sexta-feira, 20 de setembro de 2013

XXV Domingo Comum C



Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Um homem rico tinha um administrador, que foi denunciado por andar a desperdiçar os seus bens. Mandou chamá-lo e disse-lhe: ‘Que é isto que ouço dizer de ti? Presta contas da tua administração, porque já não podes continuar a administrar’. O administrador disse consigo: ‘Que hei-de fazer, agora que o meu senhor me vai tirar a administração? Para cavar não tenho força, de mendigar tenho vergonha. Já sei o que hei-de fazer, para que, ao ser despedido da administração, alguém me receba em sua casa’. Mandou chamar um por um os devedores do seu senhor e disse ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu senhor?’. Ele respondeu: ‘Cem talhas de azeite’. O administrador disse-lhe: ‘Toma a tua conta: senta-te depressa e escreve cinquenta’. A seguir disse a outro: ‘E tu quanto deves?’. Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. Disse-lhe o administrador: ‘Toma a tua conta e escreve oitenta’. E o senhor elogiou o administrador desonesto, por ter procedido com esperteza. De facto, os filhos deste mundo são mais espertos do que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes. Ora Eu digo-vos: Arranjai amigos com o vil dinheiro, para que, quando este vier a faltar, eles vos recebam nas moradas eternas. Quem é fiel nas coisas pequenas também é fiel nas grandes; e quem é injusto nas coisas pequenas também é injusto nas grandes. Se não fostes fiéis no que se refere ao vil dinheiro, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não fostes fiéis no bem alheio, quem vos entregará o que é vosso? Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque, ou não gosta de um deles e estima o outro, ou se dedica a um e despreza o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro».
Caros amigos e amigas, o Evangelho é uma contínua provocação para, à nossa volta, dar mais vida. Hoje, somos convidados à lógica desconcertante de Jesus: os bons administradores são os que imitam a gratuidade divina e o perdão do Pai.

O administrador desonesto
O administrador, que engana e rouba, que faz saldos de última hora, é também capaz de transformar os seus bens em amizade. Jesus não louva apenas a sua astúcia, que é apenas um método airoso para se salvar duma situação difícil, mas vê nele um homem novo, capaz de fraternidade. Aflito, o administrador oferece azeite e trigo, oferece vida aos seus devedores, serve-se do dinheiro para ser acolhido, para ser amado. Ao desperdício sucede o dom. A desonestidade permanece, mas ilumina-se agora um futuro novo.
No fim contará não o mal que fizermos mas todo o bem que realizarmos! Mesmo um só gesto, de bondade e perdão, conta muito mais do que as ervas daninhas da vida. Deus, seduzido pela bondade e não pela desonestidade, não olhará ao mal feito, mas ao bem semeado nos sulcos da vida. Ele não olhará para nós, mas observará à nossa volta: os nossos pobres, os nossos devedores, os amigos abraçados. Deus olhará à vida que seja amiga de outra vida. Na verdade, o administrador faz algo de profético, faz o que Deus faz connosco: dá e perdoa, absolve os nossos débitos. Porque só o amor gera amor, só o perdão fecunda a misericórdia, e a amizade pede simplesmente respostas gratuitas de amor.

Decisões vitais
Aquele administrador soube ser hábil, soube aceitar a realidade, reconhecer os próprios limites, sem força para cavar e vergonha para mendigar, tomando uma decisão adequada.
A nossa fé seria ridícula se não fosse também uma decisão iluminante que mudasse o curso das coisas, um arrojo à altura da situação, um instrumento para construir um mundo novo.

“Fazei amigos com o vil dinheiro”
É ridícula a avareza porque o dinheiro pede para ser distribuído. É estúpido armazenar o grão que está feito para ser pão. A vida é para gerar, renascer, germinar. Toda a criação é feita de dons para serem partilhados. Se os acumularmos roubamos-lhes a beleza, a bondade e a verdade. Façamos, então, florir com o vil dinheiro a fraternidade! Sim, porque é feliz quem tem mais amigos e não quem tem mais dinheiro. Antes do trigo e do azeite, antes do cheque e dos bens, está o amigo que salva. Sim, serão eles que nos acolherão nas moradas eternas: os amigos e não Deus! São eles a chave do paraíso, são eles hoje o caminho para Deus. E isso, caros amigos e amigas, é Evangelho!

VIVER A PALAVRA
Vou analisar os resultados das minhas escolhas na administração dos bens temporais.

REZAR A PALAVRA
Senhor, meu único Bem, fonte de tudo o que verdadeiramente me preenche!
Dou-te graças porque o valor da vida é este tecido precioso de relações,
é este movimento tão despojado que só os pobres e os pródigos a ele têm acesso!
Tu permites àqueles que me amam, fazer-me entrar na intensidade do teu  amor.
Ensina-me a amar, Senhor, a dar continuamente como Tu, um Céu aos despojados.

Concede-me, a alegria de quem se sente agraciado pelo teu imenso dom.

Um comentário:

Céu Mota disse...

Cara Irmã
hoje adorei a homilia do padre na celebraçãona Cruz, Sta Maria da Feira. Gravei na memória a fra se "Numa migalha cabe todo o evangelho". Escrevi esta mesma frase na pesquisa Google: e cheguei aqui, ao seu bonito blog.
Mas afinal de quem é tão bonita frase? abraço