domingo, 7 de junho de 2015

Corpo de Deus B


Evangelho segundo S. Marcos, 14, 12-16.22-26
No primeiro dia dos Ázimos, em que se imolava o cordeiro pascal, os discípulos perguntaram a Jesus: «Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?». Jesus enviou dois discípulos e disse-lhes: «Ide à cidade. Virá ao vosso encontro um homem com uma bilha de água. Segui-o e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa: «O Mestre pergunta: Onde está a sala, em que hei-de comer a Páscoa com os meus discípulos?». Ele vos mostrará uma grande sala no andar superior, alcatifada e pronta. Preparai-nos lá o que é preciso». Os discípulos partiram e foram à cidade. Encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito e prepararam a Páscoa. Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, recitou a bênção e partiu-o, deu-o aos discípulos e disse: «Tomai: isto é o meu Corpo». Depois tomou um cálice, deu graças e entregou-lho. E todos beberam dele. Disse Jesus: «Este é o meu Sangue, o Sangue da nova aliança derramado pela multidão dos homens. Em verdade vos digo: Não voltarei a beber do fruto da videira, até ao dia em que beberei do vinho novo no reino de Deus». Cantaram os salmos e saíram para o monte das Oliveiras.

Caros amigos e amigas, Jesus escolhe a intimidade de uma refeição de festa para, na simplicidade do gesto do alimento diário, nos deixar a sua contínua presença e comunhão.

Interpelações da Palavra
Uma sala para comer a Páscoa
Imagino a reacção dos discípulos, misturando o temor e a confiança, alguma vergonha com a coragem, à procura do lugar para Jesus celebrar a Páscoa. Desde Belém que Deus procura uma casa, um cenáculo para celebrar as núpcias com a humanidade. Deseja um lugar alto, alcatifado, com o indispensável para a festa. E ainda hoje pergunta a cada um de nós: onde está a minha sala, aquele lugar na tua vida onde posso fazer festa contigo, amassar-me na tua história e embeber-me da tua existência, até se confundir a minha alegria com a tua? Sou eu hoje a sua casa, o sacrário precioso da sua presença, nos sulcos da história.
Em Nazaré Deus se fez choro e brincadeira de criança, suor e aprendiz de carpinteiro. Em Jerusalém Ele se faz pão e vinho, cruz e amor, alimento para saciar a fome e a sede, o sonho e a alegria. Maravilhosa necessidade de Deus de estar e fazer festa connosco!

“Tomai e comei; tomai e bebei”
Um simples tomai, como um pedido e uma súplica, uma declaração de amor: tomai, nas mãos e no íntimo, a minha vida, o meu sorriso, a minha alegria, a minha paixão de amor. Belíssima criatividade divina que nada exige e nada toma, mas se dá, se entrega, se confia. Não é o homem que deve algo a Deus, mas é Deus que se entrega e se sacrifica por nós. Sem limites, sem restrições, sem medida… por todos!
Tomai este corpo e este sangue! Como uma alquimia do amor em que Deus se veste da nossa frágil e pobre humanidade de modo que toda a humanidade se torna corpo de Deus!, tornando-nos naquilo que recebemos.

Fracção do pão e comunhão
Um gesto tão antigo, espontâneo e simples, repetido quotidianamente em cada mesa e família, onde a vida se partilha. Este é o gesto que acompanha o crente: a capacidade de partilhar o pão, a vida, a palavra. É a fragilidade do pão amassado e do cacho de uvas espremido, fruto da terra e do suor dos homens, que se tornam – por Cristo, com Cristo e em Cristo – pão da vida e vinho de salvação.
Talvez já estejamos habituados à rotina da eucaristia, gaguejando um amém mudo diante do mistério de amor, transformado num árido ritual e não num encontro vivificante e num abraço. Mesmo assim, na Eucaristia Deus alcança-me, assimila-me, comunga-me. Ali, o Natal, a Cruz e a Ressurreição penetram em mim. É Deus que me faz entrar na sua vida e me transforma. Por isso, “Senhor, eu não sou digno que entres em debaixo do meu tecto, mas sussurra apenas uma palavra”… para que eu, pequeno grão grávido de Ti, possa multiplicar no altar do mundo a alegria do Evangelho!

Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Senhor Jesus, hoje, mais uma vez, sinto o privilégio de um convite que me faz saborear-Te!
Olho o requinte com que o teu amor presenteia a minha fome, os detalhes do amor…
e dou-te graças por que convocas o meu esforço para a refeição que se faz comunhão.  
Adoro-Te, Senhor, no sacramento em que te confias à minha fragilidade e pobreza…
quero ser terra disponível onde germine a tua presença e floresça em gestos de bondade,
quero aceitar a tua Vida, viver de Ti, para me tornar um manancial de fecundidade…
quero provar o teu pão para me tornar alimento de esperança e da alegria do Evangelho!

Viver a Palavra

Vou olhar a Eucaristia, com o desafio de deixar transformar a minha vida, como a de Jesus, em dom.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Santíssima Trindade B


Evangelho segundo S. Mateus 28, 16-20
Naquele tempo, os onze discípulos partiram para a Galileia, em direcção ao monte que Jesus lhes indicara. Quando O viram, adoraram-n’O; mas alguns ainda duvidaram. Jesus aproximou-Se e disse-lhes: «Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. Ide e ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos.

Caros amigos e amigas, nós que fomos batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, somos convidados neste domingo a contemplar o Santíssima Trindade, mistério de comunhão e de amor, certeza de um Deus que se comunica e se faz presente até ao fim.

Interpelações da Palavra
Viram… adoraram-n’O
A notícia da ressurreição tinha “explodido” junto ao túmulo. Das dúvidas, envoltas em medo, permanece o imperativo de ir para a Galileia, onde veriam o Ressuscitado (Mt 28, 1-10): “Lá me vereis!”. A promessa foi cumprida. Feito o caminho, subido o monte que lhes tinha sido indicado pelo mestre, viram-n’O. Reconheceram Jesus. “Quando O viram”, mesmo duvidando, “adoraram-n’O”… Já não é aquele menino de Belém, envolto pelo luar da noite nos braços de Maria, adorado pelos pastores solitários e pelos (bem)aventurados Magos. Ali, na Galileia, onde O escutaram falar de Deus, onde presenciaram os milagres às multidões, onde foi aliviado o sofrimento e se ofereceu o perdão e a paz, Jesus manifesta-se de novo como Filho muito amado de Deus, o todo poderoso. Os discípulos, tal como os Magos, adoram… Regressados ao berço da missão, encontra-se a fé e a dúvida, a coragem e o medo. Assim é a nossa relação com Jesus: revela-nos sinais de ressurreição, mas ainda duvidamos. O cinzento do Inverno, que ainda trazemos, enevoa as cores da primavera. A adoração sem sorriso não é oração. Deus Trindade é sempre uma boa e alegre notícia.

Ensinai batizando
Ele sabe das nossas balanças e dos nossos cálculos, dos nossos cepticismos cinzelados pelas experiências da vida, por isso, aproxima-se. Enquanto os discípulos adoram e duvidam, Jesus toma a iniciativa e vai, mais uma vez, ao seu encontro. Eles fizeram o caminho, mas é Jesus Quem se revela e dá a conhecer. Deus é sempre próximo. E da adoração do mistério nasce a missão. Adorar e servir andam sempre de mãos dadas. Jesus indica-lhes com clareza qual deve ser agora a sua missão: ensinar e baptizar, fazer discípulos. Esta é também a nossa missão: fazer seguidores de Jesus que conheçam a sua Palavra, comunguem do seu projecto de amor, aprendam a viver como Ele e sejam testemunhas de Deus no mundo de hoje. A força do ressuscitado ampara estas comunidades sempre nascentes, porque renascem do baptismo e do Espírito Santo. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, somos batizados e enviados como discípulos missionários.

Convosco até ao fim
Precisamos re-cordar a força do Credo para saborear a presença de Deus que nos embala e acolhe, ensina e envia. Cremos em Deus Pai porque não estamos sós, Ele é a origem e a meta da nossa vida. Criou-nos por amor e a todos deseja abraçar com coração infinitamente misericordioso. Cremos em Deus Filho, Jesus Cristo, seu único filho, o grande presente que Deus deu ao mundo. Ele ensinou-nos como Deus é Pai. Jesus anima-nos a construir uma vida mais feliz na entrega e serviço aos outros, sempre escutando e cumprindo a vontade do Pai. Cremos em Deus Espírito, que dá a vida, comunhão do Pai e do Filho. Força e sabedoria de Deus, luz e guia de cada passo da nossa história, perfume sem tempo e sem espaço porque abraça a história e habita cada íntimo. O amor de Deus não se fica em si mesmo, comunica-se gratuitamente. Deus dá-se continuamente a cada um de nós. Ele continua vivo, connosco, curando, perdoando e salvando, em cada gesto que fazemos por Ele, com Ele e n’Ele. Deixemo-nos abraçar pela Trindade e continuará presente o Evangelho.
 


Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Creio em Ti, ó Pai, colo fecundo de misericórdia e ternura, onde as minhas raízes bebem o ser,
quero construir-me em Ti, para que o teu amor seja obra em mim.
Creio em Ti, Jesus, Filho Amado e Amante, coração cuja amplitude me dilata o ser,
quero partir de Ti, para que a tua Palavra seja mensagem e profecia em mim.
Creio em Ti, Espírito Santo, liberdade que até aos cumes da beleza me educa o ser
quero focar a minha vida para ti, para que o teu fogo e o teu vento sejam atmosfera em mim.

Viver a Palavra

Vou viver cada um dos meus dias em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

sábado, 23 de maio de 2015

Pentecostes B


Evangelho segundo S. João 15, 26-27; 16, 12-15
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quando vier o Paráclito, que Eu vos enviarei de junto do Pai, o Espírito da verdade, que procede do Pai, Ele dará testemunho de Mim. E vós também dareis testemunho, porque estais comigo desde o princípio. Tenho ainda muitas coisas para vos dizer, mas não as podeis suportar por agora. Quando vier o Espírito da verdade, Ele vos conduzirá à verdade plena, porque não falará de Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que há-de vir. Ele Me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. Tudo o que o Pai tem é meu. Por isso vos disse que receberá do que é meu e vo-lo anunciará.»

Caros amigos e amigas, o Pentecostes é como a celebração do nosso aniversário natalício. É daqui que a Igreja se encaminha para o projecto de Deus, é aqui que cada um de nós bebe a vida plena, a Vida de e em Deus.

Interpelações da Palavra
Ele dará testemunho de Mim
Continuamos no contexto da última ceia, em que Jesus abre o escrínio do seu coração, como nunca o fizera. Como era possível que os seus amigos pudessem absorver a torrente daquela mensagem de amor? Mas Jesus também não pretende fazer deles uma espécie de “enciclopédias evangélicas”, compêndios de conceitos sobre a fé. Jesus sabe que eles não podem “suportar” porque numa concha não cabe a imensidão do mar! Jesus quer antes fazer deles “meteoros evangélicos” capazes de iluminar, de deixar rastos de luz, de incendiar com o seu amor a terra inteira. É na Ceia em que Jesus faz o seu testamento de amor, que surge a promessa do Espírito Santo. Ele não age como uma força imposta, que faz de nós marionetas passivas. Só Ele, que procede do Pai, que é bombeado pelo coração do Filho amado, conhece tudo o que se passa no âmago da Trindade, por isso Ele é a corrente a carregar a bateria poderosa que mantém operacional em nós o bem, a beleza, a criatividade e a compaixão. Como em Maria, é o Espírito Santo que fecunda o nosso coração para gerar Cristo e o “dar à luz”. Cabe-nos a abertura para O acolher e a disponibilidade para O deixar agir em nós e por nós. Passamos então a ser não apenas de Jesus, mas rosto de Jesus, beleza, gestos, voz e palavra de Jesus.

E vós também dareis testemunho…
Às vezes gostaríamos de ter o nosso pecúlio privado de inspiração disponível para os nossos discernimentos, o nosso Espírito Santo doméstico, como as crianças, na feira, que trazem os seus balõezinhos coloridos presos às mãos por um fio. Mas o Pentecostes é a nuvem teofânica que não cabe nas dimensões tacanhas do nosso balãozinho, mas que dilata as medidas do nosso coração até abarcar o mundo inteiro, cada homem e mulher, para os revelar destinatários de um amor incrivelmente gratuito e tão desperdiçado. O Espírito Santo implica o nosso ser Igreja, é Ele o alimento da comunhão e esta comunhão expressa o uníssono da verdade. Ele não é de acesso privado, mas visita o mundo em línguas apenas lidas num contexto inteligível. Cada um de nós é uma palavra do poema de Deus, cada um de nós é uma nota da melodia que Deus executa neste mundo. Ele é a conduta íntima que nos liga à fonte, por isso não deixa arrefecer o nosso amor, solta os diques da nossa timidez, revigora a nossa fragilidade, abastece a nossa exiguidade de horizontes, é o diapasão da verdade.

… porque estais comigo.
O Pentecostes é o habitat natural do cristão que se assume como tal e procura desenvolver e manter a sua vida em Cristo. Ninguém pode testemunhar o que não viu, nem ouviu, o que não experimentou. Este ESTAR nem por sombras é verbo passivo. Estar com Cristo não é pieguice devocional, estática e ociosa. Estar com Ele também é permanecer debaixo do caudal do seu coração e do seu olhar, para O conhecer, para deixar-se amar, para deixar-se (re)criar, mas depois para O seguir até àqueles “locais” onde Ele nos quiser enviar. Estar com Ele é permanecer onde Ele continua a caminhar, continua a abençoar, a curar, a amar. O “com Cristo” torna o verbo ESTAR explosivo e diligente… urgente! Estar com Ele, amigos e amigas, faz-nos entrar na sua dinâmica do dom, do arriscar a vida como investimento de amor, do assumir-se como vivo Evangelho!
 


Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Espírito Santo, testemunho da vida, força da Palavra e presença eterna do amor,
inebria-me com a beleza do Teu fogo renovador que me faz discípulo missionário,
Testemunho vivo das mãos de Deus re-criador. Tu, verdade única e plena,
diálogo perene do tempo de Deus e guia criativo da história, fortalece-me
com teus sábios e consoladores dons que me conduzem da disponibilidade ao anúncio.

Viver a Palavra

Vou abrir o coração aos dons do Espírito Santo que me fazem testemunha do reino de amor.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Domingo da Ascensão B


Evangelho segundo S. Marcos 16, 15-20
Naquele tempo, Jesus apareceu aos Onze e disse-lhes: «Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem acreditar e for baptizado será salvo; mas quem não acreditar será condenado. Eis os milagres que acompanharão os que acreditarem: expulsarão os demónios em meu nome; falarão novas línguas; se pegarem em serpentes ou beberem veneno, não sofrerão nenhum mal; e quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados». E assim o Senhor Jesus, depois de ter falado com eles, foi elevado ao Céu e sentou-Se à direita de Deus. Eles partiram a pregar por toda a parte e o Senhor cooperava com eles, confirmando a sua palavra com os milagres que a acompanhavam.

Caros amigos e amigas, hoje, Domingo da Ascensão do Senhor, as palavras de Jesus são-nos directamente dirigidas. Enquanto nos envia é elevado ao Céu, no entanto, este é um envio de Quem não nos pode abandonar. Ele continua a colaborar connosco. É tempo de sair, pregando o Evangelho a toda a criatura.

Interpelações da Palavra

Pregai o Evangelho
Jesus dirige-se aos Onze com um imperativo urgente: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura”. A boa notícia não pode ficar encerrada no interior do pequeno grupo, toda a criatura carece da “melhor notícia”. O que Ele disse e fez transformou os discípulos e quer agora fecundar o coração de toda a criatura, para que viva em plenitude. O Evangelho, Cristo Palavra, tirou-lhes o medo, fez-lhes sentir a Sua misericórdia, ajudou-os a viver o perdão, a proximidade e a atenção aos mais pobres, aos doentes aos últimos. A notícia de um Deus assim é uma graça: é urgente pregá-la. Ele não cancela a sua presença por causa de qualquer crise, greve ou boicote, mas precisa dos nossos lábios, dos nossos pés e das nossas mãos para que a sua Palavra seja notícia nesta cultura moderna, no hoje e aqui da nossa história.

Acompanhados por sinais
Os que acreditam tornam-se discípulos-missionários da “Boa Notícia”, são um sinal do Reino e transportam o perfume da caridade, da sabedoria e da coragem. Quem anuncia a Palavra, quem vive dela e a semeia no coração de toda a criatura, é já sinal de que Deus nunca nos abandona: “Eu estarei convosco até ao fim dos tempos”. Precisamos de estar atentos aos sinais, não temer os perigos da evangelização, mas arriscar o anúncio credível do amor. Somos peregrinos na esperança, a nossa vida é sempre uma “expectação”, “não deixemos que nos roubem a esperança”! Quando a esperança se apaga, paramos, não crescemos nem damos fruto, destruímo-nos e destruímos os outros. Há sempre uma Palavra de amor a semear. Há sempre um raio de esperança, um sinal de Deus, uma notícia de Deus…

Divino cooperador
“Foi elevado ao Céu e sentou-se à direita de Deus.” Eis a nossa bandeira, hasteada como sinal de comunhão, alegria, paz e vida. Jesus é vida, é a notícia de um Pai que nos ama e nunca nos deixa sós. Nunca deixemos de olhar o alto, de aspirar a ser mais e melhor, olhando e levantando a “bandeira” que vai à nossa frente, que nos acompanha, que coopera connosco. Todos somos responsáveis na messe do Senhor, todos somos enviados a pregar o Evangelho da misericórdia, em todo o lugar e a todas as criaturas, mas Jesus continuará a ser sempre o Mestre, o guia, o divino cooperador. A Sua presença constante encoraja-nos e inspira as nossas palavras e ações, para que sejam cada vez mais as Dele. Nem as serpentes da mentira, nem as limitações da doença, nem a solidão do deserto, nem a sede nem a fome de liberdade, nem os demónios das dúvidas e perseguições hão-de deter a força da evangelização que o Espírito Santo é o propulsor. Que os olhos do nosso coração se deixem fascinar pelos milagres que acompanham aqueles que se deixam acompanhar por Ele e lançar as sementes da Boa Notícia. É assim que, hoje e sempre, acontece o Evangelho!

Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Senhor Jesus, hoje é dia de subir contigo. Tu estás onde o meu coração encontra plenitude,
Tu chamas-me sempre a mais, estás onde posso crescer, onde o acreditar se faz envio.
De novo me convidas a estar contigo, de novo me impeles a partir de Ti e em teu nome…
Hoje é dia de sentir nos pés o afago dos caminhos da humanidade, para te estender como Caminho,
Hoje é dia de encher as mãos com a tua misericórdia para regar os desertos de tanta falta de paz,
Hoje é o dia de abastecer a minha voz com a Tua Palavra, é o dia de acordar o milagre da tua presença!

Viver a Palavra

Vou procurar partir sempre de Jesus, para ser sinal do seu amor, a quantos me rodeiam.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

VI Domingo Páscoa B


Evangelho segundo S. João 15, 9-17
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Assim como o Pai Me amou, também Eu vos amei. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como Eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor. Disse­-vos estas coisas, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa. É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamo­-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi a meu Pai. Não fostes vós que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi e destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça. E assim, tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá. O que vos mando é que vos ameis uns aos outros».

Caros amigos e amigas, o amor é a única fonte que abastece a nossa verdadeira vida. O amor é outro nome dado ao Espírito Santo, laço que une as pessoas divinas, o “sangue” que permeia e mantém viva a Igreja.

Interpelações da Palavra
Vivemos de amor e de alegria
Estamos no ambiente da última ceia. Os olhos pasmados dos discípulos não conseguem acompanhar Jesus que os leva pelos meandros mais íntimos do seu coração. Naquela hora de aperto, o medo embotara a sua capacidade de entendimento, o discernimento coagulava à borda dos desafios… Porém o discípulo amado era o escriba do amor e, enquanto os outros não se permeabilizavam às revelações de Jesus na hora da Ceia e fugiam na hora do Calvário, esse discípulo espreitou o coração aberto de Jesus, quer na Ceia quer no Calvário!
No tempo pascal a Igreja serve-nos a refeição da intimidade de Jesus, as pérolas do seu testamento para nos fortalecer nas horas de Calvário. Quem não se sentirá seguro neste amor selado por um espontâneo dar a vida? Como pode proliferar em nós a tristeza, se Ele deseja a nossa alegria? Como pode um sentimento de abandono rondar-nos se Ele nos convida à permanência n’Ele? Neste Domingo percebemos bem o dinamismo deste verbo “permanecer” que não é estático, mas o aparelho circulatório da Igreja, como Corpo vivo.

Eu vos escolhi…
 Jesus revela-nos um amor que escolhe, um amor de eleição e, por isso, especial, personalizado. Deus escolheu-me?! Sim, amigo e amiga, tanto tu como eu estamos situados na mira daquele olhar divino. Ele escolhe a mim e a ti para uma missão concreta, para que vamos e demos fruto. Ele diz, a mim e a ti, que a experiência de amor mantida com Ele não pode ser precária, intermitente, ao sabor dos nossos estados de ânimo, não tem horas laborais, feriados ou férias. O verdadeiro amor, não é uma tremura à flor da pele, um estupefaciente fugaz, um romantismo ocasional. O verdadeiro amor é aquele fluxo permanente que colho da relação entre o Pai e o Filho e se torna manancial em mim, que refina as relações formais até as transformar em amizade, confiança e cumplicidade. Então o que Ele me “manda” não vem de um patrão, mas passa a ser espontâneo colaborar na sua missão, serviço e amizade aos irmãos, até à doação da própria vida… como Ele!

… e destinei para que vades e deis fruto…
Não podemos correr o risco de nos tornarmos canos esclerosados pelo egoísmo, torneiras entupidas pela timidez ou pelo comodismo. O discípulo, consciente de que recebe a vida do Mestre, sabe que o seu tesouro só vive quando partilhado. A nossa permanência nesta videira, abundante de vida, não apenas nos alimenta, mas faz-nos adotar a mesma fluidez e a tornar-nos manancial para os demais, portadores do mesmo amor capaz de dar a vida tanto nas grandes, como nas comezinhas situações de cada dia. É este amor que leva os pés até às periferias existenciais, que gera o carinho nas mãos que curam, que se faz presença a regar a secura do abandono, que se faz luz no olhar que anima, paciência que escuta, palavra que liberta… Este amor faz-nos sair de nós e envia-nos em missão. É este amor que solta do nosso ser a proclamação feliz do Evangelho.

Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Senhor, só nas tuas palavras encontro estabilidade para permanecer, Tu és a Palavra!
Só Tu cantas a melodia que faz crescer em mim a esperança perfeita, Tu és a alegria!
Tu dás a vida por mim, és o puro Amor, e me recrias das mortes quotidianas, és a Vida!
A Ti, Senhor, que me escolhes e envias, quero entregar a vida, permanecer na Tua Palavra,
tornar-me causa de alegria, fazer viver a tua Vida em mim, ser sinal fecundo do teu Amor!
Sim, Senhor, quero permanecer… para que ao teu envio eu parta sempre do teu Coração…

Viver a Palavra

Vou acolher a feliz amizade que o Senhor me dedica e ser no mundo um sinal claro do seu amor.