Mostrando postagens com marcador pão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pão. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 23 de julho de 2015

XVII Domingo Comum B


Evangelho segundo S. João 6, 1-15
Naquele tempo, Jesus partiu para o outro lado do mar da Galileia, ou de Tiberíades. Seguia-O numerosa multidão, por ver os milagres que Ele realizava nos doentes. Jesus subiu a um monte e sentou-Se aí com os seus discípulos. Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus. Erguendo os olhos e vendo que uma grande multidão vinha ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: «Onde havemos de comprar pão para lhes dar de comer?». Dizia isto para o experimentar, pois Ele bem sabia o que ia fazer. Respondeu-Lhe Filipe: «Duzentos denários de pão não chegam para dar um bocadinho a cada um». Disse-Lhe um dos discípulos, André, irmão de Simão Pedro: «Está aqui um rapazito que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas que é isso para tanta gente?». Jesus respondeu: «Mandai-os sentar». Havia muita erva naquele lugar e os homens sentaram-se em número de uns cinco mil. Então, Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, fazendo o mesmo com os peixes; e comeram quanto quiseram. Quando ficaram saciados, Jesus disse aos discípulos: «Recolhei os bocados que sobraram, para que nada se perca». Recolheram-nos e encheram doze cestos com os bocados dos cinco pães de cevada que sobraram aos que tinham comido. Quando viram o milagre que Jesus fizera, aqueles homens começaram a dizer: «Este é, na verdade, o Profeta que estava para vir ao mundo». Mas Jesus, sabendo que viriam buscá-l’O para O fazerem rei, retirou-Se novamente, sozinho, para o monte.

Caros amigos e amigas, o Evangelho narra a bela passagem da multiplicação dos pães. O pão, fruto da terra e do trabalho árduo de muitas mãos, resume a essencialidade do dia-a-dia e também a festa da partilha. O pão simboliza a nossa vida. E Deus, que deseja ser da mesma massa que nós, escolhe o pão para se encontrar connosco, no coração da vida, na eucaristia.

Interpelações da Palavra
Famintos de Deus
Quem me dera ser um daqueles cinco mil, naquela tarde primaveril, à beira do lago. Desejava estar ali não tanto pelo milagre do pão, mas sobretudo para estar com Jesus e ter o coração a arder, para O escutar e me alimentar das suas palavras que libertam, curam, consolam a vida. E imagino-me entre aquela multidão boquiaberta, olhando para os cestos de pão e peixe que circulam, comendo, saciando-se e enchendo os bolsos, abundantemente. Deus nunca manda ninguém para casa de mãos vazias. Na verdade, os seus cálculos do amor não coincidem com os nossos. A lógica da generosidade vence o egoísmo e o dom gratuito substitui a lógica do comprar.

A semente do milagre
O milagre inicia pela generosidade de um jovem. A sua oferta era irrisória diante daquela multidão esfomeada: apenas 5 pães e 2 peixes colocados nas mãos de Jesus, sem armazenar, correndo até o risco de passar fome! No entanto, o seu pouco torna-se fermento de milagre: é o sim humilde de Maria que se entrega totalmente, é o gesto da viúva que no Templo dá tudo o que tem. O gesto do jovem é contagioso: convida àquela dinâmica do dom, da entrega da vida, do dar-se naquilo que se faz. É o primeiro passo de um milagre inimaginável. Este jovem é ícone do dom infinito do Pai que dá o seu Filho, num amor que não faz cálculos!
Quando o “meu” pão se torna o “nosso” pão, então torna-se também origem de milagre, sacramento de comunhão. Hoje, Deus precisa da tua e da minha “merenda” para saciar o mundo, para alimentar os outros. Ele multiplicará sempre o gesto de amor até à abundância, ao excesso, à desmedida.
Todos somos suficientemente ricos para dar. Se olharmos bem temos tempo, talentos, um pouco de fraternidade, de paz, de alegria, de justiça,… E, como no relato do Evangelho, nada será perdido porque nada é demasiado pequeno para não servir de comunhão. Deus nunca deita fora a nossa vida, nem o mais pequeno gesto, porque somos demasiado preciosos. Ainda hoje há excessos de milagres espalhados no nosso quotidiano.

“Tomar, dar graças e distribuir”
São três verbos que transformam a nossa vida em Evangelho. Tomar e receber a vida, as pessoas, um pedaço de pão, a história. Agradecer e bendizer por aquilo que se é e se recebe, até as mais pequenas migalhas. E distribuir dando-se, porque cada um só é rico daquilo que dá, já que a vida não se pode aprisionar nem acumular, apenas partilhar e viver com os outros. E, quando assim é, a vida sobra em abundância. Assim vive-se em Eucaristia! E a Eucaristia torna-se vida! E o pão nosso de cada dia torna-se Evangelho!


Rezar a Palavra e contemplar o Mistério

Senhor Jesus, atento a cada movimento, a cada dor e fome que me assalta.
Precisas dos meus cinco pães e dois peixes que, por graça, de Ti recebi…
Precisas o meu estar na multidão, disponível para a supresa e para a partilha.
Com o meu pouco fazes o milagre que transborda, a graça da comunhão
e a experiêcia da saciedade. Tu és o Pão que dá vida, o profeta que havia de vir
ao mundo… À mesa, santado à Tua beira, quero fazer sempre parte deste banquete.

Viver a Palavra

Vou descobrir o que em mim são os ”cinco pães e dois peixes a partilhar”.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

XVIII Domingo Comum A


Evangelho segundo S. Mateus 14, 13-21
Naquele tempo, quando Jesus ouviu dizer que João Baptista tinha sido morto, retirou-Se num barco para um local deserto e afastado. Mas logo que as multidões o souberam, deixando as suas cidades, seguiram-n’O por terra. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e, cheio de compaixão, curou os seus doentes. Ao cair da tarde, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: «Este local é deserto e a hora avançada. Manda embora toda esta gente, para que vá às aldeias comprar alimento». Mas Jesus respondeu-lhes: «Não precisam de se ir embora; dai-lhes vós de comer». Disseram-Lhe eles: «Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes». Disse Jesus: «Trazei-mos cá». Ordenou então à multidão que se sentasse na relva. Tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e recitou a bênção. Depois partiu os pães e deu-os aos discípulos, e os discípulos deram-nos à multidão. Todos comeram e ficaram saciados. E, dos pedaços que sobraram, encheram doze cestos. Ora, os que comeram eram cerca de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças».

Caros amigos e caras amigas, a descrição deste milagre pode deixar muitas reticências aos mais cépticos, deveria deixar fortes interrogações a todos nós! Será que esta abundância de pão é fruto de um mero truque divino? Para entendermos o milagre dos cestos “cheios”, temos de recuar até um Jesus “cheio” de compaixão!

Interpelações da Palavra
Cheio de compaixão
Tantas canseiras a semear o Evangelho, gente atrevida a pedir milagres, a reclamar atenções, o desgosto recente pela morte do primo e amigo João Baptista… era natural que Jesus procurasse um lugar retirado, um tempo de sossego para permanecer e se alimentar no caudal da ternura do olhar do Pai, e de repente, quando parecia que o lugar deserto o abraçava, eis que chegam pessoas de todos os lados, como em novo êxodo, à procura da terra da promissão, da liberdade e do dom. Depois de ser Jesus a ouvi-la e a atendê-la, são os discípulos, num zelo mesquinho, ou numa impotência sem fé, a sugerir que se mande embora a multidão para “comprar alimento”. E Ele impede tal plano. Para quê comprar, se Ele continua cheio… cheio de compaixão?
A dor dos outros é o segredo do “enchimento” de Jesus. Jesus pôde encher-se de compaixão porque estava vazio de si mesmo. Ele esvazia-se da sua condição divina, de pretensões, de preconceitos, está preparado para encher-se quando a fome dos outros notifica a sua compaixão. Nós, porém, estamos quase sempre cheios… cheios de nós mesmos. E acumulamos, retemos, conservamos… fechamo-nos zelosamente ao incómodo da partilha e até cobramos com imposto, sempre que somos interpelados pela necessidade do outro.

De onde veio, de repente, tanto pão?
Como foi possível? Não, amigos e amigas, de certeza que não caiu nada das mangas de Jesus. Jesus alcançou a safra milagrosa a partir do Coração do Pai, mas Ele também sabia que havia algo no coração de todos. Jesus insufla a compaixão nos reservatórios da nossa piedade cristalizada em intenções inertes, semeia a Palavra no nosso coração, cava as ervas daninhas da mesquinhez, ceifa as espigas das nossas possibilidades, coze o dom no fogo do amor e logo o pão da partilha brota feliz de todas mãos e olhares para todas as bocas dispostas a celebrar. Jesus é a safra da vida, Eucaristia, terra sempre fecunda, banquete abundante de amor, de festa e de pão que, no perímetro o mundo, põe uma mesa aberta a todos, totalmente de graça. Para quê comprar?

Encheram doze cestos
A multiplicação do pão é afinal a multiplicação do coração, a multiplicação do amor. Se deixarmos a fórmula da Eucaristia continuar a funcionar nas nossas vidas, não haverá mais bocas famintas, não mais deserdados dos bens da terra, que é farta e generosa, não mais mendigos defraudados de pão e de afecto. O milagre está aqui a roçar as nossas mãos, capazes de compor a sinfonia da comunhão, desde a sementeira até à refeição. Amigos e amigas, nós podemos encher o mundo de pão, de alegria e de festa, nós podemos provocar uma abundância milagrosa à nossa volta, se deixarmos multiplicar dentro do coração, a potência do Evangelho!


Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Senhor, olha para este mundo, vedado pela possessão, disputado e ferido pela avidez;
Olha para o meu coração endurecido por tantos medos, aferrolhado em tantos nadas.
Abre as reservas do meu coração, Senhor, convida o meu dom para as estradas da partilha.
Em ti nunca se esgota o sonho de mesas cheias, de sorrisos fartos e perfumes de fraternidade…
Agradeço-te: mais uma vez, semeias em mim a tua Palavra, e alimentas-me à mesa da Eucaristia:
faz brilhar o sol do teu amor sobre a minha vontade e amadurece o fruto da minha generosidade.

Viver a Palavra

Vou encontrar dentro do meu coração os ingredientes da generosidade e da partilha.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Santíssimo Corpo e Sangue do Senhor – Ano A


Evangelho segundo S. João 6, 51-50
Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «Eu sou o pão vivo descido do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei-de dar é a minha Carne, que Eu darei pela vida do mundo». Os judeus discutiam entre si: «Como pode Ele dar-nos a sua Carne a comer?». Jesus disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a Carne do Filho do homem e não beberdes o seu Sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia. A minha Carne é verdadeira comida e o meu Sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece em mim e Eu nele. Assim como o Pai, que vive, Me enviou, e Eu vivo pelo Pai, também aquele que Me come viverá por Mim. Este é o pão que desceu do Céu; não é como aquele que os vossos pais comeram, e morreram; quem comer deste pão viverá eternamente».

Caros amigos e amigas, hoje, Jesus oferece-se em Eucaristia como nascente de amor, para que alimentando-nos do seu Corpo e Sangue, cheios do seu Espírito Santo, sejamos em Cristo um só corpo e um só espirito.

Interpelações da Palavra
“Eu sou o pão vivo descido do Céu”
Todos precisamos de alimento, obviamente de pão, mas também de afecto, de luz, de sentido, de sonhos e de felicidade. Sem pão o homem morre! E Deus quer ser, nas nossas mãos e no nosso seio, o nosso pão, alimento vital. Desde a criação Deus, numa eterna procissão, vem ao nosso encontro, procura Belém (= a casa do pão) na nossa vida, porque não suporta distâncias! Ele sonha ser o nosso pão, numa comunhão sem impedimentos, numa harmonia em que o nosso coração o absorve e Ele absorve o nosso coração, tornando-nos um só.
Deus é pai e pão, dá-se a si mesmo, e alimenta-nos como uma mãe que nutre os filhos com o seu corpo, como se estivéssemos ainda em gestação, preparando-nos para a plena comunhão, aquela consigo, com a humanidade, a criação e o universo, aquela que agora vivemos limitada mas que antecipamos em cada encontro e abraço.

“Comer a carne e beber o sangue”
Estas palavras são escandalosas! Será que Jesus, habituado às parábolas simples, fala agora uma linguagem incompreensível? Talvez não, pois todos nos alimentamos uns dos outros: da presença e sabedoria, da partilha e relação, da palavra e gestos. De outro modo, seríamos solitários, ressequidos e esfomeados! Comer e beber, tão naturais e necessários, fazem parte da nossa liturgia diária, como se a Eucaristia fosse natural e um ritual existencial! Sim, porque antes do altar da Igreja está o santuário do irmão, que é o corpo de Cristo visível e próximo, silencioso e gritante, amigo e distante, pobre e tesouro, estrangeiro e doente, que continuamente repete: aquilo que fizeres a um dos mais pequeninos é a mim que o fazes.
Afinal, Deus conhece a dor da nossa carne e do amor, sabe o que custa a vida, entende o suor das lágrimas e o sofrimento até ao sangue, numa dádiva até ao extremo. Comer a carne e beber o sangue de Jesus é, então, viver do seu amor, é deixá-lo pulsar nas nossas veias, é fazer que o nosso coração conheça a sua nascente, é ser capaz de morrer por amor porque se vive de amor! Afinal, a fé não é uma ideia, uma convicção, é muito mais: é a comunhão com uma pessoa, o Filho de Deus, feito homem, carne da nossa carne, sangue do nosso sangue.

“Quem comer deste pão viverá eternamente”
De facto, quem se alimenta daquele que se fez pão alimenta-se da sua vida apaixonada de amor. No corpo de Cristo, feito pão e vinho entregues por nós, o céu beija a terra, o Criador assume o barro da criatura, a eternidade abraça o quotidiano. A pessoa torna-se aquilo que come, configura-se naquilo que contempla, transforma-se naquele que recebe! Assimilar Jesus faz-nos filhos e consanguíneos dos habitantes da face da terra!
Cada um de nós sabe que, naquele pedaço de pão ázimo e naquele cálice onde a nossa humanidade mergulha no vinho da alegria divina, colocados sobre o altar, existe um segredo vital: somos saciados no pão de Deus para nos tornarmos também pão, nutrimento que sacia para a vida eterna. Porque o pão dos anjos é também, caros amigos e amigas, o verdadeiro pão dos filhos. E Jesus é o pão feito Evangelho!


 


Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Senhor, Pão vivo, descido do Céu, Tu és o alimento que mantém a minha verdadeira vida.
O teu Pão tem os nutrientes do amor, a composição da festa, o detalhe da alegria.
O teu Pão concentra toda a misericórdia do Coração do Pai e a força do Espírito.
O teu Pão tem o sabor inefável da proximidade e a energia vivificante da tua Presença.
Eu Te louvo, Senhor, delícia dos céus, desafio à partilha, exigência de comunhão:
que possa assimilar a tua lição de entrega gozosa, ser pão como Tu, Eucaristia repartida.

Viver a Palavra

Vou considerar o imenso amor de Jesus na Eucaristia e alimentar-me deste manjar de amor.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

III Domingo Páscoa A



Evangelho segundo S. Lucas 24, 13-35
Dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma povoação chamada Emaús, que ficava a duas léguas de Jerusalém. Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido. Enquanto falavam e discutiam, Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho. Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem. Ele perguntou-lhes. «Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?». Pararam, com ar muito triste, e um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias». E Ele perguntou: «Que foi?». Responderam-Lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte e crucificado. Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu. É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de madrugada ao sepulcro, não encontraram o corpo de Jesus e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos a anunciar que Ele estava vivo. Alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Ele não O viram». Então Jesus disse-lhes: «Homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?». Depois, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito. Ao chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de ir para diante. Mas eles convenceram-n’O a ficar, dizendo: «Ficai connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». Jesus entrou e ficou com eles. E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O. Mas Ele desapareceu da sua presença. Disseram então um para o outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?». Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, que diziam: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão». E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o pão.

Caros amigos e amigas, a desgraça de tantos cristãos é o consentimento dado a uma “fé de poltrona”, acomodada e encadernada… urge pensar a fé como uma caminhada comunitária, deixando que os irmãos tomem parte nela e que Jesus nos acompanhe e nos leve até onde Ele quiser.

Interpelações da Palavra
Viagem pela frustração
Aqui vão dois homens em procissão, carregando o peso de uma cruz que não é redentora. Vão crucificados por lembranças, consentem na morte do sonho que os fizera viver… agonizam, tombam no túmulo do desânimo. Precisam de ressuscitar! Esta cena evangélica é um espelho das nossas atitudes frente aos sinais de morte que ameaçam abafar os abundantes sinais de vida que nos envolvem. É fácil que a morte visite as nossas meditações… mais perigoso é que ela acabe por condicionar as nossas opções e atitudes. No entanto, há aqui uma gradual libertação, que começa pelo ombro do irmão. Na “terapia do desabafo” os discípulos iniciam um caminho de ressurreição que, no entanto, necessita de algo mais para vingar, para ser consumado…

Viagem com o Ressuscitado
… e é a própria ressurreição que os visita! Afinal o Ressuscitado é peregrino e a Palavra é itinerante! Não é peça de museu, não é uma estatuada ideia que visitamos apenas nos momentos de culto. Desde a manhã de Páscoa Ele continua a percorrer as nossas estradas, a abraçar os nossos desesperos, a ressuscitar as nossas mortes. Ele continua a passar, com a força e o calor das Escrituras, a sacudir as nossas lentidões de compreensão, a nossa preguiça em peregrinar por dentro e por fora… Ele convida-nos a viajar pelo seu mistério, a deixar-nos semear pelo desígnio do Pai, a trocar qualquer Emaús por uma meta que está para lá das próprias ambições: a Eucaristia.

Viagem de Ressuscitados
Emaús não é hospedaria ou acampamento: é coração, em permanente sístole e diástole, que acolhe as nossas errâncias fatigadas, as oxigena e as lança nos percursos do anúncio. Está em risco a nossa vida cristã se a vivemos como máquinas frias, programadas por preceitos, leis e normas. É preciso reagir ao fogo da Palavra! Em Emaús a lectio faz-se pão, alimento comestível, consuma o incêndio do coração e abre a visão: “Vimos o Senhor!”.

É preciso desencarcerar a Palavra das Bíblias e dos Leccionários, trazê-la connosco, escrita em gestos e palavras, a palmilhar as estradas dos irmãos e irmãs em sofrimento… É preciso transformar-nos em Eucaristia e voltar sempre a Jerusalém, à comunidade, num regresso que não é retrocesso, pois na verdade só somos discípulos missionários em contexto de Igreja, pertença ao Corpo de Cristo onde circula, como um sangue, o amor oxigenado pelo Evangelho!

Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Senhor os meus olhos estão viciados pelo egoísmo, limpa-os da cegueira que não te reconhece!
Os meus pés estão trôpegos pelo comodismo, desembaraça-os, convida-me à peregrinação;
Senhor, a minha fome está entupida pela rotina, alimenta-me de Ti e faz-me Eucaristia;
Senhor, temo as trevas: abriga-me do relento da arbitrariedade. Ressuscita-me, faz-te Luz em mim…
e que eu possa ser combustível daquele “lume novo” que acende todos os círios pascais!

Viver a Palavra

Vou partilhar com aqueles que vivem ao meu lado as maravilhas que o Senhor me dá a saborear.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

XVII Domingo Comum C



Naquele tempo, estava Jesus em oração em certo lugar. Ao terminar, disse-Lhe um dos discípulos: «Senhor, ensina-nos a orar, como João Baptista ensinou também os seus discípulos». Disse-lhes Jesus: «Quando orardes, dizei: ‘Pai, santificado seja o vosso nome; venha o vosso reino; dai-nos em cada dia o pão da nossa subsistência; perdoai-nos os nossos pecados, porque também nós perdoamos a todo aquele que nos ofende; e não nos deixeis cair em tentação’». Disse-lhes ainda: «Se algum de vós tiver um amigo, poderá ter de ir a sua casa à meia-noite, para lhe dizer: ‘Amigo, empresta-me três pães, porque chegou de viagem um dos meus amigos e não tenho nada para lhe dar’. Ele poderá responder lá de dentro: ‘Não me incomodes; a porta está fechada, eu e os meus filhos estamos deitados e não posso levantar-me para te dar os pães’. Eu vos digo: Se ele não se levantar por ser amigo, ao menos, por causa da sua insistência, levantar-se-á para lhe dar tudo aquilo de que precisa. Também vos digo: Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei à porta e abrir-se-vos-á. Porque quem pede recebe; quem procura encontra e a quem bate à porta, abrir-se-á. Se um de vós for pai e um filho lhe pedir peixe, em vez de peixe dar-lhe-á uma serpente? E se lhe pedir um ovo, dar-lhe-á um escorpião? Se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedem!».

Caros amigos e amigas, o Evangelho deste Domingo dá-nos uma boa oportunidade para, com os discípulos, ousar também indagar Jesus, Aquele que é o Filho muito Amado, sobre o segredo para aquele encontro íntimo com o Pai, que nos é absolutamente necessário como respirar.

Ensina-nos a orar
Certamente que os discípulos se questionavam de onde vinha a Jesus aquela força interior, aquela harmonia, aquela segurança e legitimidade para o que dizia e fazia. Habituados a ver que Jesus “se retirava para lugares solitários” sentiam-se fascinados ao vê-lo rezar! Eles precisavam de saber como se alcançava aquela comunhão com Deus, aquela permanente reconciliação com tudo o que Ele criou.
Também nós, cansados de tanta aridez e infertilidade na oração, temos em Jesus o verdadeiro Mestre. Ele pode ensinar-nos a rezar, a trilhar o caminho de ingresso à relação com o Pai, porque só Ele conhece os meandros do seu Coração. Só Ele pode dizer-nos como se vai mais além da plataforma das palavras.

Pai…
Jesus abre-nos uma porta impensável. Ele não só nos autoriza como nos impele a usar o nome de Pai, o nome que carrega a familiaridade precisa para alcançar em cheio o Coração de Deus. Dizer Pai é fazer uma incisão nos cosmos, é perfurar o Céu! Dizer Pai dirigindo-nos a Deus é como solfejar todo o universo criado por Ele. Santificado, venha, faça-se, dai-nos perdoai-nos, não nos deixeis cair… são os compassos de um hino em que o coração inteiro se harmoniza com o Coração de Deus. Nunca poderemos rezar deveras a oração que Jesus nos ensinou sem esta reconciliação ou sintonia do coração.
Muitas vezes fazemos de Deus um empregado de balcão a quem formulamos pedidos a troco de palavras e de gestos vazios de nós mesmos… De facto a oração que Jesus nos ensinou é uma bateria de pedidos e na parábola o verbo pedir é chave! No entanto, amigos e amigas, este verbo está entrelaçado com outro: dar. A chave completa é esta: pedir para dar. Um pedido legítimo feito a Deus tem que nos requisitar para a dádiva de nós mesmos. Tem que transformar-nos num pão que se reparte…

Tornar-se pão
Esta parábola é uma história de amigos. E não são só dois os amigos, que estagnam num círculo fechado, mas uma trindade dinâmica que se torna manancial. A oração é um trato de amizade com Deus, diz Santa Teresa de Jesus. O Amigo é aquela meta que a confiança logra alcançar, sol na noite, voz que responde, porta que se abre, mão que (se) estende... Mas Jesus fala de insistência. Far-se-á Deus rogado? Somos nós que precisamos de insistir nos nossos desejos até saber pedir o Bem e alargar o nosso espaço interior para o receber. Ele sugere-nos que temos de passar de pedidos egoístas para aquela prece que nos transforma em dom para os demais. Esta parábola assegura-nos que, onde houver verdadeira oração, não haverá famintos de pão e de afecto, não haverá abandonados ao relento da noite, não haverá pedidos que se esvaem na indiferença, mas haverá homens e mulheres, saciados de Espírito Santo, dispostos a serem Eucaristia, a tornarem-se pão, como Jesus, para alimentar o mundo. Esta é a refeição do Evangelho!

VIVER A PALAVRA
Vou encontrar um tempo para rezar ao Pai e para abraçar o irmão.

REZAR A PALAVRA
Senhor, ensina-me a rezar, ensina-me a estar na tua presença, a contemplar o teu mistério.
Senhor, ensina-me a tua disponibilidade, a tua misericórdia incondicional e o teu perdão.
Senhor, ensina-me a tua amizade verdadeira, o teu sim à vida, o teu fazer-se pão.
Senhor, ensina-me o teu dar sem medida, o teu encontro permanente, a tua abertura de paz.

Senhor, ensina-me a amar!

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Corpo e Sangue de Cristo - C



Naquele tempo, estava Jesus a falar à multidão sobre o reino de Deus e a curar aqueles que necessitavam. O dia começava a declinar. Então os Doze aproximaram-se e disseram-Lhe: «Manda embora a multidão para ir procurar pousada e alimento às aldeias e casais mais próximos, pois aqui estamos num local deserto». Disse-lhes Jesus: «Dai-lhes vós de comer». Mas eles responderam: «Não temos senão cinco pães e dois peixes... Só se formos nós mesmos comprar comida para todo este povo». Eram de facto uns cinco mil homens. Disse Jesus aos discípulos: «Mandai-os sentar por grupos de cinquenta». Assim fizeram e todos se sentaram. Então Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes,
ergueu os olhos ao Céu e pronunciou sobre eles a bênção. Depois partiu-os e deu-os aos discípulos, para eles os distribuírem pela multidão. Todos comeram e ficaram saciados; e ainda recolheram doze cestos dos pedaços que sobraram.

Caros amigos e amigas, na solenidade que hoje celebramos reconhecemos o imenso dom de Deus que nos convida também a ser dom, a ser pão com(o) Jesus. Consagrados por Ele somos Eucaristia!

Eucaristia, sinal de um Deus solícito
O milagre da multiplicação dos pães vem na sequência das curas que Jesus está a realizar. A Eucaristia é o maior dom do amor de Deus, porque é a entrega de Si próprio. A Eucaristia contém em si e resume os bens excelentes que o Senhor dá aos seus filhos amados; ela é o sinal de que Deus alimenta o seu povo e está atento à sua indigência e necessidades.
A cena passa-se ao entardecer quando as trevas da noite rondam a vitalidade do dia. Este estado de noite é um sinal da nossa condição peregrina que almeja uma aurora. A noite é este véu da nossa fragilidade que tacteia o decisivo. A Eucaristia surge-nos então aqui como um sol que se encontra com as nossas noites, que preenche de luz os espaços às vezes tenebrosos das nossas dúvidas e esforços e nos conduz no dia porque nos alimenta d’Aquele que é o Sol Divino… porque a Eucaristia é Presença!

Partiu-os e deu-os…
A Eucaristia é exigência para repartir os bens de Deus. Ela é fracção. Não se pode entender como algo de compacto, de acumulação de valor. Ela é o centro onde a dispersão se reconcilia e donde parte a irradiação do dom. Ela pertence a este dinamismo do amor que não se acumula, que não se deposita. Um depósito assim, que estagna e envenena, chama-se egoísmo. Só se entende o amor quando é repartido, quando explode, quando irradia vida para fora de si mesmo. O pão é o produto daquela longa história de mãos que nas mãos de Jesus encontram coroamento, é o fruto de um suceder de entregas que culmina na entrega de Jesus.
Decerto que os Doze também não teriam o estômago muito provido. Imaginemos o seu desconcerto quando pensavam exibir a Jesus uma louvável solicitude pelos famintos e Ele lhes diz: “dai-lhes vós mesmos de comer”. Quantas vezes nos deixamos ficar pelos piedosos diagnósticos de fomes, sem avançar para a coragem de nos tornarmos refeição! Eles poderiam ter alegado: “Nós também temos fome!” Mas para Jesus tal argumento teria uma só solução, porque a sua lógica é esta: a nossa alimentação passa por dar de comer ao outro. E esta alimentação não se refere (apenas!) ao alimento exterior, mas o fazer-se alimento. Ser de Cristo é aceitar fraccionar-se, dar-se em alimento de comunhão. Nós somos o pão partido de Cristo, a sua viva Eucaristia.

A saciedade e o que sobra
Jesus podia ter feito um milagre perfeitinho, com bocados de pão contados e apenas umas migalhas para os passarinhos. Porquê este “desperdício”? Perguntará Judas a propósito do perfume derramado. Os doze deparam-se com a trabalheira de ter de recolher as sobras, cada um em seu cesto, sinal de uma abundância excessiva. Deus é esta desproporção imensa entre as nossas fomes e a sua misericórdia. Deus é um esbanjador inveterado, é esta grandeza que não calcula despesas, nem se deixa estrangular por orçamentos. A medida d’Ele é não ter medida. Amigos e amigas, não tenhamos medo de abrir o coração às dimensões de Deus para ser Eucaristia… explosão de Evangelho!

VIVER A PALAVRA

Vou descobrir o que em mim pode ser pão repartido para os outros.

REZAR A PALAVRA
Senhor, creio que transformas o deserto em vida, onde a surpresa da ternura
se esconde e confunde a teimosia das fugas. Creio que Te basta o meu pouco
para dele fazeres muito e sobrar em abundância. Senhor, creio que me amas
e, atento à minha fome, te dás em alimento e desejas habitar em mim.

Hoje ajoelho e adoro… Creio que estás em mim, Pão Vivo que desce do Céu.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

I Domingo Quaresma C




Naquele tempo, Jesus, cheio do Espírito Santo, retirou-Se das margens do Jordão. Durante quarenta dias, esteve no deserto, conduzido pelo Espírito, e foi tentado pelo Diabo. Nesses dias não comeu nada e, passado esse tempo, sentiu fome. O Diabo disse-lhe: «Se és Filho de Deus, manda a esta pedra que se transforme em pão». Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem’». O Diabo levou-O a um lugar alto e mostrou-Lhe num instante todos os reinos da terra e disse-Lhe: «Eu Te darei todo este poder e a glória destes reinos, porque me foram confiados e os dou a quem eu quiser. Se Te prostrares diante de mim, tudo será teu». Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele prestarás culto’». Então o Diabo levou-O a Jerusalém, colocou-O sobre o pináculo do templo e disse-Lhe: «Se és Filho de Deus, atira-Te daqui abaixo, porque está escrito: ‘Ele dará ordens aos seus Anjos a teu respeito, para que Te guardem’; e ainda: ‘Na palma das mãos te levarão, para que não tropeces em alguma pedra’». Jesus respondeu-lhe: «Está mandado: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’». Então o Diabo, tendo terminado toda a espécie de tentação, retirou-se da presença de Jesus, até certo tempo.

Caros amigos e amigas, o Evangelho convida-nos ao deserto. Desde a quarta-feira de cinzas, a Quaresma recorda que somos pó. Contudo, este pó habitado pelo Espírito é, ainda hoje, a obra-prima da criação. Tão bela e delicada que, cada ano, o Artista a conduz ao deserto para lhe reavivar todo o seu esplendor.

“Estar no deserto, conduzido pelo Espírito”
O deserto é um lugar misterioso e intrigante, um espaço onde a sobrevivência e a morte caminham lado a lado, local de desafios e de audácia. É também o lugar onde Deus conduz os profetas para lhes falar ao coração, onde caminha com o povo hebreu partilhando a sua vida. Hoje, também as nossas cidades têm os seus desertos: o deserto da solidão e tristeza de tantos; o deserto de uma crise que avança impiedosa; o deserto de muitas perguntas sem respostas… Na verdade, basta uma quebra em Wall Street e falta o pão na nossa casa; basta uma febre e definha a saúde; basta uma união desfeita e desaparece alegria. Mas, se o Evangelho nos convida a entrar no deserto é porque – como disse Saint-Exupéry – em cada deserto há um poço, em qualquer angústia existe um rebento de ressurreição. No deserto são as estrelas que traçam a rota. Talvez ali descubramos dentro de nós a nostalgia do Céu, a liberdade desmesurada, o silêncio que permite a escuta, a luz que desmascara as trevas, a presença capaz de um encontro…

“Se és Filho de Deus”
As três tentações metem em jogo a relação filial de Jesus com o Pai, são um desafio entre dois projectos, são uma escolha entre dois amores.
As tentações são a divisão do nosso coração feito de cinzas e de luz, são um convite a alimentar-se só de pão, a contentar-se com a própria história, a viver sem sonhos, a silenciar a voz de Deus. O silêncio é então quebrado por aquela insinuação diabólica que gostaria de minar a nossa confiança no Amor: “onde está o teu Deus”? Todos sabemos que somos mendigos de pão, mas não podemos esquecer que somos também pedintes do céu e da eternidade, somos possuidores de tanta coisa mas mendicantes da beleza e do amor. O pão é bom e necessário, sacia o estômago, mas só Deus sacia a vida. Doutro modo, a existência é uma saca cheia de pedras que se tornaram pão duro e amargo de cada dia.

“Está escrito”
Nas três tentações Jesus convoca Deus ao seu lado e cada resposta é silabada e gritada com o alfabeto da Palavra de Deus: “está escrito...!”, está gravado no coração! Porque o que se escreve permanece, é promessa, é realidade! Jesus não dialoga com o Diabo, mas contrapõe sempre um amor maior: o de um Pai que nunca o abandona.
O grande engano é acreditar que o tesouro da vida esteja num naco de pão, na folia do poder ou no excesso de sucesso. O engano é acreditar que assim se pode eliminar a fome do céu e de paz. O maior engano é servir-se da vida caminhando nas palmas de anjos, sem avançar como crianças confiantes apenas na força com que nos aperta o abraço do Pai.
Mesmo quando caímos dos pináculos vazios da vida, Ele está presente. Talvez não como nós desejaríamos, mas à sua maneira. E não para evitar a queda, mas para ajudar a levantar e a continuar. E, então, fazer florescer o deserto. Isso, caros amigos e amigas, é Evangelho!

VIVER A PALAVRA
Vou deixar um pouco da minha semana para me retirar e descobrir o que me tenta.


REZAR A PALAVRA
Senhor, ajuda-me a retirar de mim o que me desliga de Ti...
No deserto da minha busca de da fonte, não desejo pão passageiro, nem estradas
imediatas, apenas aspiro por Ti, alimento seguro. No alto das colinas do eu,
não desejo fama nem reconhecimento vão, apenas o Teu colo que me alenta
e me faz ser. Na Jerusalém de um mundo inquieto e desorientado, nao desejo poder egoísta nem autoridade vazia, apenas a Tua Palavra como norma e meta do caminho.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

XVIII Domingo Comum B


Naquele tempo, quando a multidão viu que nem Jesus nem os seus discípulos estavam à beira do lago, subiram todos para as barcas e foram para Cafarnaum, à procura de Jesus. Ao encontrá-l’O no outro lado do mar, disseram-Lhe: «Mestre, quando chegaste aqui?». Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: vós procurais-Me, não porque vistes milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes saciados. Trabalhai, não tanto pela comida que se perde, mas pelo alimento que dura até à vida eterna e que o Filho do homem vos dará. A Ele é que o Pai, o próprio Deus, marcou com o seu selo». Disseram-Lhe então: «Que devemos nós fazer para praticar as obras de Deus?». Respondeu-lhes Jesus: «A obra de Deus consiste em acreditar n’Aquele que Ele enviou». Disseram-Lhe eles: «Que milagres fazes Tu, para que nós vejamos e acreditemos em Ti? Que obra realizas? No deserto os nossos pais comeram o maná, conforme está escrito: ‘Deu-lhes a comer um pão que veio do Céu’». Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Não foi Moisés que vos deu o pão do Céu; meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão do Céu. O pão de Deus é o que desce do Céu para dar a vida ao mundo». Disseram-Lhe eles: «Senhor, dá-nos sempre desse pão». Jesus respondeu-lhes: «Eu sou o pão da vida: quem vem a Mim nunca mais terá fome, quem acredita em Mim nunca mais terá sede».

Caros amigos e amigas, o Evangelho descreve a procura da multidão. Da verdadeira procura nasce o encontro. E Jesus faz-se milagre, faz-se pão, porque Ele, sim, nos procura.

À procura de Jesus
Procuramos aquilo que não temos ou ainda não conquistámos. Procuramos aquilo que perdemos ou ainda não encontrámos. Por vezes andamos nós mesmo perdidos… e precisamos procurar-nos…
A multidão do evangelho procurou Jesus, porque Ele não estava onde julgavam encontrá-l’O. Então foram procurá-l’O noutro lugar. A nossa vida é um caminho de procura. Deus habita-nos, porque nos ama, e nós estamos em constante procura porque nos afastamos d’Ele. Quantas vezes procuramos Jesus onde Ele não está. E, porque O não vemos, desistimos no caminho e caímos, desanimados e desiludidos com a vida. Para O encontrar é preciso subir para a barca da Palavra e procurá-l’O na simplicidade da vida, do outro lado.
Por vezes vivemos preocupados em saber quando Jesus chega, ou como chega à nossa história. Temos sede de respostas às nossas perguntas, porque não damos espaço à novidade, ao milagre, ao silêncio de Deus. Tudo tem que estar dentro dos limites da nossa razão, da nossa lógica… mas o mistério de Deus não cabe nas nossas medidas, a Sua medida transborda os nossos limites.

Trabalhai pelo alimento que dura até à vida eterna
Mas porque procuramos Jesus? O que nos atrai neste homem de vida itinerante, que questiona o nosso comodismo espiritual? Ele toca-nos, marca-nos, imprime em nós o selo do amor. Não mais somos os mesmos quando fazemos experiência de Deus. Não mais somos os mesmos quando bebemos da água da vida e comemos do Pão do Céu. Que adianta procurar outras fontes, se só Jesus Cristo nos refresca verdadeiramente e nos dá novo vigor? Em tempo de férias, urge também trabalhar pelo alimento que dura até à vida eterna.
Que sementes lançar para colher o tal alimento que não se perde? Amar implica esforço, passar ao outro lado do mar, remar contra ventos e tempestades, oferecer a outra face, sentir o pó do caminho, subir ao monte…trabalhar pelo alimento que dura e não se perde. Só o amor dura, porque o amor jamais passará!

Que milagres fazes Tu?
É tal a nossa falta de fé que ainda nos atrevemos a questionar a verdade de Deus… que faz Ele de especial, afinal, para que possamos acreditar nele?... Como se dar-se plenamente a nós, em Pão e Palavra… em substanciosa Vida, fosse pouco, ou não nos fosse suficiente! A eucaristia é o milagre de Deus. No Pão descido do Céu está a verdadeira vida, o único alimento que sacia as nossas procuras. Na eucaristia, é Deus Quem nos procura. Ele que se dá em alimento, tem fome da nossa fome d’Ele. O amor compassivo de Deus é o milagre do encontro. Quando saboreamos este mistério, a sede torna-se abraço e a procura transforma-se em pedido: Senhor, dá-nos sempre desse pão. E isso, caros amigos e amigas, é Evangelho!

VIVER A PALAVRA
Preciso de dar vigilância constante às motivações que me aproximam de Jesus.


REZAR A PALAVRA
Senhor, hoje confrontas-me com esta inadiável questão:o que busco em Ti?
Será que me sirvo de Ti como um trampolim para ambições humanas?
Será que invisto a fé numa superstição que te aplaca, mas não me implica?
Aqui, frente aos teus olhos, leio e saboreio a sedução da eternidade, no agora.
Tu sabes o que há em mim, e a tua mensagem é desafio de plenitude até Ti!
Tu és o motivo da minha fome, porque só Tu és a consumação da minha vida.
Hoje quero comungar o teu amor como o alimento sem prazos de validade,
quero aproximar os meus sonhos dos teus, até uma sintonia perfeita,
quero ser eucaristia contigo, num mundo onde as fomes hesitam para onde ir...