada, nesse inverno deserto e frio, surge, no meio deles, no centro, derrubando as barreias das portas fechadas e dos corações isolados, Jesus, o ressuscitado. Jesus deseja a paz e mostra os sinais da Sua paixão. E é nesta epifania da ressurreição, na profundidade do medo experimentado, que nasce a verdadeira alegria. A páscoa da nossa vida acontece até nos cofres mais fechados dos nossos medos, naqueles que nunca tivemos coragem de tocar e de abrir. Até aí Jesus vive e deseja a paz e a alegria para cada um de nós.

O sopro do perdão e da paz
A presença de Jesus ressuscitado naquela sala “fechada” não quer servir apenas de prova à ressurreição. Jesus, enviado do Pai, vem enviar, lançar discípulos missionários “no terreno”, dar força e coragem para que sejam os próprios discípulos a abrir as portas (da sala e dos corações) e sair. Jesus entra para que os discípulos saiam em missão, levados pela brisa do Espírito Santo que é amor e perdão. A paz é o perfume da misericórdia. Em cada porta fechada, em cada irmão isolado somos enviados a colocar um facho de luz deste mesmo Espírito que nos ajuda a sair de nós próprios, sem medo, em missão. Sejamos alegres e corajosos, porque isso é um sinal fiável de que Cristo está connosco. Não deixemos que o medo invada as nossas casas, as nossas salas, as nossas vidas. Como nos pedia São João Paulo II: “não tenhais medo, abri as portas a Cristo”…

No sítio certo, à hora certa
Parece que Tomé perdeu a grande oportunidade de ver Jesus e de ser abrasado por tão grande amor, por não estar no sítio certo à hora certa… Mas para Deus, nunca estão esgotadas as “oportunidades”. Ele ama-nos para além do tempo e do espaço. Não acreditando verdadeiramente nas palavras dos discípulos, Tomé precisa ver e tocar, pois também as suas portas estão fechadas… Mas oito dias depois, quando as portas (da sala) continuam fechadas… Jesus, na sua pedagogia do amor, renova a certeza da presença da paz que rompe com os medos reincidentes e se revela de uma forma mais próxima àquele que tinha estado (mais) distante. Tomé, tocado por Aquele que desejava tocar, professa a fé no ressuscitado e Jesus enaltece os que não vêm e não tocam. Hoje e aqui, somos felizes porque acreditamos sem ter visto, sempre que deixamos que Jesus entre nas nossas salas fechadas. Não adoremos o medo, adoremos Cristo Ressuscitado! Deixemo-nos conduzir pelo Espírito de perdão e de paz, sinais do coração misericordioso de Deus, luz do Evangelho!

Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Senhor Jesus, te peço, visita o frio dos meus medos que me gradeiam a disponibilidade,
rompe as seguranças em que me refugio, surpreende a minha alegria cristalizada.
Senhor da vida, volta a despertar com o teu sopro criador a minha incredulidade acomodada,
teima em murmurar a tua paz a este tempo em que todas as fronteiras me limitam!
Meu Senhor e meu Deus, mergulha os meus olhos na tua ressurreição, molda neles a visão,
e envia-me! Sim, eis-me aqui para ser proclamação do teu Nome onde se tem a Vida!

Viver a Palavra

Vou procurar vencer os medos que me impedem de confiar a minha vida ao Senhor.

sábado, 4 de abril de 2015

Páscoa B


Evangelho segundo S. Marcos 16, 1-7
Depois de passar o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para irem embalsamar Jesus. E no primeiro dia da semana, partindo muito cedo, chegaram ao sepulcro ao nascer do sol. Diziam umas às outras: «Quem nos irá revolver a pedra da entrada do sepulcro?». Mas, olhando, viram que a pedra já fora revolvida; e era muito grande. Entrando no sepulcro, viram um jovem sentado do lado direito, vestido com uma túnica branca, e ficaram assustadas. Mas ele disse-lhes: «Não vos assusteis. Procurais a Jesus de Nazaré, o Crucificado? Ressuscitou: não está aqui. Vede o lugar onde O tinham depositado. Agora ide dizer aos seus discípulos e a Pedro que Ele vai adiante de vós para a Galileia. Lá O vereis, como vos disse».

Caros amigos e amigas, este pequeno texto pode sintetizar uma caminhada humana, nele está estampada a progressão a que a nossa vida é chamada, desde o ambiente da morte até ao anúncio da ressurreição.

Interpelações da Palavra
Compraram aromas
Estas três mulheres levam uma memória ferida pelos acontecimentos dos dias precedentes. E, no entanto, elas não temem encarar a morte e predispõem-se a entrar num sepulcro. Se, à partida, as suas preocupações parecem resumir-se às logísticas – comprar os aromas, embalsamar o corpo de um morto, revolver uma pedra enorme – é um imenso amor pelo Mestre que as move. Elas parecem buscar a morte, mas no fundo querem levar um pouco de vida à morte, resgatar à morte a memória do Mestre e, por isso, levam perfumes e levam unguentos como linguagem da vida, como a colocar vida na morte. De facto só amor coloca vida na morte, vence a morte. Num tempo em que a morte é camuflada com eufemismos, em que o sofrimento é evitado a todo o custo e os sofredores escondidos; quando parece vergonha sofrer, e a utilidade da vida se resume à utilidade produtiva, ainda há mulheres e homens capazes de, por amor, entrar nos sepulcros onde as vidas definham e o sol tarda a nascer. Levantam-se cedo, trazem a aurora nos olhos, fazem nascer o sol e removem pedras, “apenas” para colocar aromas e unguentos. E é neste “apenas” que a verdadeira Vida se solta!

Face a face com a Vida
Este é um relato de contrastes: as mulheres saem de casa ainda noite e chegam ao sepulcro com dia; o sepulcro, que deveria ser escuro, revela um anjo de vestes brancas; se elas levavam um amor capaz de colocar vida na morte, um amor maior que o delas acaba por sobrepor-se e revelar a verdadeira Vida. Quem estava por detrás das suas preocupações tão humanas era o Senhor da Vida. E, de repente, os papéis invertem-se. E elas, parteiras da Vida nova, são convidadas a ser suas beneficiárias e anunciadoras. Mas a recepção da alegria da vida assusta, pois pede mais, obriga a peregrinar. A linguagem do sepulcro vazio é leitura comprometedora.

Agora, ide dizer
Nas palavras do Anjo, o anúncio da Vida e a incumbência de uma missão da parte de Deus é um acto contínuo. Mergulhar na ressurreição torna-nos mediadores dos encontros de Deus. O Amor ressuscitado marca encontro com cada ser humano, pois ressuscitou para estar connosco para sempre e, por amor, Ele venceu a morte!
Mas, o trecho evangélico não revela qual foi a reação das mulheres, se cederam ao susto, ou recompuseram a sua alegria, ficámos sem saber se elas acreditaram nos sinais, se até deram crédito ao Anjo ou cumpriram a ordem de que ele as incumbiu. Marcos conduziu-nos pedagogicamente desde a noite até ao dia, desde a escuridão até à luz, desde a morte até à Vida e nós navegámos naquele enredo, rico de pormenores, até que, abruptamente, a narrativa interrompe-se e deixa-nos a sós com uma opção irresistível… como se Marcos nos quisesse dizer: “Agora és tu que deves completar a história!” Sim, ele faz-nos entrar em cena e passa para nós a decisão em aberto, a escolha inadiável: anunciar e ir ao encontro que Jesus Ressuscitado agendou, ao qual Ele vai adiante. Somos hoje receptores da mensagem do sepulcro vazio, somos intérpretes do Evangelho!

Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Senhor Jesus, luz da nova manhã que se propaga no perfume da esperança,
Senhor Jesus, hora sempre nova que acorda o segredo da vida e da surpresa de cada instante,
Senhor Jesus, palavra a transbordar de novidade que acalenta e é notícia do dia sem ocaso…
Olho os lugares onde Te depositas e neles escuto o Aleluia de cada manhã, de cada “faça-se”.
Em cada inverno, sepulcro ou pedra que me isola, ajuda-me a acreditar que a luz da manhã
será sempre uma certeza, porque o amor vence a morte. ALELUIA!

Viver a Palavra

Vou encontrar lugares de ressurreição nas situações concretas deste dia.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

III Domingo Páscoa A



Evangelho segundo S. Lucas 24, 13-35
Dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma povoação chamada Emaús, que ficava a duas léguas de Jerusalém. Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido. Enquanto falavam e discutiam, Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho. Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem. Ele perguntou-lhes. «Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?». Pararam, com ar muito triste, e um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias». E Ele perguntou: «Que foi?». Responderam-Lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte e crucificado. Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu. É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de madrugada ao sepulcro, não encontraram o corpo de Jesus e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos a anunciar que Ele estava vivo. Alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Ele não O viram». Então Jesus disse-lhes: «Homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?». Depois, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito. Ao chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de ir para diante. Mas eles convenceram-n’O a ficar, dizendo: «Ficai connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». Jesus entrou e ficou com eles. E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O. Mas Ele desapareceu da sua presença. Disseram então um para o outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?». Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, que diziam: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão». E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o pão.

Caros amigos e amigas, a desgraça de tantos cristãos é o consentimento dado a uma “fé de poltrona”, acomodada e encadernada… urge pensar a fé como uma caminhada comunitária, deixando que os irmãos tomem parte nela e que Jesus nos acompanhe e nos leve até onde Ele quiser.

Interpelações da Palavra
Viagem pela frustração
Aqui vão dois homens em procissão, carregando o peso de uma cruz que não é redentora. Vão crucificados por lembranças, consentem na morte do sonho que os fizera viver… agonizam, tombam no túmulo do desânimo. Precisam de ressuscitar! Esta cena evangélica é um espelho das nossas atitudes frente aos sinais de morte que ameaçam abafar os abundantes sinais de vida que nos envolvem. É fácil que a morte visite as nossas meditações… mais perigoso é que ela acabe por condicionar as nossas opções e atitudes. No entanto, há aqui uma gradual libertação, que começa pelo ombro do irmão. Na “terapia do desabafo” os discípulos iniciam um caminho de ressurreição que, no entanto, necessita de algo mais para vingar, para ser consumado…

Viagem com o Ressuscitado
… e é a própria ressurreição que os visita! Afinal o Ressuscitado é peregrino e a Palavra é itinerante! Não é peça de museu, não é uma estatuada ideia que visitamos apenas nos momentos de culto. Desde a manhã de Páscoa Ele continua a percorrer as nossas estradas, a abraçar os nossos desesperos, a ressuscitar as nossas mortes. Ele continua a passar, com a força e o calor das Escrituras, a sacudir as nossas lentidões de compreensão, a nossa preguiça em peregrinar por dentro e por fora… Ele convida-nos a viajar pelo seu mistério, a deixar-nos semear pelo desígnio do Pai, a trocar qualquer Emaús por uma meta que está para lá das próprias ambições: a Eucaristia.

Viagem de Ressuscitados
Emaús não é hospedaria ou acampamento: é coração, em permanente sístole e diástole, que acolhe as nossas errâncias fatigadas, as oxigena e as lança nos percursos do anúncio. Está em risco a nossa vida cristã se a vivemos como máquinas frias, programadas por preceitos, leis e normas. É preciso reagir ao fogo da Palavra! Em Emaús a lectio faz-se pão, alimento comestível, consuma o incêndio do coração e abre a visão: “Vimos o Senhor!”.

É preciso desencarcerar a Palavra das Bíblias e dos Leccionários, trazê-la connosco, escrita em gestos e palavras, a palmilhar as estradas dos irmãos e irmãs em sofrimento… É preciso transformar-nos em Eucaristia e voltar sempre a Jerusalém, à comunidade, num regresso que não é retrocesso, pois na verdade só somos discípulos missionários em contexto de Igreja, pertença ao Corpo de Cristo onde circula, como um sangue, o amor oxigenado pelo Evangelho!

Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Senhor os meus olhos estão viciados pelo egoísmo, limpa-os da cegueira que não te reconhece!
Os meus pés estão trôpegos pelo comodismo, desembaraça-os, convida-me à peregrinação;
Senhor, a minha fome está entupida pela rotina, alimenta-me de Ti e faz-me Eucaristia;
Senhor, temo as trevas: abriga-me do relento da arbitrariedade. Ressuscita-me, faz-te Luz em mim…
e que eu possa ser combustível daquele “lume novo” que acende todos os círios pascais!

Viver a Palavra

Vou partilhar com aqueles que vivem ao meu lado as maravilhas que o Senhor me dá a saborear.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

II Domingo Páscoa A



Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos». Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!». Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.

Caros amigos e amigas, nesta nova manhã de Páscoa, Domingo, dia do Senhor, somos convidados a abrir, melhor, “escancarar as portas do nosso coração a Cristo” (S. João Paulo II) que quer semear a paz e o bem com a brisa do Seu Espírito de Amor.

Interpelações da Palavra
De portas fechadas
Espreitemos a sala do medo, onde os discípulos estão reclusos. Custa-lhes virar a página da desilusão e aceitar este desvio face aos planos que traçaram. Esperavam um caminho mais fácil, quando optaram pelo seguimento, tinham tido sonhos fáceis, fantasias sobre tronos apetecíveis e havia projectos alicerçados sobre pilares pessoais. Agora, fecham as portas… porque o sonho terminou da pior forma! Acordavam… sim, tudo parecia ter sido um sonho, prenderam a liberdade que os vislumbrava, mataram a vida que era meta… E agora, fecham as portas, para que não os assalte também a derrota. O silêncio acaricia as dúvidas, mas parece-lhes que não há mais questões para colocar, talvez se tenham apenas enganado no Mestre… E agora, fecham as portas. A dor, a saudade, a solidão, o desânimo, a desilusão, fecham as portas… fogem de todos, também deles próprios, mesmo continuando a pensar e a falar daquele que um dia os cativou… Ainda sentem o cheiro das Suas Palavras e a ternura dos seus gestos…

Vimos o Senhor
Mas eis que Ele tem sede da nossa sede de visão e acaba por mostrar-nos a fundura das chagas do seu amor. Ainda hoje o desafio é vê-l’O, ainda hoje é desafio testemunhar que O vimos. Ouve-se falar de gente que O vê por aí, dizendo que Ele rompe as barreiras do medo e continua a entrar na vida das pessoas, trazendo a paz. Ainda há quem espere por Ele, e O anuncie teimosamente pelas ruas, colocando nele a alegria de viver, porque dele recebe a água que mata a sede de amor. Ainda há quem descubra a manhã de Páscoa em cada gesto criativo de amor. Ainda há quem se ajoelhe e lance sorrisos de bem, onde a escuridão se acomoda e as portas se fecham. Ainda há quem O abrace no perdão e se deixe inspirar e fortalecer pelo Espírito Santo. Mas ainda há também gente que “está fora” e afirma, com um cepticismo provocador, que… se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei… Gente que reclama uma “fé sensorial”… Que não pode crer que continue vivo o sonho, o ideal, o Mestre, no meio de tanta dor, escuridão e desalento…!

Meu Senhor e meu Deus
Mas há um dia, o dia do Senhor, quando as portas continuam fechadas, em que respiro a comunhão, vivo a ténue centelha da esperança, porque me interroga a alegria de quem crê. Há um dia, em que sinto o abraço do Mestre que continua a abrir o meu coração fechado. Aí toco, porque Ele me tocou primeiro. Aí vejo, porque Ele me fitou primeiro, nessa hora creio, porque Ele se aproxima e é a minha paz. E então deixo-me escrever pelo Evangelho!

 


Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Senhor, preciso a chave da verdade para abrir caminhos que destruam a mentira e a falsidade.
Senhor, preciso a chave da paz para arrancar o joio do egoísmo, da desconfiança e da guerra.
Senhor, preciso a chave da vida para descobrir o mistério do seguimento e do serviço.
Senhor, preciso a chave do perdão para lançar desafios de comunhão e de fraternidade.
Senhor, preciso a chave da fé para, na noite e na manhã, cantar Aleluia!

Viver a Palavra

Vou descobrir que portas preciso de abrir para semear o perdão e a paz.

sábado, 19 de abril de 2014

Domingo de Páscoa A


Domingo da Páscoa – Ano A

Evangelho segundo S. João 20, 1-9
No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predilecto de Jesus e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde O puseram». Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou. Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.

Caros amigos e amigas, a Páscoa é o feliz anúncio de que Jesus crucificado ressuscitou. E a Ressurreição é uma experiência de vida, de caminhar juntos, de abrir os olhos, de encontro inesperado. Somos “sentinelas da ressurreição”!

Interpelações da Palavra
A Igreja que ama
Levantara-se muito cedo, no primeiro dia da semana, como se fosse o primeiro dia da nova criação, quando Deus ilumina o mundo dissipando as trevas. Com as flores e o perfume banhado pelas lágrimas, Maria Madalena queria deixar mais uma vez um gesto de amor reconhecido, delicado e gratuito, pelo Crucificado. Ela vem quando ainda é escuro como “sentinela do amor”.
A Madalena é a Igreja que, por amor do seu Senhor, se arrisca ainda de noite à sua procura. Talvez suspeite interiormente que as surpresas de Deus não se apagam com as trevas de uma morte e, sobretudo, que Ele nunca desilude o desejo de quem O ama e procura sinceramente.
A primeira testemunha da ressurreição é uma mulher, como se a ressurreição fosse um nascimento, porque o túmulo vazio deu à luz a vida! Semear vida, fecundar a história, fazer germinar de beleza, de luz, de alegria, a história é missão de mulheres e homens progenitores do amor! Sim, o Amor vive! E basta uma lágrima e um sorriso para o ressuscitar!

A Igreja que acredita
O discípulo anónimo e amado, quando viu a pedra do túmulo rolada, o lençol e o sudário dobrados, sem encontrar o corpo de Jesus, “viu e acreditou”! Aquele lugar sereno, silencioso e vazio, é suficiente para quem ama. Ele é a “sentinela do invisível! Não há relíquias ou provas evidentes da ressurreição. Contudo, os pobres sinais gritam a presença de Jesus ressuscitado. Na verdade, só quem está apaixonado reconhece o ténue e frágil sinal de um ramo de flores, identificado pelo olhar do coração!

A Igreja da esperança
Pedro escutou a paixão de Maria Madalena ao anunciar a notícia; depois correu ofegante atrás da fé do discípulo mais veloz; e, apesar de trazer ainda viva na memória a repetida negação, estava ali. Ele é a “sentinela da esperança”, daquela Igreja que reconhece, apesar das aparências, que o amor do seu Senhor é mais forte do que a morte. E nada, nem a tribulação ou a angústia, a perseguição ou a fome, o perigo ou a espada, nos poderá separar do amor de Deus!
Juntos, os três são a Igreja que ousa, na manhã da Páscoa, ser Evangelho: sim, o Senhor ressuscitou, Jesus vive, Ele está entre nós! E Ele é o Deus da esperança, do futuro, da vida nova. “A sua ressurreição não é algo do passado; contém uma força de vida que penetrou o mundo. Onde parecia que tudo morreu, voltam a aparecer por todo o lado os rebentos da ressurreição. A ressurreição de Cristo produz por toda a parte rebentos deste mundo novo; e, ainda que os cortem, voltam a despontar, porque a ressurreição do Senhor já penetrou a trama oculta desta história; porque Jesus não ressuscitou em vão. Não fiquemos à margem desta marcha da esperança viva”! (Francisco, Evangelii Gaudium).


Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Senhor, entro nesse mistério de luz, com o perfume de uma Páscoa cheia de cor,
Corro destemido ao encontro da novidade do sepulcro vazio, com a brisa de uma presença de paz,
Grito agradecido o anúncio da ressurreição, porque o amor vence a morte e “jamais passará”,
Acordo com a manhã de Páscoa, porque o sino do Aleluia emudece o silêncio da dor.
Senhor, minha paz, meu conforto e minha alegria, creio na vida, espero no amor e canto Aleluia

Viver a Palavra

Vou anunciar com coragem que Jesus venceu a morte e nada pode deter o amor.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

IV Domingo Páscoa C




Naquele tempo, disse Jesus: «As minhas ovelhas escutam a minha voz. Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-Me. Eu dou-lhes a vida eterna e nunca hão-de perecer e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que Mas deu, é maior do que todos e ninguém pode arrebatar nada da mão do Pai. Eu e o Pai somos um só».

Caros amigos e amigas, enquanto que os outros evangelistas têm parábolas, o Evangelho de João está cheio de imagens. Hoje, a beleza da imagem do bom pastor e a ternura das suas palavras revestem-se de uma enorme intensidade que transforma e alegra o coração.

“As minhas ovelhas escutam a minha voz e Eu conheço-as”
Escutar não é só ouvir os sons, mas é preciso a gramática da atenção e a pauta da sintonia para os decifrar. Ouvir é perceber um som; escutar é fazê-lo ressoar dentro, fazê-lo vibrar no coração. A gente vive daquilo que escuta, e a boca fala daquilo que vai no coração. Escutar é então o verbo da relação, da intimidade, do encontro, da partilha, do envolvimento e do compromisso.
A escuta é a primeira maneira de mostrar ao outro que existe, que é importante para mim. Quase como a mãe que ouve o choro do filho e aí escuta a necessidade de afecto, de presença, de alimento. Amar é principalmente escutar.
Escutar a voz do Pastor é ter a certeza que Deus fala e se dirige a mim. Mesmo se tantas vezes lamento o eco de um infinito silêncio, Deus atravessa a minha surdez, quebra a distância, dirige-me a sua palavra e o seu olhar. Os cristãos são aqueles que escutam a voz de Deus!
Para conhecer alguém não basta saber os dados do bilhete de identidade, tal como não basta conhecer de cor o rótulo de uma garrafa para conhecer o seu sabor, nem decorar uma receita para saciar a fome. É preciso experimentar, encontrar, perceber, saborear. Não te conheço porque sei onde vives ou tenho informações sobre ti, mas porque te encontro, acolho o que te habita, vejo quem és, o que sentes, o que vibra em ti. Do mesmo modo Deus conhece-me porque faz ecoar em mim a sua voz, me envolve, me transforma, me ama.

“Eu dou-lhes a vida eterna”
Há uma enorme desproporção entre aquilo que Deus faz por nós e aquilo que cada um deve fazer para corresponder ao seu dom. A vida de Deus, antes de qualquer resposta, mérito ou empenho, é-nos dada sem condições. Deus oferece um precioso tesouro: não coisas, mas a vida, a sua vida!
Muitos cansam-se, num activismo desenfreado, como se tudo dependesse deles, e esquecem a presença em si da humilde semente da vida de Deus.

“Ninguém pode arrebatar nada da mão do Pai”
Nada nem ninguém, anjo ou homem, vida ou morte, presente ou futuro, nos poderá separar do amor de Cristo (S. Paulo). O homem é, para Deus, uma paixão tão grande que O faz atravessar a eternidade à nossa procura. Estamos nas mãos do Pai: as mãos que separaram o céu e a terra, mãos que moldaram o frágil barro de Adão, mãos estendidas aos doentes e a Pedro quando naufragava, mãos que partilharam o pão da vida na última ceia, mãos pregadas na cruz para um abraço eterno, mãos furadas que acolheram as dúvidas de Tomé… Amigos, nestas mãos eu confio a minha vida!
O Evangelho é uma longa história de mãos. Agora a tarefa é nossa: ser mão para os outros, prolongar o Evangelho.
VIVER A PALAVRA
Considero a alegria de saber que o Senhor me conhece e confio totalmente n’Ele.


REZAR A PALAVRA
Tu és o meu Senhor nada me falta!
Quando quiser encontrar o teu rosto seguirei o eco da tua voz,
confiante na segurança das tuas mãos fortes e ternas.
Tu és o meu Senhor nada me falta!
Concede-me, Pastor de beleza, a liberdade de te seguir nos verdes prados
e sacia-me com a frescura do teu Espírito.
Reconforta, Senhor, a minha alma e guia-me por caminhos rectos.
Tu és o meu Senhor nada me falta!

quinta-feira, 4 de abril de 2013

II Domingo Páscoa C




Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos». Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!». Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.

Caros amigos e amigas, na oitava da Páscoa o evangelho apresenta-nos duas cenas: a aparição do ressuscitado aos seus discípulos na ausência de Tomé e o protagonismo de Tomé no encontro com o Mestre ressuscitado.

Shalóm
A saudação do ressuscitado «a paz esteja convosco», típica entre os judeus, não é uma simples saudação, mas é uma profecia e um acontecimento. O significado profundo de shalóm (paz) é de doação de um novo estilo de vida para cada pessoa e para as comunidades que seguem o projeto do espírito de Jesus Cristo: «como o Pai me enviou também eu vos envio a vós… recebei o Espírito Santo».

Olhos de Páscoa
Tomé não acredita no testemunho dos colegas: «vimos o Senhor». Ele sente a necessidade de experimentar pessoalmente o encontro com Cristo. Quando acontece o tu a tu, já não precisa de ver nas suas mãos o sinal dos cravos e de meter o dedo no lugar dos cravos ou a mão no lado aberto. Tomé fica fascinado pelo Mestre ressuscitado. De certo modo, Tomé representa-nos a todos. É uma figura atual que não aceita ser menos que os outros colegas que tinham visto o ressuscitado. Ele podia acreditar como nós pelo testemunho dos Apóstolos ou então como fez de pertencer ao grupo dos privilegiados que tocaram o mistério.
O encontro com o Ressuscitado transfigura o coração e a razão e lança-nos um enorme desafio: «não chega só pregar sobre ti, meu Deus, dar-te a conhecer aos outros, desenterrar-te dos corações dos outros. É preciso abrir nos outros o caminho que conduz a ti, meu Deus, e para isso é necessário ser um grande conhecedor da índole humana» (Etty Hilesum).

“Felizes os que acreditam sem terem visto”
Neste contexto Tomé exprime a máxima confissão de fé de todo o Novo Testamento. Ele dirige-se a Jesus como o antigo israelita se dirigia a Yahweh, isto é como o Senhor (Yahweh) e Deus (Elohim). A bem-aventurança que se segue à confissão de fé ilustra bem o facto extraordinário da aparição do ressuscitado-crucificado; o chamamento da comunidade para acreditar através da escuta e o valor do anúncio do Evangelho
Jesus chama felizes àqueles que acreditam sem ter visto. É nos gestos de amor, de partilha, de serviço, de encontro, de fraternidade, que encontramos Jesus vivo, a transformar e a renovar o mundo. E isto, caros amigos e amigas, é o dinamismo do Evangelho!

VIVER A PALAVRA
Quero acolher do Coração do Ressuscitado a Vida que me faz mensagem do Seu Amor.


REZAR A PALAVRA
Bastantes vezes também eu não reconheço a tua presença viva e ressuscitada,
nos outros, na Igreja, no mundo e na história,
mas transforma o meu coração na paz da tua Páscoa,
para que, no dom do teu Espírito, possa sempre confiar e testemunhar-te,
Senhor e Deus, o amor sem medida.