quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

III Domingo Comum C




Já que muitos empreenderam narrar os factos que se realizaram entre nós, como no-los transmitiram os que, desde o início, foram testemunhas oculares e ministros da palavra, também eu resolvi, depois de ter investigado cuidadosamente tudo desde as origens, escrevê-las para ti, ilustre Teófilo, para que tenhas conhecimento seguro do que te foi ensinado. Naquele tempo, Jesus voltou da Galileia, com a força do Espírito, e a sua fama propagou-se por toda a região. Ensinava nas sinagogas e era elogiado por todos. Foi então a Nazaré, onde Se tinha criado. Segundo o seu costume, entrou na sinagoga a um sábado e levantou-Se para fazer a leitura. Entregaram-Lhe o livro do profeta Isaías e, ao abrir o livro, encontrou a passagem em que estava escrito: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a Boa Nova aos pobres. Ele me enviou a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos e a proclamar o ano da graça do Senhor». Depois enrolou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-Se. Estavam fixos em Jesus os olhos de toda a sinagoga. Começou então a dizer-lhes: «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir».

Caros amigos e amigas, na sinagoga de Nazaré, Jesus realiza a palavra de Deus. Ele é o grande narrador que “diz” Deus. Ele é a linguagem de Deus, o seu Verbo! Ler, hoje, o Evangelho é meter-se no meio de uma história, a história de Jesus, para continuar esta narração com a própria vida.

“Para ti, ilustre Teófilo”
Lucas dedica-nos o seu Evangelho. E chama-nos Teófilo (= “amigo de Deus”)! Um nome que ainda ninguém tinha sonhado dar-nos: “Amado por Deus”! Teófilo representa todos aqueles que, em qualquer lugar e em qualquer tempo, procuram apaixonadamente a Deus.
Além disso, Lucas afirma que investigou cuidadosamente para que tivéssemos um conhecimento seguro sobre Jesus. Este não é um produto da fantasia, imaginação ou ideologia. Jesus viveu num lugar e num tempo concreto. O Evangelho não é uma recolha de “pílulas de sabedoria” para viver melhor, nem um amontoado de histórias épicas, nem um livro de histórias sagradas. O Evangelho é a história de um encontro, de uma experiência, de um amor, de um sonho realizado: o de Deus e o teu!

Deus nos caminhos de Nazaré
Jesus é o sonho de Deus realizado! Em Nazaré fecham-se os livros e abre-se a vida, passa-se do papel ao respiro, das profecias à realização.
Com Jesus é toda uma nova génese que inicia. É um amor encantado pelos pobres, opção pelos cegos, preferência pelos oprimidos. Os excluídos e os esfomeados de amor são hoje os primeiros destinatários deste novo reino.
Também eu me encontro naquela Sinagoga de Nazaré, com os olhos fixos em Jesus e com os ouvidos atentos àquela Palavra que ecoa! E aquele jovem nazareno não narra, mas vive. Não recorda as palavras do profeta Isaías, mas actualiza-as. Não diz palavras vazias, mas realiza-as. Ele é o sonho e a paixão de Deus à minha procura, pelos caminhos da vida.

“Cumpriu-se hoje mesmo”
Deus fala sempre no presente. O Evangelho não está escondido na poeira dos séculos passados, nem na utopia doentia de um futuro distante. É uma Palavra viva e actual. É o hoje extraordinário da humanidade que se encontra com Deus.
Este hoje também se dirige a mim. Somos contemporâneos de Deus! No hoje da nossa vida ressoa ainda aquela voz que quer remover as cinzas que nos oprimem. O Evangelho Jesus é um permanente convite à alegria. Não é a memória de um livro! É o milagre de uma voz que sempre espera a minha escuta para dar frutos de vida nova.
O Evangelho reclama outros evangelhos: quem escuta é transformado por aquilo que escuta; e assim a Palavra do papel se transforma em Palavra viva. Caro amigo, cara amiga, hoje, tu és semente de Evangelho!

VIVER A PALAVRA
Vou cultivar uma atenção permanente para ler Deus no hoje da minha vida e tornar-me seu anúncio.

REZAR A PALAVRA
Senhor, abre-me os olhos, o entendimento para reconhecer as palavras que te revelam; que repare na eloquência da beleza que esbanjas à minha frente e que, às vezes, desperdiço.
Que nada perca de tudo o que que me dás, e beba do sopro dos teus lábios a esperança.
Senhor Deus, que cuidas dos fracos e dos pobres, reescreve a Tua Palavra na minha vida,
 faz-me intérprete do Teu amor, prodígio da Tua misericórdia, sacramento da tua Presença.
Faz-me, Senhor, semente de Evangelho!

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